Previsível, "Chernobyl" explora medo nuclear com criaturas mutantes

Extremamente entediante, falso documentário não traz nada de horripilante e digno de sustos

Reuters |

Reuters

Quem acredita que já viu todas as possibilidades de filmes de terror feitos com uma câmera na mão, em estilo falso documentário , que se prepare para uma nova dose de imagens tremidas e desfocadas em "Chernobyl". O longa tem roteiro e produção de Oren Peli, um dos responsáveis pela franquia de sucesso "Atividade Paranormal" .

Que os acontecimentos envolvendo o acidente nuclear na usina de Chernobyl , na Ucrânia, em 1986, dariam um bom caldo para filmes de horror já era previsto. Nada mais excitante para um roteirista hollywoodiano do que juntar no liquidificador ingredientes como contaminação nuclear, cidades fantasmas, zumbis e seres mutantes. Mas o que também já era previsível é que um filme nesse estilo, destinado ao público adolescente, não acrescentaria nada ao que já foi feito no gênero.

Siga o iG Cultura no Twitter

"Chernobyl" se arrasta durante uma hora e meia e, de fato, nada traz de horripilante e digno de sustos. Tudo é previsível e extremamente entediante, até o final que deixa em aberto uma possível continuação, como já é praxe do mercado.

Dois casais desfrutam de férias na Europa. Viajam pela Itália, França, Alemanha e pretendem encerrar com chave de ouro na Rússia, incluindo uma visita inusitada, digna de roteiros bizarros e radicais, a Pripyat, na Ucrânia, vizinha da usina nuclear de Chernobyl, que virou uma cidade fantasma depois da catástrofe.

Leia também: Cinco filmes para quem tem estômago forte

Divulgação
Imagem do suspense "Chernobyl"

Chris (Jesse McCartney) quer aproveitar a viagem para pedir sua namorada, Natalie (Olivia Taylor Dudley) em casamento; Paul (Jonathan Sadowski), o irmão impetuoso de Chris, está acompanhado de Amanda (Devin Kelley), mas ela não quer nenhum envolvimento afetivo.

Na agência de viagens de Uri (Dimitri Diatchenko), que os levará a Pripyat, encontram outro casal de turistas - a norueguesa Zoe (Ingrid Bolso Berdal) e o australiano Michael (Nathan Phillips).

A cidade abandonada é bloqueada por um posto militar, mas Uri consegue burlar a vigilância entrando por um atalho secundário. A radiação no local é baixa e, teoricamente, não apresentará riscos se o grupo sair em poucas horas.

O que parecia uma aventura sem grandes consequências, no entanto, mudará de figura quando o carro de Uri deixar de funcionar. Com a chegada da noite, eles são obrigados a se proteger no veículo.

Uri tem uma arma e decide sair do carro em busca de socorro. Chris também sai, mas é atacado por algum animal que ninguém, nem o espectador, consegue ver. Tudo é muito rápido. O rapaz consegue ser socorrido, mas o guia desaparece. Com um grave ferimento em uma das pernas, Chris é um obstáculo para a locomoção rápida do grupo.

O local está infestado de cães e a primeira reação da plateia é imaginar que esses animais não são normais. Afinal, vivem soltos em Chernobyl, expostos à radiação, e mutações genéticas estão presentes no imaginário coletivo.

Leia também: "Falsos casos reais" recheiam roteiros de filmes

Essa é a grande dúvida que o filme vai explorar daqui para a frente, durante a tentativa de fuga da cidade abandonada. Sem meios de comunicação, com o carro avariado, só resta ao grupo tentar chegar ao posto militar a pé. Dispõem apenas de um revólver, barras de ferro e algumas lanternas que serão responsáveis pela parca iluminação do ambiente.

Já vimos essa correria e as mesmas lanternas em "A Bruxa de Blair" mas, naquele filme, não havia o perigo radiativo, apenas a ameaça sobrenatural. Resta apostar em quem vai conseguir sobreviver para contar a história e permitir o início de uma nova franquia. Para isso, é preciso ficar de olho na bilheteria.

Típico filme de baixo orçamento, com elenco desconhecido e diretor iniciante (Bradley Parker), rodado na Sérvia e na Hungria, "Chernobyl" abriu a bilheteria americana com quase US$ 8 milhões. Financeiramente, o resultado não é ruim, mas comparado aos US$ 52 milhões arrecadados por "Atividade Paranormal 3" no lançamento americano, é desanimador. Esse sim foi um susto para os produtores.

    Leia tudo sobre: Chernobylsuspensecinema

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG