Woody Allen: os 10 mais e os 5 menos

Os pontos altos e baixos da carreira do diretor, que há 30 anos lança um filme por ano

Marco Tomazzoni , iG São Paulo | - Atualizada às

São 42 longas-metragens no currículo, sendo que em 2012 Woody Allen comemora a marca de um filme lançado religiosamente por ano nas últimas três décadas. Viciado em trabalho, o cineasta estreia neste final de semana no país "Para Roma, Com Amor" , sua mais nova aventura pela Europa, recheada de belas paisagens.

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Numa tão carreira tão longa e prolífica, é claro que em meio às obras-primas do diretor aparecem algumas falhas de percurso. Elas sempre existiram, mas a gangorra que se tornou sua produção, cheia de altos e baixos, ficou bem mais evidente a partir dos anos 2000.

Partindo disso, o iG selecionou os 10 melhores filmes de Woody Allen, para você assistir agora, e os 5 menos iluminados, que podem ser deixados para depois. Veja abaixo.

WOODY ALLEN – DEZ FILMES PARA ASSISTIR

"Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar" (1972)
Quarto longa-metragem dirigido pelo humorista, na época ainda se encontrando como cineasta. Seus primeiros filmes são marcados por um amontoado de piadas fáceis, resquício dos anos de comédia stand-up. Nem sempre essa fórmula deu muito certo, mas em "Tudo o Que Você Sempre Quis Saber...", paródia do best-seller escrito pelo sexólogo David Reuben, não dá para resistir a cenas como a da ovelha de cinta-liga e o seio fugitivo. O filme é um clássico das aulas de educação sexual.

"Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977)
Primeiro trabalho maduro de Woody Allen e que coroou sua parceria com Diane Keaton, cujo personagem, Annie Hall, dá nome ao filme em inglês. Sem deixar de lado a comédia, o diretor e roteirista começou a encarar assuntos mais sérios e a fazer referências a seus heróis cinematográficos, caso de Federico Fellini e Ingmar Bergman. A história recapitula a relação fracassada entre Alvy, o comediante interpretado por Allen, e a modernosa Annie. Uma das melhores comédias românticas de todos os tempos e o maior triunfo de Woody no Oscar, com quatro estatuetas (melhor filme, direção, atriz e roteiro original).

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Detalhe do cartaz de 'Manhattan'

"Manhattan" (1979)
Difícil resistir ao encanto de Nova York, filmada em um belíssimo preto e branco, ao som das músicas de George Gershwin. É a maior declaração de amor de Woody Allen a sua cidade-natal, disfarçada como pano de fundo em um de seus típicos romances intricados. O cineasta interpreta Isaac Davis, que namora uma secundarista de 17 anos (Mariel Hemingway), mas acaba apaixonado pela namorada (Diane Keaton) do melhor amigo. "Manhattan" tem o mesmo sabor amargo de "Annie Hall", mas compensa a melancolia no final. Como bônus, Meryl Streep em início de carreira, no papel da ex-mulher lésbica de Isaac, que expõe os podres do casal em um livro.

"Memórias" (1980)
Um flerte de Woody Allen com a metalinguagem, ao filmar a história de um diretor celebrado pelas comédias fáceis do início de sua carreira, exibidas numa retrospectiva, e ignorado por seus filmes-cabeça (pouco antes, Woody havia sido malhado por seu primeiro drama, "Interiores", de 78). Também rodado em preto e branco, "Memórias" une humor a discussões ligeiras, mas contundentes, sobre o amor, Deus e o sentido da vida, sem nem passar perto do rigor, por exemplo, de "A Árvore da Vida" . A sequência inicial é uma clara homenagem, mais uma vez, a Bergman e Fellini. Entre as sempre complicadas namoradas do protagonista, está a belíssima Charlotte Rampling.

"Zelig" (1983)
A sofisticação do humor de Allen chega ao auge neste falso documentário sobre Leonard Zelig, que, tal qual um camaleão, adquire as características das pessoas ao seu redor pela insegurança de não ser aceito. Situada nas décadas de 1920 e 1930, a trama chega a misturar atores com personagens reais, numa trucagem que ficaria célebre mais tarde em "Forrest Gump". Mia Farrow, em seu segundo filme com o diretor (na época, marido), aparece como a psiquiatra que se apaixona pelo paciente.

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Pôster conceitual de 'A Rosa Púrpura do Cairo'

"A Rosa Púrpura do Cairo" (1985)
O diretor brinca com o fantástico, em clima de conto de fadas, ao seguir uma sofrida garçonete (Mia Farrow) na década de 1920, que supera o marido brutamontes e o trabalho pesado se refugiando no cinema para assistir ao fictício "A Rosa Púrpura do Cairo". Percebendo a fã que acompanha as sessões contínuas do filme, o arqueologista interpretado por Jeff Daniels sai da tela, ganha cores e começa um romance com a garota. Ainda sobra espaço para um triângulo amoroso com o ator que vive o personagem, ou seja, Jeff Daniels em dose dupla. Humor e melancolia como só Woody Allen sabe fazer.

"Hannah e Suas Irmãs" (1986)
A não ser o personagem secundário interpretado por Woody, que encarna o neurótico hipocondríaco de sempre, não há muito espaço para risadas nesta saga familiar, na qual a Hannah do título (Mia Farrow) pouco tem a dizer – interessa, sim, o universo de pessoas a seu redor. Há uma rede complexa de relações, na qual se discute romance, traição, culpa, decepção, desamparo, frustação e um bocado de outros sentimentos nada luminosos. A conexão com o cinema de Ingmar Bergman é formalizada pela presença do sueco Max von Sydow, que brilha no elenco numeroso, formado ainda por Barbara Hershey, Carrie Fisher, Sam Waterston e Maureen O'Sullivan (mãe de Mia, sogra de Woody). O longa rendeu o segundo Oscar de melhor roteiro para Allen e premiou Michael Caine e Dianne Wiest como coadjuvantes. Foi o maior sucesso comercial da carreira do diretor até "Meia-noite em Paris".

"Crimes e Pecados" (1989)
Uma discussão sobre a moral assombra o oftalmologista Judah Rosenthal (Martin Landau), que não sabe como lidar com o assédio da amante desequilibrada (Anjelica Huston) e suas ameaças de levar tudo a público. A influência, agora, é de Dostoiévski. Woody Allen, por sua vez, areja as nuvens sombrias que pairam sobre Landau como um documentarista casado, desiludido e apaixonado pela personagem de Mia Farrow. Alan Alda, sensacional, interpreta um pedante executivo de TV.

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Cartaz de 'Ponto Final - Match Point'

"Desconstruindo Harry" (1997)
A década de 1990 também teve viu Woody Allen fazendo bons filmes ("Poderosa Afrodite", "Maridos e Esposas"), mas o auge foi a acidez de "Desconstruindo Harry". Na história, o cineasta, no papel do escritor Harry Block, viaja para a universidade que o expulsou no passado e agora lhe presta um tributo. Na bagagem, vão uma prostituta, um amigo e o filho, sequestrado da ex-mulher. O roteiro mistura realidade, as histórias escritas por Harry (na verdade versões pouco ficcionalizadas de sua própria vida) e as interações do autor com seus personagens. Destaque para Billy Crystal em dose dupla, como diabo e o amigo que rouba a última namorada de Harry (Elisabeth Shue).

"Ponto Final - Match Point" (2005)
Primeiro e melhor dos filmes da fase europeia do diretor, rodado em Londres devido à falta de financiamento nos EUA. Seguindo uma constância na obra de Allen, que tende a revisitar temas de trabalhos anteriores, o longa volta a falar de moral e culpa ao mostrar um professor de tênis (Jonathan Rhys Meyers) que vê sua chance de entrar na alta sociedade britânica através daa relação por interesse com uma ricaça (Emily Mortimer). Ele engata um caso com a namorada do cunhado (Scarlett Johansson), que engravida e pode por tudo a perder. Uma visão de mundo sombria e realista, sem um pingo de humor, o que torna "Match Point" um dos poucos dramas genuínos de Allen – talvez por isso seja um dos poucos filmes em seu currículo que assume gostar.


WOODY ALLEN – CINCO FILMES PARA EVITAR

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Cartaz norte-americano de 'Igual a Tudo na Vida': promovido como um filme jovem

"Trapaceiros" (2000)
A década de 2000 foi a mais fraca da carreira de Woody Allen, tanto que começou com o pé esquerdo. "Trapaceiros" é dividido em duas partes. Na primeira, pastelão, o diretor é líder de um bando atrapalhado de ladrões que aluga um antigo restaurante para cavar um túnel até um cofre de banco. Obviamente não dá certo, mas a loja de cookies montada como fachada vira um sucesso e leva à segunda parte, em que Woody e sua mulher (Tracy Ullman) encaram a vida como novos ricos.

"Igual a Tudo na Vida" (2003)
Jason Biggs, astro da franquia "American Pie", assume o alterego do diretor sem muito sucesso – é certamente o pior dos atores que já encararam o papel . Biggs interpreta um escritor nova-iorquino às voltas com as complicações da namorada (Christina Ricci), que insiste numa greve de sexo. Para auxiliar o rapaz, entra em cena seu amigo mais velho, ninguém menos do que Allen. Vendido como um romance adolescente por conta de seu elenco, foi um fracasso retumbante.

"Scoop - O Grande Furo" (2006)
Encantado por Scarlett Johansson, com quem havia trabalhado em "Match Point", Woody escalou a atriz novamente, desta vez numa trama rocambolesca que envolve o fantasma de um jornalista (Ian McShane), uma estudante da área (Johansson), um mágico fracassado (Allen) e o suspeito de uma série de assassinatos (Hugh Jackman). Provalmente o menos engraçado dos filmes do diretor, que falha ao tentar reproduzir a aura investigativa de "Um Misterioso Assassinato em Manhattan" (1993).

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Pôster nacional de 'Você Vai Conhecer...'

"O Sonho de Cassandra" (2007)
Dois anos depois de "Match Point", Woody retomou sem muito sucesso o debate da culpa e moral neste drama estrelado por Colin Farrell e Ewan McGregor, dois irmãos no terceiro longa-metragem consecutivo do diretor na Inglaterra. Na trama, a dupla é contratada pelo tio (Tom Wilkinson) para matar um desafeto; em troca, muito dinheiro. Parecido demais com outros filmes do cineasta e muito inferior. O ponto fraco? Farrell.

"Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos" (2010)
O elenco excelente – Anthony Hopkins, Naomi Watts, Josh Brolin, Antonio Banderas, Freida Pinto, Gemma Jones – não compensa o roteiro raso, uma mistura rala de todos ingredientes da obra do diretor (relacionamentos em frangalhos, tentação, desejo, culpa e por aí vai). A decepção maior é ver Hopkins pagando mico como um idoso que não admite envelhecer – vai para academia, faz bronzeamento artificial, toma viagra e se casa com uma prostituta. Não se engane, não é engraçado.

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