Diretor afirma não ter mais vontade de fazer cinema e pensa em se dedicar à televisão

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O diretor Steven Soderbergh
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O diretor Steven Soderbergh

Começou a contagem regressiva de seis meses para o período sabático autoimposto pelo cineasta Steven Soderbergh, então o que o diretor premiado com o Oscar vai fazer com todo esse tempo livre das filmagens?

Um livro está em andamento, contou Soderbergh, e ele pode levar seu talento para TV ou mesmo para os palcos. Uma coisa é certa, ele está cansado de fazer o que chamou de "filmes importantes".

"Eu estou planejando isso há cinco anos ... Eu me dei uma data para tirar folga e eu estou dentro da programação. Eu viro abóbora em janeiro", disse Soderbergh à Reuters antes da estreia do seu filme "Magic Mike", sobre um stripper masculino, estrelado por Channing Tatum.

Soderbergh, que ganhou um Oscar por dirigir o drama de 2000 "Traffic" e entrou no mapa de Hollywood com o filme independente de 1989 "Sexo, Mentiras e Videotape", disse que decidiu pelo período sabático após filmar "Che", sobre o argentino revolucionário Che Guevara, estrelado por Benicio del Toro.

Ele também prometeu, depois da difícil filmagem de "Che", que só trabalharia em projetos que seriam "divertidos". "Eu definitivamente senti que não tinha o desejo de conscientemente fazer algo que seria visto como 'importante'', disse Soderbergh. "('Che') totalmente tirou isso do meu sistema. Eu não quero mais fazer nenhum filme importante."

Depois de "Magic Mike", Soderbergh vai terminar seus projetos existentes: o thriller "The Bitter Pill", com Tatum e Rooney Mara, e o filme da HBO "Behind the Candelabra", que começa a ser rodado no meio do ano com Michael Douglas e Matt Damon.

"Depois que eu tirar meu período sabático autoimposto, se eu for voltar e fazer alguma coisa, eu acho que é mais provável que seja na televisão do que um filme", disse ele.

Soderbergh, 49 anos, contou que gosta de todos os tipos de filmes, mas favorece produções com personagens ambíguos ou aquelas histórias que exploram temas mais obscuros. Como muitos adultos, ele disse que encontra mais esses temas sendo contadas na TV nos dias de hoje do que nas salas de cinema, onde filmes de quadrinhos como "Os Vingadores" ganham as bilheterias.

"Eu estou assistindo mais TV agora do que estou assistindo a filmes", admitiu. "Como espectador, eu sinto que estou sendo mais atendido na TV do que em filmes."

Soderbergh já teve uma série de vida curta na HBO intitulada "K Street", e a rede de TV a cabo entrou em cena para ajudar a financiar "Candelabra" depois que seus criadores não conseguiram encontrar um distribuidor nos EUA para pagar os US$ 5 milhões a US$ 6 milhões necessários para fazê-lo . A maior queixa do estúdio, segundo ele, era que o projeto era 'muito gay'.

"O que você diz sobre algo assim?", disse Soderbergh, ressaltando que nem mesmo o poder combinado das estrelas Michael Douglas e Matt Damon, do produtor Jerry Weintraub e do roteirista indicado ao Oscar Richard LaGravenese fez os estúdios de cinema se interessarem.

"(Isso) foi uma indicação para mim sobre para onde o ramo está indo agora", disse ele. "Se você está falando de um filme realista, que não é uma fantasia ou um filme de quadrinhos, os estúdios tornaram-se muito resistentes a qualquer coisa que não seja borbulhante e positiva o tempo todo", acrescentou.

Indo adiante, ele disse que já começou a trabalhar em um livro que vai fazer durante o seu período sabático. É uma ideia que surgiu a partir de palestras sobre filmes para aulas de cinema.

O palco pode ser uma outra avenida para a sua criatividade. Ele queria contar a história de Cleópatra como um filme em 3D, estrelado por Catherine Zeta-Jones, mas a dupla não conseguiu adaptar seus horários para fazê-lo. Agora, o cineasta está pensando que o projeto pode ser melhor no palco.

"Eu perguntei Catherine se eu fosse fazer isso no palco, se ela ainda queria se envolver", disse o diretor. "Ela disse: 'Totalmente'. Então é só uma questão agora do meu intervalo e de quando eu quero começar de novo."

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