Woody Allen: "Nunca fiquei satisfeito e nunca gostei de nenhum de meus filmes"

Diretor fala sobre a decepção com seu trabalho no cinema e comenta os problemas para batizar "Para Roma, Com Amor", título que considera "terrível"

iG São Paulo com AFP |

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Woody Allen durante sessão de 'Para Roma, Com Amor' em Nova York

O cineasta norte-americano Woody Allen, que está promovendo nos Estados Unidos seu trabalho mais recente, "Para Roma, Com Amor", confessou que "nunca ficou satisfeito" e nunca apreciou qualquer um de seus filmes, comparando-se a um chef de cozinha revoltado com a comida que prepara.

Em Los Angeles para divulgar o filme, uma viagem incomum para os nova-iorquinos que nunca esconderam seu desprezo pela Califórnia em geral e pela fauna de Hollywood em particular, o diretor, aos 76 anos, falou de sua filmografia com o humor e a auto-depreciação que o caracterizam.

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"Quando você faz um filme é como um chef que trabalha em um prato. Depois de passar o dia na cozinha cortando, picando e adicionando molhos, você não quer mais comê-lo. Isto é o que sinto em relação a um filme", disse ele aos repórteres.

"Trabalho em um filme por um ano. Escrevo, trabalho com os atores, monto, coloco a música e depois não tenho absolutamente desejo algum de vê-lo novamente", prosseguiu. "Nunca fiquei satisfeito e nunca gostei de nenhum dos meus filmes. Fiz o primeiro em 1968, 'Um Assaltante Bem Trapalhão', e eu nunca o assisti depois."

"Sou eternamente grato ao público por amar alguns (desses filmes), apesar do meu próprio desapontamento. Para mim, (o resultado) sempre está longe de ser a obra-prima que eu tinha certeza de realizar", declarou.

Apesar de não amar toda a sua enorme filmografia, o cineasta não nutre pelo menos um pouco de afeição por "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977) ou "Hannah e suas Irmãs" (1986)?

"Em 'Annie Hall', a relação entre eu e Diane Keaton não era tudo o que me interessava. Era uma pequena parte de um projeto maior. E no final, eu tive que reduzir o filme a esta relação", conta. Quanto a "Hannah e Suas Irmãs", "foi uma grande decepção porque tive que fazer concessões significativas em relação a minha intenção original para assegurar a sobrevivência do filme".

Woody também criticou "Para Roma, Com Amor", sobretudo por seu "terrível título". "Meu título original era 'Bop Decameron', mas ninguém sabia quem era o Decameron (coleção de contos de Giovanni Boccaccio), mesmo na Itália. Então mudei para 'Nero Fiddled' (primeiras palavras, em inglês, de uma expressão que descreve o imperador Nero tocando lira enquanto Roma ardia em chamas), mas metade do mundo dizia: 'não compreendemos o que isso quer dizer, nós não conhecemos esta expressão'. Então optei por um título genérico como 'Para Roma, Com Amor', para que todo mundo entendesse", admitiu, um pouco abatido.

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Woody Allen e Penélope Cruz em Nova York

O filme segue as histórias paralelas, e muitas vezes sentimentais, de vários casais, italianos e americanos, e conta com a presença de Penélope Cruz, Jesse Eisenberg, Ellen Page e Roberto Benigni. Allen, que não aparecia em um de seus filmes desde "Scoop" (2006), também retorna à tela no papel do pai de uma jovem (Alison Pill) a ponto de se casar com um italiano. Judy Davis, que trabalhou com o diretor em filmes como "Celebridades" e "Maridos e Esposas", interpreta sua mulher.

"Quando escrevo um roteiro, se há um papel para mim, aceito. Mas à medida que fico mais velho, os papéis estão se tornando mais raros", disse. "Quando era jovem, podia ter o papel principal e fazer cenas românticas com mulheres, era engraçado e eu gostava. Mas agora que estou mais velho, estou reduzido a papéis de porteiro ou de velho tio, o que não é realmente a minha praia".

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