Cine Ceará opta pela segurança e premia 'Violeta foi para o Céu'

Cinebiografia da cantora chilena Violeta Parra ganhou nas categorias filme, roteiro e montagem

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Cena do filme 'Violeta Foi para o Céu'

O filme "Violeta foi para o Céu" era a opção mais segura do júri e, por isso, a cinebiografia da autora de "Gracias a la Vida" e "Volver a los 17", dirigida por Andrés Wood, foi a vencedora do 22º Cine Ceará. É, de fato, um belo trabalho e sua escolha para melhor filme evita o risco e prefere o porto seguro da qualidade.

"Violeta" ganhou ainda os troféus Mucuripe de roteiro e montagem, mas, paradoxalmente, foi vítima da maior injustiça do festival - a não premiação da atriz Francisca Gavilán, que dá corpo, alma e voz à sua Violeta Parra e é, sem dúvida, o ponto mais forte do filme de Woods.

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Francisca foi preterida pela iniciante Graziela Felix, protagonista do longa cearense "Rânia". Um bom trabalho, sem dúvida, e a Graziela caberia um destaque como atriz revelação, mas é uma extravagância supor que seu desempenho seja superior ao de Francisca. Só se explica como um afago do júri ao público local.

"Febre do Rato" deu a Claudio Assis o Mucuripe de diretor e a Jorge Du Peixe o troféu de trilha sonora. O filme, centrado na figura do poeta Zizo (Irandhir Santos) e sua libertária comunidade, já se havia consagrado em Paulínia 2011. Desta vez, a repercussão foi menor.

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O diretor Andrés Wood

No entanto, reconheceu-se a excelência do trabalho de diretor de Assis e a trilha sonora ousada. A fotografia deslumbrante em preto e branco, de Walter Carvalho, foi ignorada. Assim como a performance de Irandhir, sem comparação.

O júri preferiu premiar a fotografia do documentário basco "Bertsolari"; já o troféu de melhor ator ficou com Luis Ziembrowski pelo filme argentino "Um Amor", de Paula Hernandez. Não são prêmios disparatados, mas expressam mais o caráter distributivista do júri que um critério de premiação rigoroso.

Para o ousado mexicano "Prazo de Validade" sobrou o troféu de melhor som, e o Mucuripe de melhor direção de arte coube ao equatoriano "Em Nome da Filha". Isso para que não saíssem sem nada, como aconteceu com o brasileiro "Tropicalismo Now" e com o guatemalteco "Distância".

Discordando do júri oficial, o prêmio dado pela crítica, representada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), elegeu como melhor longa "Prazo de Validade", de Kenya Márquez, e o curta de animação "Dia Estrelado", de Nara Normande.

Os prêmios para curtas, pelo júri oficial, foram para "Os Lados da Rua", de Diego Zon (melhor filme), "Santas" (direção, de Roberval Duarte) e "Realejo" (roteiro).

O resumo da ópera é que o Cine Ceará 2012 apresentou a melhor seleção de longas dos últimos anos. Nenhum grande filme, mas todos interessantes.

Já a seleção de curtas deixou a desejar. Apenas na última noite apareceram os melhores, como "Dizem que os Cães Veem Coisas", de Guto Parente, e "A Galinha que Burlou o Sistema", de Quico Meirelles, ambos ignorados pelo júri. Meirelles ainda ganhou o Prêmio Aquisição do Canal Brasil. Foi um bom festival.

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