Patriarca do cinema francês, Alain Resnais completa 90 anos

Ícone da Nouvelle Vague, diretor está em plena atividade e não dá sinais de se aposentar

EFE |

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O cineasta Alain Resnais no Festival de Cannes
O diretor francês Alain Resnais, autor de filmes que entraram para a história do cinema como "O Ano Passado em Marienbad", "Meu Tio da América" e "Hiroshima Mon Amour", completa neste domingo (03) 90 anos em plena atividade, tendo apresentado seu novo filme, "Vous n'avez encore rien vu" (vocês ainda não viram nada), na competição do Festival de Cannes 2012 .

Resnais tem uma carreira marcada por sucessos, polêmicas e surpresas, mas apesar de seus brilhantes trabalhos e cinco indicações à Palma de Ouro, nunca recebeu o prêmio que a cada ano transforma a riviera francesa no coração do cinema mundial.

Foi lá que, em 1956, seu documentário sobre os campos de concentração nazistas, "Noite e Neblina", teve que ser retirado da mostra oficial a pedido do governo alemão. Realizado poucos anos depois da Segunda Guerra Mundial, o curta-metragem revelou ao mundo a atroz máquina de extermínio do Terceiro Reich, capaz de levar à morte 3 mil espanhóis na escadaria da pedreira de Mauthausen, como lembra um trecho do filme.

Poucos anos depois, também em Cannes, Resnais voltou a ferir sensibilidades com sua mistura de audácia, honestidade e contundência. Corria o ano de 1959 quando ele estreou seu primeiro longa-metragem de ficção, "Hiroshima Mon Amour", poética história de amor e morte que se transformou em um novo trabalho sobre o dever da memória, inspirado em um texto de Marguerite Duras, que foi também sua roteirista.

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Apesar ser reconhecida como uma obra prima desde o primeiro momento, sua reflexão sobre a primeira bomba atômica lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima incomodou os Estados Unidos e provocou sua retirada da corrida pela Palma de Ouro.

Divulgação
Emmanuelle Riva e Eiji Okada em "Hiroshima Mon Amour" (1959)
A essência de seu cinema já estava nesse filme de ritmo narrativo diferente, com cronologia desconstruída e histórias dentro da história, inspirada frequentemente na obra de um grande autor – neste caso, Duras.

Em 1966, foram as autoridades franquistas que atacaram em Cannes a presença de "La guerre est finie", protagonizado por um comunista espanhol, cujo roteiro foi escrito pelo ex-comunista, antifranquista, figura da resistência à ocupação nazista e futuro ministro socialista de Cultura espanhol Jorge Semprún.

Cannes 2012: Alain Resnais discute a arte, o amor e a morte em trabalho intelectual

Dois anos depois, a projeção do filme "Eu te Amo, Eu te Amo", da mesma forma que a de muitos de seus companheiros de festival, foi simplesmente cancelada pelos efeitos, também em Cannes, das questões sociais de maio de 1968.

Nascido na cidade bretã de Vannes, no noroeste da França, Resnais é unanimemente considerado como um dos grandes líderes da Nouvelle Vague e celebrado pelo mundo do cinema como um de seus patriarcas, o que Cannes corroborou em 2009 outorgando-lhe o Prêmio Especial pelo conjunto de sua obra.

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