De animação doce a história sombria: conheça as várias versões da Branca de Neve

Personagem do conto de fadas está atualmente nos cinemas em dois filmes diferentes

iG São Paulo |

As duas versões de Branca de Neve atualmente nos cinemas – "Espelho, Espelho Meu" e "Branca de Neve e o Caçador" – mostram não só o quanto Hollywood pode ser pouco original , mas também como a fábula ainda fascina. Publicada originalmente na Alemanha no início do século 19, a história escrita pelos irmãos Grimm passa de geração em geração, resistindo ilesa ao tempo. O que não quer dizer que a personagem não tenha ganhado diferentes interpretações ao longo dos séculos.

A mais famosa delas, e que se mantém como a "oficial" para boa parte do público, é a doce animação "Branca de Neve e os Sete Anões", primeiro longa-metragem de Walt Disney, de 1937. É do filme que vem a ideia de que a garota, uma princesa, virava criada nas mãos da madrasta e tinha uma relação sobrenatural com animais. Foi ali que os sete anões ganharam nomes próprios: atualmente, Dunga, Atchim, Dengoso e Zangado, por exemplo, são tão famosos quanto a personagem principal.

No conto dos irmãos Grimm, muito mais sombrio, não era bem assim – os pequeninos eram apenas "anões" e pronto. Mas uma das diferenças mais chocantes reside no momento em que a madrasta pede ao caçador para matar Branca de Neve. Em vez do coração da princesa como prova de sua morte, a rainha má na verdade quer seus pulmões e fígado. Não só isso: quando o caçador a engana com os órgãos de um veado, a madastra os prepara com sal e come. Macabro demais para uma história infantil.

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Idade, aliás, é outra questão deixada de lado. Segundo os Grimm, Branca de Neve tinha apenas sete anos, enquanto na maioria das outras versões ela é ao menos uma adolescente. Não é fácil aceitar, por exemplo, que um príncipe se apaixone por uma criança e se case com ela. E não há nada de beijo para tirá-la do feitiço da maçã: quando o caixão de vidro em que está a menina é movido, o pedaço envenenado da fruta sai de sua garganta e ela desperta milagrosamente.

Reprodução
Ilustração de Branca de Neve do britânico George Soper, feita em 1915
A rainha também tem um final diverso. Na animação da Disney, ela cai de um despenhadeiro, enquanto na história original ela atende ao convite de casamento do princípe, sem saber que a noiva é Branca de Neve. Ao chegar na festa, a madrasta é presa, soldados colocam em seus pés sapatos de ferro em brasa e a forçam a dançar até que ela cai morta. Pura tortura.

Com o tempo, o conto foi sofrendo alterações através da tradição oral e da região, às vezes drásticas. Na Suíça, por exemplo, a rainha vira uma camponesa que pede abrigo na casa dos anões, já cheia por causa da presença de Branca de Neve, e é mandada embora. Irritada, a mulher chama a menina de prostituta, volta no dia seguinte com capangas, mata os anões e queima a casa. Nessa versão trágica, o destino de Branca de Neve é incerto.

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No cinema, as adaptações são várias, e não necessariamente pessimistas. O interesse por Branca de Neve começou pouco depois da invenção da sétima arte, em 1902, num curta considerado hoje perdido. Dos filmes mudos, o mais conhecido é o estrelado por Marguerite Clark em 1916, quando a atriz tinha 33 anos.

Depois veio a animação de Walt Disney, mas o primeiro filme a cores com a personagem data de 1955, famoso por seus defeitos, com a alemã Elke Arendet no papel principal. Também são bastante conhecidas as versões com Betty Pop no papel da princesa, e um longa-metragem de 1960 em que os Três Patetas tomam conta da casa dos anões.

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No Brasil, a curiosidade fica por conta da pornochanchada "Histórias que as Nossas Babás Não Contavam", em que Branca de Neve se transforma em Clara da Neves e é interpretada pela mulata Adele Fátima. Bem no espírito do gênero, todos os homens querem ir para a cama com a garota, inclusive os anões e o caçador, vivido por Costinha.

O conto de fadas andou meio de lado nas últimas décadas antes dos dois filmes em cartaz atualmente, mas não esquecido. Além de produções europeias medianas, a que mais chamou a atenção foi um telefilme de 1997 chamado "Floresta Negra". Nele, Sigourney Weaver dá vida à rainha má e Monica Keena, à Branca de Neve, numa história muito mais sombria do que de costume.

A televisão também vem mostrando interesse recentemente pelo tema. A série "Grimm" adota um tom mais sobrenatural, enquanto "Once Upon a Time" mistura vários contos de fadas, transpostos para o mundo real. Nesse universo, Jennifer Morrison interpreta Emma, filha da Branca de Neve, vivida por Ginnifer Goodwin.

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