Top 10: quando Hollywood se repete

Na esteira dos filmes diferentes sobre Branca de Neve, conheça outras produções parecidas que chegaram quase ao mesmo tempo aos cinemas

iG São Paulo |

Não é déjá vu. "Espelho, Espelho Meu" ainda está em cartaz em algumas salas, mas nesta semana chega aos cinemas "Branca de Neve e o Caçador" . Se os filmes guardam várias diferenças entre si, compartilham a inspiração na fábula dos irmãos Grimm e seu personagem principal, Branca de Neve.

Pode parecer estranho, só que em Hollywood é bastante comum dois projetos idênticos serem produzidos ao mesmo tempo por estúdios diferentes. Seja para aproveitar uma moda passageira, uma ideia solta no ar ou simplesmente tentar passar a concorrência para trás, pouca importa: a "coincidência" é encarada com naturalidade (pelo menos oficialmente) no mercado e o público fica com a tarefa de decidir qual filme assistir.

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Mesmo assim, é muito estranho ver separados por poucos meses produções quase iguais sobre vulcões, cometas, Truman Capote, Robin Hood e até mesmo da filha do presidente dos Estados Unidos. Inspirado pelas duas versões da Branca de Neve, o iG compilou 10 filmes contemporâneos e incomodamente parecidos.

"Formiguinhaz" e "Vida de Inseto"
As animações "Formiguinhaz", da Dreamworks, e "Vida de Inseto", da Pixar, protagonizaram uma briga feia em 1998, quando executivos das duas empresas trocaram acusações de que o primeiro adiantou seu lançamento para quebrar as pernas do segundo. No fim das contas, quem se deu melhor foi a Pixar, faturando mais do que o dobro em relação ao concorrente. Como ambos são ótimos, o sucesso ficou por conta da faixa etária: em seu segundo longa-metragem, a Pixar começou a se estabelecer como produtora de filmes para toda a família, enquanto "Formiguinhaz" tinha seu personagem principal dublado por Woody Allen, favorito do público adulto.

"Impacto Profundo" e "Armageddon"
Lançada nos Estados Unidos com um intervalo de menos de dois meses, a dupla tem exatamente a mesma premissa: um cometa ou asteroide está em rota de colisão com a Terra e os Estados Unidos enviam uma equipe para destruí-lo com bombas atômicas antes que o desastre aconteça. Mesmo sem astros (Morgan Freeman interpretava o presidente norte-americano), "Impacto Profundo" tinha Steven Spielberg como um dos produtores e faturou US$ 349 milhões mundialmente. "Armageddon", por sua vez, contava com Bruce Willis como chefe da equipe de detonadores, o piromaníaco Michael Bay na direção e Liv Tyler como mocinha. Para completar, uma música chorosa do Aerosmith na trilha sonora. Quem se deu melhor? "Armageddon", com US$ 553 milhões.

"Capote" e "Confidencial"
Está aí um belo exemplo de como um filme pode eclipsar completamente outro. "Capote" estreou em setembro de 2005 para jogar Philip Seymour Hoffman nas graças de público e crítica, pavimentando o caminho do ator rumo ao Oscar. Pouco mais de um ano depois, foi a vez de "Confidencial" entrar em cartaz, mas ninguém queria saber de ver de novo a história de Truman Capote e a gênese do livro-reportagem "A Sangue Frio". O Capote de "Confidencial" era interpretado pelo excelente (e pouco conhecido) Toby Jones, embora o elenco fosse cheio de nomes de primeiro time: Sandra Bullock, Gwyneth Paltrow, Daniel Craig e Sigourney Weaver, só para citar alguns. Não adiantou: nas bilheterias, o filme não faturou nem 10% de seu orçamento, enquanto "Capote" arrecadou US$ 50 milhões.

"Inferno de Dante" e "Volcano - A Fúria"
O cinema catástrofe que foi moda na década de 1990 produziu, separados por um par de meses, dois filmes sobre vulcões de volta à ativa. "Inferno de Dante" traz Pierce Brosnan e Linda Hamilton numa cidadezinha no estado de Washington fugindo de uma montanha adormecida que entra em erupção. Já "Volcano" coloca Tommy Lee Jones como chefe do departamento de emergências de Los Angeles, que precisa lidar, ao lado de Anne Heche, com terremotos e os vulcões criados por eles no meio da cidade. Nenhum dos dois foi um fenômeno de público, mas também não deixaram nada devendo.

"O Show de Truman" e "EDtv"
Não é exatamente a mesma história, mas ambos refletem sobre reality shows (quando a febre do formato ainda nem havia atingido seu auge) e a intrusão da mídia na vida alheia. Há, no entanto, uma diferença fundamental: em "O Show de Truman", Jim Carrey não sabe que está sendo filmado, enquanto em "EDtv" Matthew McConaughey tem total consciência de que é perseguido 24 horas por uma equipe de televisão. Só isso já deixa "O Show de Truman" muito mais interessante – na trama, Truman é filmado numa cidade cenográfica desde o nascimento –, sem contar o carisma de Carrey. O filme foi um sucesso de bilheteria (faturou US$ 264 milhões) e conseguiu três indicações ao Oscar (inclusive melhor diretor para Peter Weir), enquanto "EDtv", de Ron Howard, não arrecadou nem metade de seu orçamento.

"O Ilusionista" e "O Grande Truque"
Dois meses separam "O Ilusionista" e "O Grande Truque", histórias de época sobre mágicos com uma abordagem bastante diferente. O primeiro tem Edward Norton lutando pelo amor de Jessica Biel, prometida a um príncipe do império austro-húngaro. Já "O Grande Truque" mostra a disputa entre os mágicos interpretados por Hugh Jackman e Christian Bale, num cabo de guerra com consequências nefastas. A concorrência é até desleal, já que "O Grande Truque" foi filmado por Christopher Nolan entre "Batman Begins" e "O Cavaleiro das Trevas", com Scarlett Johansson no elenco e uma ponta do sumido David Bowie. Além do mais, o desfecho puxa o tapete de qualquer espectador.

"Robin Hood, o Herói dos Ladrões" e "Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões"
Um grande orçamento separa as duas produções, de títulos praticamente idênticos e do mesmo ano (1991). Com Patrick Bergin e Uma Thurman na linha de frente, "Herói dos Ladrões" foi exibido direto na TV norte-americana (a Fox ficou com medo da concorrência), embora tenha sido exibido nos cinemas no mercado internacional. Uma ambição bem menor, portanto, do que a Warner Bros e seu "Príncipe dos Ladrões", com Kevin Costner no auge da fama, amparado por uma campanha de marketing maciça, incluindo brinquedos e videogame. Mesmo com críticas pouco positivas, o filme foi um sucesso e embolsou cerca de US$ 400 milhões.

"Missão: Marte" e "Planeta Vermelho"
Dois fracassos de bilheteria de 2000 um bocado parecidos. "Planeta Vermelho" colocava Val Kilmer (rumo ao ocaso) e Carrie-Anne Moss (saindo do hit "Matrix") numa equipe que vai a Marte analisar a possibilidade de torná-lo habitável para humanos. Ao longo da trama, o grupo entra em conflito, o robô da nave se volta contra eles e aparecem insetos alienígenas. Comparado com esse, "Missão: Marte", de Brian de Palma, melhora consideravalmente. O time comandado por Gary Sinise e Tim Robbins vai a Marte resgatar o astronauta de uma missão anterior (Don Cheadle). A nave é atingida no meio do caminho e, lá pelas tantas, até marcianos aparecem na história. O filme conseguiu se pagar, mas foi por pouco.

"Tombstone - A Justiça Está Chegando" e "Wyatt Earp"
Versões ficcionalizadas do lendário xerife norte-americano entraram em cartaz nos EUA entre final de 1993 e metade de 1994. Cheio de ação, "Tombstone - A Justiça Está Chegando" tinha Kurt Russell no papel principal e colocava o policial numa corrida por vingança. O filme faturou do dobro de seu orçamento e hoje tem um base fiel de fãs. Bem diferente de "Wyatt Earp", uma lenga-lenga com três horas de duração com Kevin Costner, focada no início da vida do xerife. O fracasso de bilheteria seria um prenúncio de "Waterworld" e "O Mensageiro", outras chatices de Costner de longa duração.

"Curtindo a Liberdade" e "A Filha do Presidente"
Par de filmes com exatamente a mesma premissa: chateada pelo cuidado excessivo do pai, filha do presidente dos Estados Unidos tenta dar uma escapada e se apaixona por um rapaz bonitão, na verdade um agente secreto disfarçado. Em "Curtindo a Liberdade", Mandy Moore interpreta a garota, enquanto Katie Holmes estrela "A Filha do Presidente". Massacradas pela crítica, as duas produções naufragaram nas bilheterias, mas no caso de "A Filha do Presidente", foi ainda mais complicado: dirigido pelo ator Forest Whitaker, o filme deu um grande prejuízo, mesmo com Holmes, na época em alta com a série "Dawson's Creek".

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