'À Espera de Turistas' mostra novo olhar sobre herança nazista na Alemanha

Ator Alexander Fehling é um dos destaques do filme dirigido por Robert Thalheim

Reuters |

Numa época em que um ângulo novo para a abordagem do peso da herança nazista parecia fora de cogitação, dada a infinidade de filmes sobre essa temática, o drama "À Espera de Turistas", segundo longa do diretor alemão Robert Thalheim, realizado em 2007 e só agora chegando ao Brasil, oferece justamente essa possibilidade.

No elenco, o destaque é o jovem Alexander Fehling, que atuou em "Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino, e "Se Não Nós, Quem?", de Andrés Veiel.

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Alexander Fehling e Barbara Wysocka em 'À Espera de Turistas'

Na história, roteirizada pelo próprio diretor, com a colaboração de Bernd Lange e Hans-Christian Schmid, Fehling interpreta o protagonista, Sven, que troca o serviço militar por serviço comunitário.

Por conta disso, vai parar na Polônia, na cidade de Oswiecim, onde funcionava o antigo campo de concentração de Auschwitz, hoje um museu em que os alemães participam da manutenção e administração.

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Cena de 'À Espera de Turistas'
Lá, Sven terá como principal missão cuidar de um velho sobrevivente do campo, Krzeminski (Ryszard Ronczewski). Bastante idoso, ele dá palestras aos visitantes. Também vive obcecado pela tarefa de reparar as malas dos prisioneiros mortos em Auschwitz, que fazem parte do impressionante acervo do museu.

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Essa tarefa, que parece secundária, é mal compreendida por Sven, que a princípio vê rejeitados seus esforços de ajudar o velho Krzeminski. Há todo um abismo cultural e de geração separando os dois, mais do que a herança de um passado que opôs alemães e poloneses. A dificuldade do jovem alemão em aprender polonês apenas aumenta essa distância.

Uma das poucas aliadas de Sven nesse ambiente hostil é a tradutora Ana (Barbara Wysocka) que, por falar alemão, torna-se sua amiga.

A habilidade da história está em desenvolver com segurança estas relações de estranhamento entre o jovem alemão e a comunidade polonesa da cidade - que vive a contradição de querer esquecer o passado nazista mas depender da receita dos milhares de turistas que visitam anualmente o campo.

À medida que o enredo evolui, percebe-se novas nuances que este drama inteligente está procurando revelar. Como as verdadeiras razões do mau humor do velho ex-prisioneiro polonês, que têm mais a ver com seu esforço desesperado para que não se perca qualquer sinal do passado do massacre, uma missão de memória à qual, finalmente, ele sacrificou toda a sua vida.

Para o jovem alemão, a convivência com Krzeminski se transforma, pouco a pouco, num lento e gradual exercício de amadurecimento, que lhe permite encarar sua própria identidade alemã com outros olhos.

Uma coisa que o sólido filme de Thalheim nunca faz é olhar para trás. Acertadamente, o diretor situa sua história no presente, em que grandes corporações alemãs, ao instalar-se na cidade polonesa, também fazem tudo para atenuar menções ao seu passado - como o que o velho Krzeminski tem a dizer. A dificuldade de que fala sua história é certamente um impasse bem contemporâneo.

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