Filme sobre Lira Paulistana abre In-Edit Brasil

Festival de documentários musicais exibe longa sobre a cena da cultura nacional nos anos 1980

Agência Estado |

Reprodução
O guitarrista Lanny Gordin, um dos entrevistados do documentário "Lira Paulistana"
De 1979 a 1986, um teatro de arena num porão no bairro de Pinheiros virou o ponto de encontro mais significativo da música e da cultura moderna feita em São Paulo. Alternativos, independentes, vanguardistas, outsiders – qualquer que fosse a expressão que os identificasse, era no Lira Paulistana que se juntavam os artistas mais interessantes. Sua história finalmente chega ao cinema, contada por um de seus mentores, Riba de Castro.

"Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista" abre a 4ª edição do In-Edit Brasil - Festival Internacional do Documentário Musical, nesta quinta-feira (31), no Museu da Imagem e Som (MIS). A sessão de abertura é só para convidados e terá show da Banda Isca de Polícia, um dos ícones daquela geração que fizeram a história do teatro. O filme terá mais duas sessões abertas ao público: sexta (1º), às 17h, no Cine Olido, e no dia 6 de junho, às 19h, no Cinesesc.

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Até pouco tempo atrás considerada referência da cultura de caráter underground e restrita a São Paulo, o Lira também escreveu parte da história do rock paulistano dos anos 1980 – o que poucos lembram e o filme ressalta agora. Bandas como Titãs (que começaram como Titãs do Iê Iê), Ultraje a Rigor, Cólera e Inocentes deram seus primeiros passos naquele porão e depois viraram sucesso nacional.

Riba de Castro, um dos sócios fundadores do Lira, conta que fez o filme nas mesmas condições precárias com que mantinha a casa, ou seja, com verba do próprio bolso, sem patrocínio nem distribuidora. Sem previsão para entrar em circuito comercial, o documentário deve ser exibido apenas em festivais.



A história é contada por seus mais importantes protagonistas e agregados frequentadores: os quatro sócios do teatro, que se desmembrou em gravadora e editora; Fernando Meirelles e Marcelo Tas, produtores independentes de vídeo que se tornaram nomes fortes do cinema e da televisão; o jornalista Mauricio Kubrusly, o cartunista Paulo Caruso e, principalmente, gente de música, como Arrigo Barnabé, Lanny Gordin, Cida Moreira, Mario Manga e Wandi Doratiotto (ambos do Premê), Suzana Salles, Roger (Ultraje), Luiz Tatit e Ná Ozzetti (Grupo Rumo) – que se reencontram esta semana em shows em São Paulo –, Nelson Ayres, Skowa, Laert Sarrumor (Língua de Trapo), entre outros.

AE
Itamar Assumpção em foto de 1986
Só faltou Itamar, que aparece em shows gravados em vídeo. "Tinha pressa em entrevistá-lo porque ele estava doente, mas infelizmente não deu tempo", lamenta Castro. "Mas consegui juntar muita gente. Ficou meio que uma conversa de bar, porque um começa e o outro continua."

O Lira ganhou tanta credibilidade que, como lembram os artistas, muita gente ia lá até sem saber o que havia na programação: porque era um público aberto a novidades e sabia que se o cantor, músico ou banda estavam ali era porque deviam ser bons.

Os shows passaram a ficar tão concorridos que artistas como Itamar às vezes faziam duas ou três sessões na mesma noite. Com o crescimento, o Lira passou a promover grandes encontros, ocupando outros espaços, como a Praça Benedito Calixto, o Teatro Bandeirantes e até a Avenida Paulista, num aniversário da cidade. O que hoje é trivial, como a produção de discos independentes e os grafites, que se tornaram famosos no muro ao lado do teatro, foram marcas do pioneirismo do Lira Paulistana.

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