"Homens de Preto 3" mostra que franquia resistiu bem ao tempo

Diretor Barry Sonnenfeld, Will Smith e Josh Brolin (imitando Tommy Lee Jones) ressuscitam personagens voltando à década de 1960

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Passaram-se dez anos desde a malfadada segunda parte de "Homens de Preto" (ou "MIB", a sigla do nome em inglês). Na época, a franquia estava a todo vapor e nem as críticas negativas impediram que, juntos, os dois filmes arrecadassem mais de US$ 1 bilhão (R$ 2 bilhões) nas bilheterias mundiais. Foi por essa expectativa comercial gigantesca que, mesmo tanto tempo depois, a Sony deu carta-branca para "Homens de Preto 3", que ganha estreia mundial nesta sexta-feira (25).

O desafio de reunir a trupe – a saber, Will Smith, Tommy Lee Jones e o diretor Barry Sonnenfeld – mais uma vez, além dos custos estratosféricos (o jornal Los Angeles Times afirma que o orçamento total, incluindo gastos com marketing, tenha sido de US$ 375 milhões), seria reapresentar os personagens para toda uma nova geração. Afinal de contas, por maior que seja seu sucesso, os Homens de Preto não são Indiana Jones, que esperou duas décadas para suceder "A Última Cruzada" (1989) com "O Reino da Caveira de Cristal" (2008).

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O diretor Barry Sonnenfeld no set do filme
Felizmente o novo filme dos agentes da polícia secreta alienígena não segue o mesmo destino da aventura mais recente de Harrison Ford (que tem nos ETs justamente seu principal problema). K (Lee Jones) e J (Smith) voltam a vestir seus ternos, óculos escuros e neuralizadores como se o tempo não tivesse passado. Na verdade, é modo de dizer: se Smith não aparenta nem um pouco seus 43 anos, Lee Jones, aos 65, com cabelos e sobrancelhas pintados, facilmente passaria por 70 e tantos.

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Mas ele aparece pouco porque, já é notório, "Homens de Preto 3" brinca com viagem no tempo. Tudo começa com Nicole Scherzinger (ex-Pussycat Dolls) ajudando o vilão Boris, o Animal (Jemaine Clement, de "Flight of the Conchords"), a escapar de uma prisão de segurança máxima na lua. Encarcerado por K, que também tirou um de seus braços, Boris volta para 1969 e mata o agente na juventude.

Mesmo com a mudança histórica, J estranhamente lembra do parceiro, morto 40 anos antes, ao contrário de todas as outras pessoas, inclusive da nova chefe dos Homens de Preto, O (numa ponta de luxo da excelente Emma Thompson). Smith, então, dá um salto no tempo – literalmente, ao pular do topo do famoso Chrysler Building, em Nova York – e viaja para julho de 1969, na véspera do lançamento da espaçonave Apollo 11 para a lua no Cabo Canaveral.

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A ideia é justamente o que areja o filme. "Homens de Preto" sempre fez graça ao revelar a verdade alienígena por trás das estranhezas e trivialidades do cotidiano (sim, há mais "identidades secretas" de celebridades reveladas). O truque pode ser velho, mas funciona. Agora, faz o mesmo ao contrapor passado e futuro, sem contar as piadas óbvias de levar um negro aos Estados Unidos da década de 1960, que, embora começasse a expandir sua consciência, ainda guardava no dia-a-dia as raízes de uma América sectária.

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O comediante Bill Hader como o artista Andy Warhol
Entram na fórmula Andy Warhol (interpretado por Bill Hader), Boris disfarçado como um Hell's Angel e uma deliciosa estética retrô, que resvala até para os aliens: no lugar de criaturas bizarras e gelatinosas, o especialista em maquiagem e efeitos especiais Rick Baker pôde brincar com astronautas de capacete transparente e seres cabeçudos. Essa aura ingênua, meio de conto de fadas, já tinha sido bem explorada por Sonnenfeld, há anos sem um sucesso no cinema, na série "Pushing Daisies".

10 motivos que ajudam um filme a fazer sucesso; Will Smith é um deles

Mas o grande destaque fica por conta do jovem K, vivido por Josh Brolin. O protagonista de "W" conseguiu mimetizar perfeitamente o mau humor, o sotaque, os trejeitos e até o ar envelhecido de Tommy Lee Jones (com 44 anos, Brolin interpreta o personagem aos 29). A escalação deu tão certo que não se descarta a possibilidade dele voltar para outros filmes.

E a chance de um quarto "Homens de Preto" realmente existe, até porque o terceiro funciona – com solavancos, mas funciona. Se levarmos em conta que o filme começou a ser rodado sem ter um roteiro completo, é um verdadeiro milagre. Mesmo assim, "MIB 3" está longe de ser perfeito e bem abaixo do primeiro filme, o melhor da série.

Leia também: Em entrevista, diretor Barry Sonnenfeld comenta problemas de "MIB 3"

Sonnenfeld falou mais de uma vez da dificuldade que foi escrever uma história sobre viagem no tempo. O roteirista Etan Cohen (o mesmo de "Trovão Tropical", e não a metade da dupla de "Onde os Fracos Não Têm Vez") consegue levar a coisa bem a maior parte da trama, mas não escapa de uma certa confusão, em especial no chororô do desfecho. O final melodramático (e previsível) amarra as pontas soltas num nó malfeito e apressado, que não corresponde à expectativa construída ao longo do filme, nem mesmo para o vilão.

Apesar disso, os fãs não devem sair desapontados: mesmo 15 anos depois do primeiro "Homens de Preto", aquele ar familiar foi incrivelmente reproduzido. Só não se deixe seduzir pelas cópias em 3D – a conversão para o formato não acrescenta em nada à história.

Assista ao trailer de "Homens de Preto 3":

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