10 motivos que ajudam um filme a fazer sucesso

Marcas famosas, países emergentes, turnês, 3D, comédias: saiba o que cria um sucesso de bilheteria

iG São Paulo |

Não se trata de matemática – nunca se sabe com 100% de certeza como o público vai reagir –, mas é possível descobrir a fórmula para um sucesso de bilheteria. Encarando friamente, certos padrões nos filmes que deram certo nos cinemas do Brasil e do mundo são claros, até porque quando Hollywood ou um empresário do ramo dá de cara com um produto de potencial comercial, não é por medo de soar repetitivo que ele deixará de fazê-lo de novo e de novo.

Tendo isso em mente, o iG elegeu 10 itens que podem transformar um projeto qualquer num blockbuster potencial. Will Smith? 3D? Wagner Moura? Comédia? Descubra todos eles logo abaixo.

Países emergentes e fantasia
País da moda e com economia em expansão, o Brasil não foi cenário de "Velozes e Furiosos 5" e da animação "Rio" só por simpatia. Apostar em filmes situados em nações emergentes tem sido uma das estratégias de empresários norte-americanos em busca de maior bilheteria local e para atrair o interesse de espectadores curiosos por conhecer melhor esses lugares. No caso brasileiro, deu muito certo – "Velozes e Furiosos" rendeu mundialmente US$ 626 milhões e "Rio", US$ 484 milhões. Rússia e Índia também passaram por isso. Outra opção ainda mais frequente em Hollywood é migrar para a fantasia, ou seja, filmar lugares que não existem. As franquias "Harry Potter" , "O Senhor dos Anéis" , "Avatar" (que logo ganhará duas sequências) e "Jogos Vorazes" estão aí para provar.

3D e Imax
Por um tempo, há poucos meses, se achou que a moda 3D tinha passado, mas no fim foi essa ideia que se revelou passageira. Com o apoio de cineastas consagrados – Martin Scorsese , Werner Herzog , Wim Wenders , James Cameron –, o 3D veio para ficar e, com ele, os dólares a mais cobrados para assistir aos filmes em salas dotadas da tecnologia. Mesmo filmes convertidos – o que na maioria das vezes significa imagens escuras e borradas – têm atraído a atenção do público. É o caso, por exemplo, de "Os Vingadores" : 52% da bilheteria recorde do longa da Marvel nos EUA (US$ 200 milhões, a melhor estreia da história ) foi proveniente das cópias 3D. O raciocínio para o Imax e suas telas gigantescas é o mesmo: quanto maior o valor cobrado para o ingresso, maior o lucro.

Will Smith
Foi-se a era dos salários milionários em Hollywood. Não era raro ficar sabendo que aquele ator ou atriz embolsou US$ 40 milhões para estrelar uma comédia romântica ou uma aventura de qualidade duvidosa. Isso não existe mais, com uma exceção: Will Smith. O ator é considerado o único remanescente dessa época de cachês milionários porque todos os seus filmes (isso mesmo, todos) desde 2002 foram um estouro comercial. "Eu Sou a Lenda" , "Hancock" , "Sete Vidas" , "À Procura da Felicidade" , nenhum fez menos do que US$ 160 milhões, e esse é seu desempenho mais modesto – o habitual é ultrapassar a barreira dos US$ 400 milhões. Verdade que Smith não lança um filme há quatro anos, mas "Homens de Preto 3" vem aí, amparado por uma campanha de marketing de US$ 175 milhões, para mostrar que com ele não se brinca.

Aposta na marca
Quando alguma coisa dá certo, algum executivo em Hollywood já se mexe para comprar os direitos de uma futura adaptação. "Harry Potter" , "A Saga Crepúsculo" , "Jogos Vorazes" e os livros de Nicholas Sparks são bons exemplos de que filmar um best-seller já é meio caminho andado para uma bilheteria polpuda. Até mesmo um best-seller sobre gravidez virou filme, "O Que Esperar Quando Você Está Esperando" , com Rodrigo Santoro no elenco. Na cabeça dos produtores, não há porque perder tempo investindo num roteiro inédito se há uma multidão querendo ver seu livro favorito no cinema. A ideia também vale para filmes derivados, os chamados "spin-offs" ( "Gato de Botas" é filho de "Shrek" , "Wolverine" veio de "X-Men" ), ou para marcas consagradas. A Hasbro é quem tem levado o assunto mais a sério: a companhia de brinquedos abriu sua própria produtora para bancar filmes baseados nos produtos de seu portfólio. Mesmo não sendo um sucesso de crítica, as séries "Transformers" e "G.I. Joe" são um fenômeno de público. Baseado no jogo Batalha Naval, "Battleship" ainda não estreou nos EUA, mas já faturou mais de US$ 215 milhões no mercado internacional. Em breve, espere um filme inspirado no jogo Banco Imobiliário, ou Monopoly.

Heróis desconhecidos
Lembram do "Batman" na década de 1990? Só astros interpretaram o herói: Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney... Se a franquia começou bem com Tim Burton, fracassou miseravelmente depois e só se reergueu quando Christopher Nolan (com seus méritos na direção, é bom dizer) escalou Christian Bale , um ator pouco conhecido do público, para o papel. Robert Downey Jr. como o Homem de Ferro é uma exceção, mas os estúdios parecem ter percebido que rostos novos dão mais certo quando o assunto é personagens dos quadrinhos. Ryan Reynolds (Lanterna Verde), Edward Norton (Hulk) e Halle Berry (Mulher-Gato) são outros exemplos de atores consagrados que não conseguiram dar certo como personagens pop. Chris Hemsworth, o Thor , e Michael Fassbender, o Magneto de "X-Men: Primeira Classe" puxaram a fila para a chegada de Andrew Garfield e Henry Cavill , os novos Homem-Aranha e Super-Homem, respectivamente.

Adam Sandler e Nicolas Cage
O primeiro é um humorista consagrado, oriundo do programa "Saturday Night Live" . O segundo, um galã ganhador do Oscar. Se ambos antes eram sinônimo de sucesso de bilheteria nos EUA, a coisa mudou de uns anos para cá. Apesar de massacrado cada vez mais pela crítica, Adam Sandler não fez feio, por exemplo, com "Esposa de Mentirinha" e "Cada Um Tem a Gêmea que Merece" , mas seus filmes fazem carreira mesmo é no mercado internacional. No caso de Nicolas Cage, então, seu nome não é mais garantia nem de um lançamento em larga escala ("Reféns" e "O Pacto", do ano passado, só estrearam em circuito limitado na América do Norte). No Brasil, porém, os dois são reis: seus filmes mais recentes estão entre as dez maiores bilheterias do ano no país. "Motoqueiro Fantasma 2" , estrelado por Cage, faturou até agora R$ 27,8 milhões, enquando "Cada Um Tem a Gêmea que Merece", com Sandler em dose dupla, fez R$ 20,5 milhões, o maior sucesso do comediante no país. Esgotado lá fora, o carisma da dupla permanece em alta entre os brasileiros.

Turnê de divulgação
Não é uma modalidade nova, mas os estúdios cada vez mais apostam no corpo-a-corpo dos astros em seus mercados-alvo para garantir bilheteria. Por cerca de duas semanas, o "talent" (como os atores são chamados em Hollywood) encara uma rotina nômade, ficando poucos dias em um país, para em seguida entrar no avião e pular para o próximo. Estados Unidos, Inglaterra e Japão eram os locais consagrados para sediar premières mundo afora, mas agora Brasil , México e Rússia entraram nessa lista, ao lado de algumas nações europeias (Espanha e Alemanha, por exemplo). O Rio de Janeiro é o mais novo xodó das distribuidoras – Tom Cruise , Will Smith , Reese Witherspoon , Anne Hathaway , Antonio Banderas , Chris Evans e Emma Stone foram alguns dos nomes que foram divulgar seus filmes no Rio nos últimos tempos. A julgar pelo crescimento do mercado, a China é o próximo passo.

Wagner Moura e Selton Mello
Os dois atores são os campeões de público do cinema nacional – não por acaso, dividiram recentemente uma campanha publicitária para aproveitar essa popularidade em dose dupla. Wagner bateu todos os recordes de bilheteria no país com os dois "Tropa de Elite"só o segundo foi visto por 11 milhões de pessoas –, além de ter feito recentemente dois filmes de sucesso moderado ( "Vips" e "O Homem do Futuro" ). Selton não tem nenhum arrasa-quarteirão no currículo, embora sua filmografia esteja recheada de bilheterias invejáveis: "Lisbela e o Prisioneiro" , "Meu Nome Não É Johnny" , "A Mulher Invisível " e "O Palhaço" , só para citar alguns. Ter esses nomes no cartaz não é garantia de sucesso (Selton que o diga, com "Billi Pig" e "Reis e Ratos" ), mas é um belíssimo primeiro passo.

Comédia brasileira
Não é nenhum mistério que o Brasil tem uma queda especial pelas comédias produzidas no país após a retomadam, nos anos 1990. A série "Se Eu Fosse Você" , "Os Normais" , "A Mulher Invisível" , "Cilada.Com" , "De Pernas pro Ar" ... A lista é grande e o faturamento, alto. Os produtores do país seguem investindo forte em filmes do gênero: só em 2012, seis comédias de grande porte, digamos, estão agendadas para entrar em cartaz, praticamente uma por mês: "E aí... Comeu?", "Totalmente Inocentes", "Até que a Sorte nos Separe", "Os Penetras", "Vai que Dá Certo" e "De Pernas pro Ar 2". Opção não vai faltar.

Daniel Filho
Pioneiro da televisão brasileira, primeiro como ator, depois como produtor e diretor, Daniel Filho ainda mantém presença forte na Rede Globo – são dele as minisséries "As Cariocas" e "As Brasileiras" –, mas ele transferiu todo esse sucesso para o cinema. "Se Eu Fosse Você" (2006) inaugurou a febre das comédias e "Chico Xavier", dos filmes espíritas. Ambos estão entre os 10 filmes mais vistos da década passada, intensa, aliás, para o diretor: "A Partilha", "A Dona da História" e "Tempos de Paz" são alguns dos oito filmes que Daniel Filho dirigiu entre 2001 e 2010. No futuro, ao menos um projeto é certo: "Se Eu Fosse Você 3 e 4" , que devem ser filmados ao mesmo tempo, mais uma vez com Tony Ramos e Glória Pires.

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