Mostra em São Paulo reúne 29 filmes do diretor Douglas Sirk

Cineasta alemão, considerado o mestre do melodrama, tem obra exibida no Centro Cultural Banco do Brasil

AE |

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Cena do filme "Imitação da Vida" (1959)
Quando alguém quer criticar um filme (ou alguma outra obra artística) que mexe com os sentimentos do público, logo aplica nele o rótulo de dramalhão ou de meloso. Esse gênero que leva plateias às lágrimas tem o seu valor resgatado pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no centro, que abriga a retrospectiva "Douglas Sirk: O Príncipe do Melodrama".

Desta quarta a 10 de junho, serão apresentados 29 longas-metragens do diretor alemão, de ascendência dinamarquesa, que se fixou em Hollywood nos anos 1940, e teve o astro Rock Hudson como um de seus principais atores nesta fase americana. Ainda na programação, estão outras cinco produções que influenciaram o diretor ou que se inspiraram na obra dele.

"Eu considero este um dos gêneros mais completos e que mais se comunicam de maneira frontal com o público", comenta o crítico Pedro Maciel Guimarães, curador da mostra junto com o jornalista Cássio Starling Carlos. "Ser um filme sentimental, em que você chora e compactua com o drama da personagem principal, não exclui necessariamente essa dimensão um pouco mais política e social", diz Guimarães.

E este tom crítico está presente na obra de Sirk. Um exemplo é "Imitação da Vida", última produção dirigida por ele, em 1959, e também seu maior sucesso de público. Nele, a aspirante a atriz Lora Meredith, vivida por Lana Turner, fica amiga de uma mulher negra, Annie Johnson, interpretada por Juanita Moore, cuja filha, de pele mais clara, rejeita a mãe.

"O lado do preconceito racial está muito flagrante. Sirk constrói o filme todo em cima da mentalidade americana dos anos 1950, de segregação racial", observa o crítico.

Esta obra é uma refilmagem da produção homônima de 1934, dirigida por John M. Stahl, um dos cineastas que influenciaram o trabalho de Sirk, e que também consta na programação, além dos títulos de seu início de carreira, da chamada fase alemã.

Na outra ponta, integram a mostra filmes inspirados pelos longas de Sirk, como "O Medo Devora a Alma" (1974), de Rainer Werner Fassbinder, e "Longe do Paraíso" (2002), de Todd Haynes.

Ambos homenageiam "Tudo o que o Céu Permite" (1955), estrelado por Jane Wyman e Rock Hudson, que trata do romance entre uma viúva de meia idade e seu jardineiro mais jovem, motivo de desconforto no círculo social dela. Ao todo, o astro participou de nove produções de Sirk, como "Almas Maculadas", "Palavras ao Vento" (ambos de 1957) e "Sublime Obsessão" (1954).

A parceria com Sirk contribuiu para moldar a persona de virilidade de Hudson, lembra Guimarães. Na tela, ele era apresentado como exemplo de homem perfeito para as moças mas, na vida real, escondia sua homossexualidade.

Batizado de "príncipe do melodrama" pela crítica francesa, Sirk não foi valorizado à sua época e teve sua obra redescoberta pela intervenção do francês Jean-Luc Godard e do alemão Fassbinder. "Ele era muito criticado por ser um cineasta popularesco demais, por não ser refinado como (Alfred) Hitchcock, mas hoje em dia vemos que isso é uma grande bobagem", diz o curador da mostra.

Douglas Sirk: O Príncipe do Melodrama - Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112, centro). Tel. (011) 3113-3652. De quarta a 10/06. Ingressos: R$ 4. Programação: www.bb.com.br/cultura .

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