Sacha Baron Cohen alfineta políticos na pré-estreia de "O Ditador" em Londres

Sobraram farpas para Angela Merkel e Rupert Murdoch na première do novo filme do ator

iG São Paulo com agências |

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da News Corp, Rupert Murdoch, estavam entre os alvos do humor satírico do comediante britânico Sacha Baron Cohen na noite de quinta-feira (10), na estreia mundial de sua paródia política "O Ditador".

Vestindo traje militar completo e uma barba falsa, e brandindo uma réplica de uma pistola de ouro, ele invadiu o tapete vermelho de Londres de pé em um Lamborghini laranja, com uma roda presa e sendo puxado por um caminhão de guincho.

AP
Sacha Baron Cohen como o personagem principal do filme "O Ditador", na première em Londres
Baron Cohen estava caracterizado como o General Aladeen, ditador norte-africano da fictícia República de Wadiya que odeia a liberdade. Ele estava cercado por mulheres de saias curtas, uniformizadas como "guarda-costas".

"Agora, enquanto estou aqui, eu gostaria de conceder asilo político a (Rupert) Murdoch", declarou ele a jornalistas e fãs no tapete vermelho. "Nós também temos rastreamento de celular em Wadiya. Todo mundo que tem um telefone, nós cortamos as mãos."

Sobre a questão do casamento gay, que está nas manchetes esta semana depois que o presidente dos EUA, Barack Obama, apoiou publicamente a questão, Baron Cohen disse: "Estou muito feliz porque ontem Nicholas Clegg e David Cameron renovaram seus votos e agora eles são o casal mais famoso do mundo gay."

O primeiro-ministro britânico Cameron e seu parceiro de coligação e vice Clegg tentaram relançar seu governo conjunto esta semana, após grandes derrotas nas eleições locais.

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Referindo-se à líder alemã, Baron Cohen acrescentou: "Aliás, Angela Merkel, você precisa cuidar de sua aparência. Acho que Merkel seria mais bem-sucedida se fizesse uma mudança de sexo e se tornasse uma mulher."

Sempre no papel de Aladeen, Baron Cohen louvou o trabalho de alguns de seus supostos colegas e assegurou que não entende por que todo mundo critica os ditadores. "Só cometemos um pouco de genocídio", comentou. "Perdemos ditadores como Kim Jong-il, Muammar Kadafi e Dick Cheney, Por que todos estão contra nós? Somos a minoria perseguida."

O comediante de 40 anos criou uma carreira de sucesso adotando personagens ofensivos propensos a pronunciamentos politicamente incorretos com intenção de divertir e ofender. Internacionalmente, ele é mais conhecido como Borat, o repórter cazaque fictício que viaja para os Estados Unidos. Seus outros personagens conhecidos são o londrino Ali G e o jornalista de moda gay austríaco Bruno.

Desfilaram pelo tapete vermelho ao lado do comediante outros atores de "O Ditador", como a atriz Anna Faris e o ator Jason Mantzoukas, que disse que Baron Cohen é "um gênio da comédia". "Quando irem ao cinema, os espectadores poderão esperar um filme divertido, interessante, hilariante e, sobretudo, estúpido", comentou Mantzoukas.

O General Aladeen é o governante despótico de um país rico em petróleo que é forçado a viajar para os Estados Unidos em uma última tentativa para evitar um golpe de Estado apoiado pela ONU.

O diretor do filme, Larry Charles, que dirigiu Baron Cohen nas comédias "Borat" e "Bruno", explicou que trabalhar com o ator britânico "é uma experiência muito espontânea, já que nunca sabe o que vai acontecer". Charles espera que os espectadores se divirtam vendo o filme, mas que questionem também os aspectos sérios da produção. "As pessoas têm que questionar toda autoridade e não aceitar as coisas como são", ressaltou.

As primeiras críticas de "O Ditador", inspirado nas revoltas da Primavera Árabe e nos programas nucleares do Irã e da Coreia do Norte, têm sido, no geral, positivas.

Chris Tookey do jornal Daily Mail deu a classificação máxima de cinco estrelas para o filme, escrevendo que "'O Ditador' pode ser o filme mais convencionalmente estruturado de Sacha Baron Cohen... na minha opinião é o mais engraçado."

"O Ditador", dirigido por Larry Charles, chega aos cinemas norte-americanos e britânicos em 16 de maio. No Brasil, entra em cartaz em julho.

Assista ao trailer de "O Ditador":

* com Reuters e EFE

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