Diretor de "Battleship" diz que teve medo de Rihanna "ser comida por tubarão"

Peter Berg se junta na Colômbia a Taylor Kitsch, Alexander Skarsgård e Brooklyn Decker para falar do filme baseado em Batalha Naval

Marco Tomazzoni, enviado a Cartagena |

Divulgação/Universal Pictures
O diretor Peter Berg, Brooklyn Decker e Taylor Kitsch durante pré-estreia em Cartagena
Foi uma longa temporada para a equipe de "Battleship - A Batalha dos Mares" . O filme adaptado a partir do jogo Batalha Naval foi se transformando de uma superprodução (estimada em US$ 200 milhões) que ninguém dava muita bola para um sucesso de bilheteria no exterior – antes de entrar em cartaz nos Estados Unidos, já se pagou. Parte desse sucesso se deve a uma intensa campanha de marketing e divulgação.

O diretor Peter Berg e seu elenco – Taylor Kitsch, Alexander Skarsgård, Brooklyn Decker, Liam Neeson e Rihanna (!) – caíram na estrada para uma turnê mundial. Passaram pelo Havaí, Tóquio, Londres. Na mais recente parada, Cartagena, na Colômbia, às margens do mar do Caribe, Kitsch, Skarsgård e Decker conversaram com o iG .

Fora do circuito dos paparazzi, as estrelas puderam caminhar tranquilas pelas ruas do centro histórico da cidade. Berg, um americano grandalhão simpático que começou como ator, mas há tempos passou para trás das câmeras, não desgrudava de um chapéu local com traços indígenas e, antes de cair na noite colombiana, até subiu no palco de uma festa do filme e improvisou versos com a palavra "battleship", acompanhado por um grupo de música caribenha. Já Kitsch, o rosto de "John Carter: Entre Dois Mundos" , foi visto numa boate dançando até o chão o sucesso "Balada" , do brasileiro Gusttavo Lima.

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Quando eles sentaram com o iG , ninguém conseguia esconder a satisfação. Skarsgård, sueco famoso como o vampiro Eric na série "True Blood", se divertia bebericando um expresso. "Este é o melhor café que já tomei na vida. Não vou conseguir dormir à noite."

Skarsgård contou adorar o Brasil. Conheceu o país em 2011, quando acompanhou o pai, o também ator Stellan Skarsgård (em cartaz atualmente em "Os Vingadores" ), nas filmagens da minissérie "Vermelho Brasil", no Rio de Janeiro. Era a chance de viajar durante uma pequena brecha nas gravações intensas de "True Blood" – cada temporada leva sete meses para ser concluída. Nos outros cinco que restam no ano, é a chance de se dedicar a projetos paralelos.

Divulgação/Universal Pictures
Alexander Skarsgård, assediado nas ruas da cidade histórica colombiana
"Antes de 'Battleship', estava rodando 'Melancolia' (filme de Lars Von Trier) na Suécia. Saí das florestas do sul do país direto para o Havaí. A primeira coisa que vi quando saí do barco foi Taylor voando para todos os lados", comentou, lembrando uma cena em que Kitsch – seu irmão no filme – leva um choque ao encostar numa nave alienígena.

Rosto mais conhecido do time que viajou para a Colômbia, o sueco de 1,95m chamava a atenção de longe. "As pessoas aqui são muito apaixonadas e expressam exatamente o que sentem. Tem gente que é alvo de gritinhos e tudo mais, mas eu não sou uma delas." Difícil de acreditar, ainda mais quando o ator afirmou não ter nenhuma história estranha com os fãs do sensualíssimo "True Blood" – até mesmo Taylor Kitsch duvidou.

Quando Rihanna virou assunto, a modéstia deu lugar a elogios rasgados. Em sua estreia no cinema, a cantora de Barbados interpreta uma militar durona da Marinha, na trama em que um grupo solitário de oficiais, comandados por Kitsch, se vê sozinho combatendo alienígenas prestes a dominar o mundo. É um papel secundário num filme em que 80% das imagens são fruto de efeitos especiais, mas que ganha destaque por seu rosto conhecido.

Rihanna fala sobre seu papel em "Battleship":

"Queria colocar alguém novo naquele papel", explicou o diretor, que teve a ideia de escalá-la. "Em 'Tudo Pela Vitória' e 'O Reino' (seus filmes anteriores), chamei Tim McGraw, um cantor muito famoso nos EUA, e ele se deu muito bem. Há uma longa lista de músicos que fizeram essa transição: Frank Sinatra, que ganhou um Oscar, Mick Jagger, David Bowie, Kris Kristofferson, Whitney Houston, Mariah Carey, Lenny Kravitz... Sou há tempos fã de Rihanna e fiquei surpreso que ninguém a tivesse convidado antes para fazer um filme."

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Taylor Kitsch e Rihanna em "Battleship"
A presença da superstar também fez com que Berg ficasse especialmente de olho na segurança. Algumas cenas foram filmadas em alto mar, quase dois quilômetros oceano adentro, em cima de uma plataforma afundada. Além das mudanças de tempo, que insistiam em destruir o cenário, tubarões eram uma preocupação constante. "Tinha gente olhando para quando eles vinham. Estava preocupado que seria eu o diretor a fazer com que Rihanna fosse comida por um tubarão. Seria um grande problema."

"Rihanna é um doce, muito centrada", prosseguiu Kitsch, com quem a cantora divide a maior parte das cenas. "Ela é provavelmente uma das maiores estrelas do planeta, o ego podia facilmente se instalar por ali, mas ela é bem resolvida com o que se tornou e feliz por ser apenas mais um na equipe."

"Fiquei impressionado com o quanto ela se dedicava", lembrou Skarsgård. "Trabalhávamos a semana inteira e, no fim de semana, enquanto descansávamos, ela voava para Los Angeles, para se apresentar no MTV Movie Awards na frente de 2 bilhões de pessoas, e depois entrava no avião de volta e vinha direto do aeroporto para o set, segunda de manhã, com um sorriso no rosto."

A atriz Brooklyn Decker fala com exclusividade ao iG; veja:

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Brooklyn Decker: ex-modelo ficou assustada de verdade com "tiros" no set
Direção pouco ortodoxa

A dedicação dos atores não era por acaso. O desempenho de Peter Berg como diretor no set foi descrito muitas vezes como "intenso" – Brooklyn Decker que o diga. Uma das modelos mais conhecidas dos EUA, a garota migrou das passarelas para o cinema há pouco tempo: "Battleship" é seu segundo filme, após a estreia ao lado de Adam Sandler em "Esposa de Mentirinha".

A comédia foi fichinha em comparação ao que ela vivenciou no Havaí, onde a ficção científica foi filmada. "Pete é agressivo, joga coisas para que você demonstre uma reação. Numa das cenas, em que eu deveria ter medo de aliens, ele se escondeu num arbusto e disparou uma arma com balas de festim. Eu pulei para fora do meu corpo e ele conseguiu a reação que queria. Por mim, tudo bem. Pete é divertido, contagiante. Se pudesse trabalhar de novo e de novo com ele, o faria."

Em pessoa, Berg é só energia e simpatia. Questionado sobre sua primeira experiência no Brasil, quando foi assaltado na Amazônia ao procurar locações para rodar "Bem-Vindo à Selva" (2003) com The Rock, o cineasta desconversou para falar de um caso de amor com uma brasileira no Rio. "Tive uma namorada linda por seis meses até que estraguei tudo - deixei uma ótima garota escapar. Foi a melhor época da minha vida: ia para a praia todos os dias, comia muito, vi jogos de futebol. Foi ótimo. E é essa história que quero guardar do Brasil."

O diretor mostrou ter uma atitude bastante prática ao falar do susto em Decker. "Faço o que for preciso. Naquele momento em particular, Brooklyn tinha que ficar muito chateada e assustada. Podíamos ter ido caminhar e conversar por três horas sobre sua infância, o que fazia ela se sentir assim, e mergulhar num verdadeira preparação de método. Ou eu podia me esconder no mato e disparar uma metralhadora. Achei que aquilo podia ser mais divertido para mim e mais rápido. Com Kitsch, se acho que ele está sendo preguiçoso, mando 100 hambúrgueres – por que você não vai comer isso já que está com preguiça? Todos precisam ser motivados de uma forma diferente."

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Kitsch e o diretor Peter Berg no set de "Battleship": frustrações iam parar no ringue
Com Skarsgård, a "motivação" se dava através de gritos e besteiras constantes. Kitsch, por sua vez, tem uma história com o diretor bem maior do que uma simples centena de sanduíches. Os dois se conhecem há sete anos, desde que o ator foi escalado para a série "Friday Night Lights" (baseada no filme homônimo de Berg, sobre futebol americano), e já tem acertados um novo filme juntos, "Lone Survivor".

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Kitsch em "Battleship - A Batalha dos Mares"
"Ele é amigo querido", afirmou Kitsch. "Temos uma relação direta, muito próxima, um pouco diferente de como é com Brooklyn e Skarsgård. Forçamos um ao outro para tirar o melhor de melhor de nós mesmos. Mas praticamos boxe juntos... Talvez de vez em quando eu descarregasse as frustrações do dia na cara dele."

Kitsch está ficando expert em diretores difíceis. Em breve, aparece também em "Selvagens", novo filme de Oliver Stone ("Assassinos por Natureza", "Platoon"), ao lado de John Travolta, Salma Hayek, Uma Thurman e Benicio Del Toro. O ator disse que ser preguiçoso com Stone seria sinônimo de ter a "pior experiência de sua vida".

"Acho que qualquer diretor deveria exigir o máximo de você", explicou. "Todo o resto da equipe técnica – os caras do som, atores, roteiristas – está dando o melhor de si, ou ao menos deveria. Se você chega despreparado, preguiçoso ou desfocado, há um efeito cascata que vai atingir todo mundo. Se eu estivesse dirigindo e você chegasse despreparado, ia encarnar em você e ter certeza de que tivesse muito trabalho. Oliver é assim."

Quanto ao fracasso comercial do milionário "John Carter", que deu um baita prejuízo à Disney , o ator canadense, fã de futebol, não mostrou qualquer preocupação. "Não topo fazer um filme pensando na bilheteria, mas para me cercar de bons profissionais, crescer como pessoa e me tornar um ator melhor. Tive tudo isso em 'John Carter' e me orgulho muito do filme. Se alguém me dissesse há 10 anos, quando eu não tinha onde morar em Nova York, que meu primeiro filme como protagonista faturaria US$ 300 milhões, acho que poderia considerar um bom começo."

Americanismo

Brooklyn Decker e Rihanna não eram as únicas novatas no set de "Battleship". O filme ainda tem em seu elenco principal Greg Gadson, sargento do exército que perdeu as duas pernas no Iraque, e um bando de oficiais veteranos que entra na história da metade para o final. Tantos não-profissionais deram um bocado de trabalho ao diretor.

Veja o trailer de "Battleship - A Batalha dos Mares":

"Houve momentos em que desejei que houvesse um pouco mais de atores", reconheceu Berg, rindo. "Foi desafiador. Gosto de descobrir novos rostos, de ir ao cinema e me perder na história, sem pensar em quem é quem. Escalei Will Smith em 'Hancock' e, ora bolas, é Will Smith, não dá para esquecer disso. Então quis fazer 'Battleship' com pessoas não muito conhecidas e tornar a experiência melhor. Greg e Rihanna literalmente nunca tinham feito um filme, confiavam em mim para não parecerem idiotas. Tive que trabalhar duro."

A presença constante de militares no filme não é por acaso. Rodado em parceria com a Marinha norte-americana durante o RIMPAC, maior operação marítma simulada do mundo, "Battleship" é uma carta de amor confessa de Berg às forças armadas – o americanismo, expresso em bandeiras e na orgulhosa saudação de um oficial a outro, é palpável.

Leia também: "Battleship", mais um filme de ação para ver sem pensar

"Não estava preocupado, mas ciente disso", assegurou o diretor. "Acreditava que o filme transcenderia as forças armadas americanas para ser apenas um bom filme de ação. Não queria que fosse visto como pró-EUA, ou como um filme do tipo 'estamos chutando o traseiro de todo mundo'. Acho que meu objetivo era fazer com que o público rapidamente parasse de ver os personagens como militares e sim como pessoas normais que estão com problemas. Estou contente com a resposta que tivemos até agora pelo mundo."

* o repórter viajou a convite da Universal Pictures

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