"Battleship": mais um filme de ação para ver sem pensar

Adaptação do jogo Batalha Naval tenta compensar roteiro com toneladas de efeitos especiais

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Livros, peças, discos, brinquedos, videogames... E agora, jogos de tabuleiro. Hollywood sempre dá um jeito de surpreender nas adaptações. Com "Battleship - A Batalha dos Mares", que estreia nesta sexta-feira (11), a Hasbro, companhia norte-americana responsável por bancar os filmes "Transformers" e "G.I. Joe", resolveu levar para o cinema o jogo Batalha Naval, mais uma marca em seu portfólio.

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Para a maioria dos brasileiros, é aquela brincadeira improvisada num papel quadriculado, mas muita gente chegou a jogar Batalha Naval em tabuleiro mesmo, comprado em loja, afundando encouraçados e submarinos usando pinos em vez da caneta. Pena que aqui será a único lugar em que o filme não vai usar o nome original, já que a marca está nas mãos de outra empresa (mesma razão, por exemplo, pela qual os filmes "G.I. Joe" não são chamados no Brasil de Comandos em Ação). Se o filme tem algo a ver com o jogo? Bem, muito de leve, mas tem.

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Alienígenas versus humanos em "Battleship - A Batalha dos Mares"
Em suas investidas até então no cinema, a Hasbro provou ter pouca preocupação com o roteiro, investindo cada dólar nos efeitos especiais. Em "Battleship", a coisa não foi diferente. Logo no início, um cientista explica com o maior didatismo possível para outros técnicos da Nasa a descoberta de um planeta com condições favoráveis à vida, bem similar à Terra.

O próximo passo é enviar sinais de satélite (que lembram mais raios-laser) para ver se alguém do outro lado da linha responde. Um cientista cético, temeroso, logo avisa: se os alienígenas forem inteligentes, eles virão à Terra para nos conquistar. "Vai ser como Colombo e os índios, só que desta vez nós seremos os índios."

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ET humanoide de "Battleship": por baixo da armadura, cavanhaque ruivo
O tom dramático é cortado para uma introdução cômica – o humor, mesmo deslocado, é a faceta de "Battleship" que mais funciona. Alex Hopper (Taylor Kitsch, com o mesmo cabelo de "John Carter" ) é um "loser" desempregado que está comemorando seu aniversário com o irmão mais velho (Alexander Skarsgård, de "True Blood"), oficial da Marinha, em um bar de beira de estrada. A belíssima Sam ( Brooklyn Decker ) entra em cena, não consegue comer um burrito e, bem, está aí o trampolim para o filme de fato.

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Corta para Hopper já um oficial da Marinha, namorando Sam, filha de um almirante ( Liam Neeson, com a cara de poucos amigos que fez sua carreira em filmes de ação ). Apesar da mudança de vida, Hopper arruma a "maior confusão" – sim, o tom é exatamente esse – em um exercício simulado no Havaí com representantes da Marinha de todo o mundo. O rapaz parte para alto-mar com a promessa de que será expulso da corporação, e os aliens entram em cena.

É sério: os ETs atenderam ao telefonema e viajaram pelo espaço com o objetivo de conquistar a Terra. Eles calham de se instalar a poucos metros de onde estão os destróiers do simulado e criam um campo de força intransponível. Não entra nem sai mais ninguém.

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No terço inicial, "Battleship" até faz algum sentido. Depois disso, a ideia é a mesma dos outros filmes da Hasbro: para aproveitar a overdose de tiros, explosão e efeitos visuais, o jeito é parar de pensar e se divertir com um novo tipo de "Transformers".

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O mocinho Taylor Kitsch encara invasor em "Battleship - A Batalha dos Mares"
Só assim para aguentar os rombos do roteiro – se fosse para levar a sério, os aliens teriam matado todo mundo depois de meia hora e não haveria filme para Rihanna mostrar o quanto é durona. Sim, a megacantora tem um papel secundário como uma oficial masculinizada que não leva desaforo para casa. Se sua fantasia era ver Rihanna usando chapeuzinhos militares e falando "bum", corra para o cinema.

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Rihanna de uniforme: espere ela dizer "bum"
Nos efeitos, "Battleship" se segura. O layout das naves de combate e das armas – especialmente do "shredder", que lembra uma motosserra circular em chamas – é, realmente, espetacular. Já os alienígenas, bem, esses são um tanto ridículos. Se o tal planeta era similar à Terra, nada mais justo que os ETs fossem humanoides, certo? Eles só não precisavam parecer punk-rockers californianos, todos carecas de cavanhaque ruivo.

Mas "Battleship" pretende em outro nível ser mais do que puro entretenimento. O diretor Peter Berg (cujo maior sucesso é "Hancock") inundou o projeto com uma aura politicamente correta e de tributo às forças armadas. Berg escalou um ex-sargento com próteses nas pernas, filmou cenas em centros de reabilitação de soldados lesionados, deu um jeito de curar as feridas entre norte-americanos e japoneses (eles estavam em Pearl Harbor, afinal de contas) e ainda por cima reservou espaço para um monte de militares veteranos terem seu momento de glória. Em conjunto, tudo isso tem um caráter de propaganda, se não constrangedor, cômico.

A saber: em inglês, "battleship" significa encouraçado, um navio de guerra obsoleto, aposentado há 70 anos e substituído pelos modernos destróiers (ou contratorpedeiros). Está aí outra sutileza, digamos, do roteiro do filme.

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É preciso reconhecer que "Battleship - A Batalha dos Mares" (e não naval) é o melhor filme da Hasbro até hoje. Não que isso queira dizer muita coisa.

Assista ao trailer de "Battleship - A Batalha dos Mares":

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