Noite de experimentalismos encerra mostra do Cine PE

“Quadrada das águas perdidas”, com Matheus Nachstergaele, e “Estradeiros” são os últimos da competição a serem exibidos

Valmir Moratelli, enviado a Recife (PE) |

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Na Quadrada das águas perdidas
Os dois últimos filmes da mostra competitiva do Cine PE Festival, exibidos na noite desta terça-feira (1), bebem da mesma fonte: o experimentalismo, não só na forma de roteiro, mas também nos poucos recursos de produção.

“Na Quadrada das águas perdidas” é interpretado unicamente por Matheus Nachstergaele, que vive um sertanejo que atravessa a árida caatinga com seu cachorro, um burro e duas cabras. No meio da odisseia, passa adversidades, se vira procurando comida, caçando pombo e tendo que lidar com cobra, onça e corvos. Há até delírios de fantasmas a povoar o caminho do personagem.

O filme de Wagner Miranda e Marcos Carvalho foi feito em Petrolina (PE), custou cerca de R$ 30 milhões e toda a verba foi destinada a pagar o ator. A produção contou com a ajuda do exército brasileiro para adestramento de animais e consultoria nas filmagens no meio do sertão nordestino. Não há qualquer diálogo ou fala durante os 78 minutos de duração.

A trilha sonora, composta em grande parte especificamente para o filme, não se mostrou apropriada em vários momentos. “Na Quadrada das águas perdidas” também peca pela fraca fotografia, planos com molduras de galhos secos de árvores e por uma edição que não levou em consideração a mudança de luz entre uma cena e outra.

No geral, “Na Quadrada das águas perdidas”, que se enquadra da categoria de filme de arte, deixou de apresentar um melhor acabamento estético. Se tivessem optado por um curta, teria mais força. Não será surpresa, porém, se Matheus levar o prêmio de melhor ator, visto que ele ‘é’ o filme. A premiação acontece na noite desta quarta-feira (2).

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Estradeiros
Pé na estrada

Encerrando a noite competitiva, “Estradeiros”, de Sergio Oliveira e Renata Pinheiro, trouxe a latinidade à tela do teatro Guararapes. No estilo road movie, o longa passa por Peru, Buenos Aires, São Tomé das Letras, Recife e São Paulo, mas sem destino definido.

“Estradeiros”, com 70 minutos de duração, exigiu muita paciência de quem ainda estava no cinema já quase à meia-noite, para ver os delírios de uma sequencia ilógica da narrativa. Afinal, o que faz o obelisco de Buenos Aires invertido numa tela?

O filme registra o estilo de vida dos que vivem livres no mundo, nômades na América Latina. O que poderia render um curioso documentário sobre os hippies latinos, aqueles peruanos e colombianos que tocam nas saídas do metrô das grandes cidades, se perde no corte exagerado de cenas – muitos delas de cabeça para baixo – sem propósito aparente. As entrevistas ora surgem programadas, um tanto ensaiadas, ora ganham conotação mais documental. "Estradeiros" vai para a estrada e se perde já no começo do caminho.

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