Público dá uma “espiadinha” no filme de Pedro Bial no Cine PE Fest

Documentário “Jorge Mautner - O Filho do Holocausto” vale pelos trinta minutos finais. Leia crítica

Valmir Moratelli, enviado a Recife (PE) |

Clara Gouvêa/ Divulgação
Jorge Mautner entreP edro Bial e Heitor D´Alincourt, no Cine PE Fest

Já exibido no Rio, durante o festival É tudo Verdade , chegou a vez do nordeste assistir ao filme “Jorge Mautner - O Filho do Holocausto”, documentário dirigido por Pedro Bial e Heitor D´Alincourt, exibido na noite deste sábado (28), no Cine PE Fest. Baseado no livro homônimo do cantor, compositor e escritor de 71 anos, o filme é de altos e baixos. Ou melhor, de baixos e altos. Altos no final.

Começa frio, sonolento. A primeira hora é toda do próprio Mautner lendo trechos de sua obra. O lado tropicalista fica para o final, com depoimentos de Gilberto Gil e Caetano Veloso. Mas as melhores tiradas vêm de sua filha, a diretora Amora Mautner, narrando casos familiares e bem íntimos. Como a mania do pai de sempre andar pelado em casa, ou o fato de buscá-la na escola de sunga branca ou ainda a explicação-agradecimento da própria Amora - por fazer terapia desde os 7 anos de idade.

Fica de fora do documentário a versão mais “hard” da fase tropicalista, sem detalhes mais profundos de seu envolvimento com o movimento que consagrou os baianos. Ao invés disso, os diretores optam por intercalar cenas de músicas ao vivo, com banda em estúdio. Apresenta-se um Mautner que se contentou em aprender apenas alguns acordes para fazer músicas. Também em estúdio, os depoimentos gravados dão um clima de programa de TV ao documentário. Mais tarde Bial defenderia esta opção por tentar manter um visual mais “limpo”.

Se Bial tivesse priorizado os desabafos da filha Amora e dos que de fato viveram e compartilharam das ideias de Mautner, “O Filho do Holocausto” não seria tão sonolento. Por ter demorado a pegar no tranco, muita gente não viu a parte mais bacana do filme. Quando surgem as mais curiosas histórias, parte do público já tinha desistido de acompanhar a narrativa. Bial levou Mautner para o paredão e não avisou que a “espiadinha” deveria ser longa.


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