Cineasta se emociona no Cine PE ao lembrar da morte da mulher

Breno Silveira também falou, irritado, dos problemas de áudio na primeira exibição pública de “À beira do caminho”

Valmir Moratelli, enviado a Recife (PE) |

Daniela Nader/Divulgação
Breno Silveira, diretor

Era para ser só sorrisos. Mas Breno Silveira ficou com a voz embargada ao lançar “À beira do caminho” , no Cine PE Festival, na noite desta quinta-feira (26). No dia seguinte, pela manhã, o diretor conversou com a imprensa sobre dois assuntos espinhosos. O primeiro se referia ao problema de som durante a primeira exibição pública do longa, o que provocou eco na sala de 2400 lugares.

“Não consegui dormir a noite toda, só pensando no erro do som. Um cara tarado como eu pela qualidade do som, não podia passar por isso. É o lançamento do filme, e ele nasceu torto”, desabafou.

Mais: Leia crítica do filme

Breno, que também dirigiu “2 Filhos de Francisco”, falou ainda da perda da mulher, Renata, entre as filmagens e a montagem deste mais recente longa. “É muito, muito difícil para mim. É um filme em forma de dedicatória de amor à mulher que perdi”, disse ele, bastante emocionado. Renata, que era arquiteta, morreu no ano passado de câncer.

Breno tem duas filhas Olívia, 14 anos, e Valentina, 12. E já prepara novo longa, sobre Luiz Gonzaga, rei do baião. “Não era para coincidir também neste ano o outro lançamento. Mas o que aconteceu na minha vida particular acabou atrasando todo o resto. Desculpe, não consigo falar muito sobre isso”, disse Breno.

Viagem sensorial

Ainda sobre o problema na exibição do longa, que impediu a parte de trás do cinema receber o som com qualidade, Breno pediu para que as pessoas voltem a vê-lo, agora com a qualidade merecida. “Só as caixas da frente funcionaram, as laterais não. Quem estava muito atrás não ouvia direito. É uma pena, porque o filme é uma viagem sensorial”, disse, tendo o filme se baseado em canções de Roberto Carlos.

Mais: Programação completa do Festival

Protagonista do longa, João Miguel também se mostrou chateado com o episódio, percebido por boa parte do público na noite anterior. “O que ocorreu foi drástico. Com 42 anos de vida, pela primeira vez não entendi a mim próprio falando na tela. O problema técnico deveria ter sido resolvido a tempo”, afirmou.

Em nota, a direção do Cine PE, diante da falha técnica ocorrida, esclarece “que houve uma falha do sistema digital, na leitura do arquivo de som, de forma tal que o filme teve que ser exibido sem os seus 6 canais originais (...) e que o sistema será tecnicamente reavaliado, para que se efetive, em condições normais, uma nova exibição”.

Apesar da falha, o filme foi bastante aplaudido pelo público que lotou a sala de exibição, em Olinda, a 20km da capital pernambucana. “À beira do caminho” está na mostra competitiva desta edição.

Daniela Nader/Divulgação
João Miguel com Breno Silveira

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