Canções de Roberto Carlos ditam ritmo do novo filme de Breno Silveira

À Beira do Caminho", que abriu o Cine PE – Festival do Audiovisual, parece releitura de "Central do Brasil

Valmir Moratelli, enviado a Recife (PE) |

Divulgação
João Miguel em "À Beira do Caminho"
Engana-se quem pensa que se inspirar em músicas de Roberto Carlos para fazer um filme é sinal, quase certo, de que o resultado será uma romântica sucessão de cenas apaixonadas. O novo filme de Breno Silveira, “À Beira do Caminho”, exibido na abertura do Cine PE – Festival do Audiovisual, em Recife, nesta quinta-feira (26), foge do lugar-comum.

O filme, que chega às telas de todo o país em 10 de agosto, conta a emocionante história de João (interpretado por João Miguel), um homem que encontra na estrada uma saída para esquecer os dramas de seu passado, repleto de entregas, decepções, arrependimentos e traumas.

Por acaso, seu caminho se cruza com o de um menino (o esperto Vinicius Nascimento) em busca do pai que nunca conheceu. Os dois, juntos em um caminhão, cruzam parte do nordeste rumo a São Paulo.

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É impossível não fazer paralelo a um dos mais representativos “road movies” brasileiros,  “Central do Brasil”, que rendeu indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro e de melhor atriz (Fernanda Montenegro), em 1999.

No filme de Silveira (em exibição pela primeira vez ao grande público), a partir de um inusitado encontro, nasce uma relação de amizade paternal que movimenta o delicado equilíbrio construído por João para enfrentar seus fantasmas. O tempo todo, o filme evoca e se inspira em letras de sucessos de Roberto Carlos. É costurado a partir da poesia popular tão comum e próxima ao povo. Ainda assim, é um filme tenso, denso, às vezes monótono. Mas, como pede qualquer verso de Roberto, poesia pura.

Se em “Central”, Dora (Fernanda Montenegro) e o menino Josué (Vinícius de Oliveira) se metem numa viagem pelo Brasil para poder reaver seus parentes deixados para trás, em “À Beira do Caminho”, ao contrário, os protagonistas parecem querer fugir, o tempo todo, de seu passado, suas raízes, sua história. Para acalentar a dor, eles partem para a estrada. Cada um com um propósito.

Do mesmo diretor de “2 Filhos de Francisco”, “À Beira do Caminho” conversa com a alma. Seja pela bela fotografia do interior do País, seja ao deixar as músicas de Roberto invadirem a tela, sem precisar de diálogos para contrapor a narração. Também no elenco Dira Paes e Ludmila Rosa.

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