Abel Ferrara está no Brasil; conheça 5 polêmicas do cineasta

Filme pornográfico com a namorada e uso de drogas no set de filmagem estão entre as histórias que envolvem o diretor

iG São Paulo |

Abel Ferrara está em São Paulo. Após passar por Brasília e Rio de Janeiro, o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) promove na capital paulista a mostra "Abel Ferrara e a Religião da Intensidade". O evento acontece entre esta quarta-feira (25l) e 6 de maio. O diretor participa de debate com o público às 13h desta quarta (veja mais informações no final do texto).

Nascido em 1951 no Bronx, em Nova York, Abel Ferrara mostrou logo em seus primeiros trabalhos, "Driller Killer" (1979) e "Ms. 45" (1981), os traços que notabilizariam seus filmes: violência, sexo, drogas. Eles funcionam como cartão de visitas de um diretor que tem um gosto especial por polêmicas.

Em "Driller Killer", além de dirigir, Ferrara interpreta o personagem principal, um artista que comete assassinatos com uma furadeira. Em "Ms. 45", a atriz Zoë Lund vive uma garota muda que, após ser estuprada duas vezes no mesmo dia, começa a matar estupradores em Nova York.

Getty Images
O diretor Abel Ferrara em 1996
O reconhecimento da crítica chegou no início dos anos 1990, com o épico do tráfico de drogas "Rei de Nova York" (1990) e o retrato de um policial corrupto de "Vício Frenético" (1992). A parceria com estúdios de Hollywood não tardou, mas os resultados foram desastrosos: tanto a ficção científica "Os Invasores de Corpos - A Invasão Continua" quanto o thriller "Olhos de Serpente", ambos de 1993, fracassaram nas bilheterias.

De volta ao cinema independente, Ferrara assinou "The Addiction" (1995), "Os Chefões" (1996), "Blackout" (1997), "Enigma Do Poder" (1998) e "Gangues do Gueto" (2001), que não tiveram grande repercussão.

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Desgostoso com a indústria cinematográfica dos EUA, onde encontrou dificuldades em financiamento e distribuição, o diretor mudou-se para a Europa.

Lá, conseguiu dinheiro para seus próximos projetos. O primeiro deles, "Maria" (2005), retrata uma atriz obcecada pela personagem bíblica Maria Madalena e ganhou quatro prêmios no Festival de Veneza , entre eles o do Grande Júri.

Após dedicar-se ao documentário – em "Chelsea on the Rocks" (2008) e "Napoli Napoli Napoli" (2009) –, Ferrara retornou a Nova York e lançou "4:44 Last Day on Earth" (2011), ainda sem data de estreia no Brasil.

Veja abaixo cinco polêmicas envolvendo a carreira de Abel Ferrara.

Reprodução
Imagem de "Nine Lives of a Wet Pussy"
Filme pornô com a namorada

Apesar de "Driller Killer" (1979) ser considerado o primeiro longa de Ferrara, o próprio diretor já desmentiu o fato em entrevistas. Seu primeiro filme foi "Nine Lives of a Wet Pussy", produção pornográfica de 1976.

Aos 25 anos e desempregado, Ferrara juntou alguns amigos e contratou estudantes para transar com sua namorada. "Se já é ruim o suficiente pagar US$ 200 para um cara transar com sua namorada, imagine quando eles não conseguem uma ereção?", disse em entrevista ao jornal britânico Guardian, em 2010.

Divulgação
Christopher Walken em "Rei de Nova York"
Desistências na première

Diversas pessoas abandonaram a première de "Rei de Nova York" (1990) durante o New York Film Festival – inclusive a mulher de Abel Ferrara. Na coletiva de imprensa organizada após a exibição, a primeira pergunta dirigida ao cineasta foi: "Esse filme é abominável. Por que você não está internado numa clínica de reabilitação de drogados?".

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Após a segunda exibição do filme, o ator Laurence Fishburne e o roteirista Nicholas St. John foram vaiados.

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Harvey Keitel em "Vício Frenético"
Um viciado atrás das câmeras

Abel Ferrara nunca escondeu seu vício em drogas e bebidas. Ele próprio disse em entrevista ao site The Fix que para dirigir "Vício Frenético" (1992), thriller focado num policial viciado em heroína e crack, "o diretor e o roteirista precisavam estar usando drogas."

Sete anos depois das filmagens, a roteirista Zoë Lund, que havia estrelado "Ms. 45", morreu de overdose de heroína. "Eu a conheci antes e depois das drogas. Ela era talentosa e criativa antes de aderir ao vício. E acabou morta. É assim que sempre acaba", disse Ferrara depois de superar o vício.

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Nicolas Cage em "Vício Frenético"
Ira e agradecimento após refilmagem

Considerado por Martin Scorsese o quinto melhor filme dos anos 1990, "Vício Frenético" foi refilmado em 2009 pelo cineasta alemão Werner Herzog, que escalou Nicolas Cage para o papel principal.

Insatisfeito com o projeto, no ano de seu lançamento Ferrara disse esperar que eles "estejam no mesmo carro e ele exploda". Um ano depois, em entrevista ao jornal Guardian, o cineasta afirmou que não teria nada contra Herzog.

"Eu tenho problemas com os caras que roubaram a ideia do filme que nós fizemos por nada, com suor e sangue, e refilmaram por US$ 12 milhões sem chamar sequer uma pessoa da nossa equipe. Mas agora eles me chamaram para rodar um terceiro 'Vício Frenético', então sou o maior fã deles."

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O ator francês Gerard Depardieu
Sexo e política no próximo projeto

O próximo trabalho de Abel Ferrara será inspirado no escândalo sexual que derrubou Dominique Strauss-Kahn da presidência do FMI. De acordo com o cineasta, que escalou o ator francês Gerard Depardieu para o papel principal, o filme deve contar com elementos da vida de outros políticos, como Bill Clinton e Silvio Berlusconi – que também enfrentaram polêmicas envolvendo sexo em suas carreiras.

Em entrevista ao jornal Le Journal Du Dimanche, Depardieu disse em sua defesa que é muito bom "em interpretar personagens que não gosto e em nada se parecem comigo."

Abel Ferrara e a Religião da Intensidade em São Paulo - CCBB (Rua Álvares Penteado 112). Tel. (011) 3113-3651. R$ 4. De 25/4 a 6/5.

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