Artista foi libertado recentemente após ter ficado mais de dois meses em detenção

O artista chinês Ai Weiwei, após ser libertado de detenção
AFP
O artista chinês Ai Weiwei, após ser libertado de detenção
As autoridades do fisco de Pequim cobraram do artista dissidente Ai Weiwei, libertado recentemente após mais de dois meses de detenção , o pagamento de 12 milhões de iuanes (R$ 2,9 milhões) em impostos atrasados e multas, disse um amigo de Weiwei nesta terça-feira (28 de junho).

O artista chinês de 54 anos foi libertado sob pagamento de fiança na quarta-feira passada, um dia antes de o primeiro-ministro Wen Jiabao viajar para a Europa, onde Grã-Bretanha e Alemanha haviam criticado a detenção de Ai Weiwei. Na terça-feira, a chanceler alemã Angela Merkel saudou a libertação do artista ao se encontrar com o premiê chinês em Berlim.

Visitantes usam máscaras do chinês Ai Weiwei na Feira de Arte Basel, na Suíça, em 25 de junho
AP
Visitantes usam máscaras do chinês Ai Weiwei na Feira de Arte Basel, na Suíça, em 25 de junho
O advogado Liu Xiaoyuan, que tem assessorado a família de Weiwei e é amigo do artista, disse que ele recebeu uma notificação na segunda-feira das autoridades exigindo o pagamento de 5 milhões de iuanes em impostos em atraso e de 7 milhões de iuanes em multas.

"Ele tem três dias para expressar por escrito qualquer opinião que possa ter", disse Liu. "De acordo com a lei de evasão fiscal... se ele não pagar, poderá ser submetido a um processo", acrescentou.

"Para uma soma grande como essa, poderá haver uma audiência", afirmou Liu, acrescentando que qualquer audiência aconteceria antes de 7 de julho. Ele não deu mais detalhes.

Ai Weiwei não pôde ser encontrado para comentar o caso. Dentro dos termos de sua libertação, ele não está autorizado a conversar com a imprensa. Membros da família também não estavam disponíveis.

A agência oficial de notícias Xinhua disse na semana passada que Ai Weiwei foi libertado "por causa de sua boa atitude em confessar seus crimes e também por sua doença crônica", citando a polícia.

Descobriu-se que uma empresa que a polícia disse ser controlada por ele sonegou uma quantia enorme de impostos e destruiu de propósito documentos de contabilidade, e a libertação de Ai Weiwei na semana passada ocorreu depois que o artista prometeu pagar as taxas que sonegou, segundo a Xinhua.

Analistas afirmam que a libertação de Ai Weiwei está longe de ser um sinal de mudança política do Partido Comunista.

As autoridades têm silenciado a dissidência com detenções sigilosas de mais de 130 advogados e ativistas desde fevereiro, em meio a temores de que os levantes anti-autoritários do mundo árabe deflagrem uma revolta na China.

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