Porta-voz critica interferência internacional em detenção de Ai Weiwei

O governo chinês afirmou nesta terça-feira, 12, que está "descontente" com o apoio estrangeiro ao artista e ativista detido Ai Weiwei, após a prisão de Ai na semana passada ter provocado repulsa dos Estados Unidos e outros países ocidentais.

"O povo chinês também se sente perplexo: por que algumas pessoas em alguns países tratam o suspeito de um crime como herói?", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hong Lei, em entrevista coletiva. "O povo chinês está descontente com isso. Não importa a influência que a pessoa tenha, ela será punida de acordo com a lei."

Os comentários de Hong acontecem após a China ter dito no domingo, 10, que os Estados Unidos são cercados por violência, racismo e tortura e não têm autoridade para condenar outros governos em questões de direitos humanos. As afirmações foram uma resposta às críticas norte-americanas pela prisão de Ai.

O artista, de 53 anos e renome internacional, foi detido no dia 03 de abril, no aeroporto de Pequim, quando estava prestes a voar para Hong Kong. No dia de sua detenção, a Polícia se apresentou em seu estúdio, apreendeu computadores, discos rígidos e outros materiais, e deteve oito colaboradores - que foram postos em liberdade depois de serem interrogados.

A detenção e o posterior desaparecimento do artista é o mais novo capítulo da campanha de repressão contra a reduzida dissidência chinesa que começou em outubro, quando foi anunciado o Prêmio Nobel da Paz de 2010 para o dissidente preso Liu Xiaobo. A campanha se intensificou desde fevereiro, após uma chamada anônima ter tentando iniciar na China as "Revoluções do Jasmim" do norte da África e do Oriente Médio.

* Reuters, EFE e AFP

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