Chegou a vez de os paulistanos verem “Tim Maia - Vale Tudo, o Musical"

Tiago Abravanel é o centro desse espetáculo em que sua atuação é muito superior ao resto da produção

Ana Ribeiro, iG São Paulo |

Caio Gallucci/ Divulgação
Cena de Tim Maia - Vale Tudo, o Musical, que fica em cartaz até 24 de junho em São Paulo
Tiago Abravanel é um desses gigantes que de vez em quando surgem no cenário. Ele tem um vozeirão de Tim Maia e é muito mais simpático do que o original. Sorridente, charmoso, carismático, ágil em cena (até um espacate ele abre em certo momento), ele é uma glória no palco.

Veja Tiago Abravanel no clipe da TV iG de "Tim Maia - Vale Tudo"

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A história de Tim também é ótima para se contar. Um garoto do subúrbio carioca, caçula de 12 irmãos, mimado pelos pais, descontrolado por natureza e talentoso até não poder mais, ele ia vivendo a vida enquanto tirava sarro dela. Na infância, ajudava a distribuir as marmitas que o pai, seu Altivo, preparava. Para aliviar o peso que tinha de carregar, ele comia um pouco da comida que levava. “Uma coxinha dessa, uma batatinha daquela, um pastelzinho da outra...”

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Tiago Abravanel em cena do espetáculo "Tim Maia - Vala Tudo, o Musical"

Tirando a cena inicial, o musical corre em ordem cronológica e vai lembrando de forma didática a trajetória que levou “Tião marmiteiro” a ser um dos maiores cantores que o Brasil já teve.
Para os fãs de Tim Maia, o espetáculo é imperdível. Para quem tem interesse em conhecer sua história, também. Para quem quer ver uma revelação no palco, idem. Para quem quer assistir a um musical impecável, bem... Tem outras alternativas mais apropriadas em cartaz em São Paulo.

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Vale Tudo - um Musical
A verdade é que a atual temporada de musicais estabeleceu um padrão muito alto para as produções. Tome-se A Família Addams como exemplo. É tudo lindo, e não se trata apenas de uma bela embalagem. Como os papéis principais estão na mão de atores de verdade, não é daqueles musicais em que a técnica é impecável, mas que deixa a emoção e a dramaturgia em segundo plano. Num encontro perfeito entre o padrão internacional e o talento brasileiro, o paulistano tem o privilégio de ver Marisa Orth e Daniel Boaventura em um musical da Broadway.
Está para estrear “Priscilla, a Rainha do Deserto”, que chega também com a mesma montagem que está em cartaz atualmente em Londres e teve longa temporada de sucesso na Austrália.

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Cena do musical "Tim Maia - Vale Tudo"
MADE IN BRAZIL
“Tim Maia – Vale Tudo” tem um ar mais tosco, quase experimental. O cenário não é nada, formado basicamente por cadeiras e “cases” de instrumentos. O palco foi emoldurado por discos de vinil. Na cena em que Tim deixa o subúrbio para tentar se enturmar com o pessoal da bossa-nova, que vivia entre Copacabana e Ipanema, aparecem bóias de plástico coloridas e em forma de golfinho. São tantos os avessos aparentes que muitas vezes você tem a sensação de estar assistindo ao ensaio do que virá a ser um dia um musical.

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A própria maneira com que a direção conduz o espetáculo é, na falta de adjetivo melhor, meio escolar. Todo mundo faz um pouco de graça, um narrador conta a história enquanto ela vai se desenrolando no palco. Parece que você já viu aquilo antes em algum lugar. Talvez em “Tom e Vinícius – um Musical”? Ou ao longo de sua vida inteira?

Caio Gallucci/ Divulgação
Tim Maia - Um Musical. Em cena, Tiago Abravanel e Reiner Tenente, destaque do elenco que faz o papel de Roberto Carlos e Nelson Motta
Nem sei se seria o caso de uma superprodução contar a história de Tim Maia, sendo que ele mesmo era assim anárquico, excessivo, rebelde, fora da curva, mal acabado. Uma das histórias que a peça lembra e que faz o público rir muito é a passagem do nascimento do filho de Tim.

Envolvido na época em uma seita chamada “Universo em Desencanto”, ligação que durou cerca de seis meses e que o fez largar temporariamente as drogas, Tim pediu que o líder, Manuel Jacinto Coelho, sugerisse um nome para batizar o bebê. Coelho disse: “Robson, Carmelo ou Telmo”. Ele registrou o menino como Carmelo, e o chamou de Telmo a vida toda. Carmelo estava no teatro na noite da apresentação para convidados, nesta segunda-feira (12), e subiu no palco no final do espetáculo para ganhar um abraço e o agradecimento de Thiago Abravanel. “É o meu filho”, brincou o ator.

Tim Maia era um homem cheio de imperfeições, a não ser na hora em que cantava. E assim é o musical sobre a sua vida. Quando Tiago assume o comando, tudo é uma ode ao homem genial que morreu em 1998 cheio de complicações de saúde e pesando 140 quilos.
O sucesso é estrondoso. O Teatro Procópio Ferreira, que tem 700 lugares, está lotado até o fim de março. A temporada, que seria de quinta domingo, já ganhou sessões extras às quartas-feiras.

Tim Maia – Vale Tudo
Teatro Procópio Ferreira - Rua Augusta, 2823
Tel.: (11) 3083-4475
Quarta, Quinta e Sábado, 21hs.; Sexta às 21h30 e Domingo às 18hs. De R$ 50,00 a R$ 150,00
Bilheteria: 14h00 às 19h00 (terça e quarta); a partir das 14h00 (quinta a domingo). De 09/03 a 24/06.
Até 24 de junho

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