O ator e diretor Rodrigo Rodrigues nasceu em São Paulo e aos 7 anos mudou-se para Itupeva, no interior do Estado, onde começou seus estudos em artes dramáticas. Mas foi no outro lado do Oceano Atlântico, na Irlanda, que conseguiu reconhecimento.

O ator e diretor Rodrigo Rodrigues nasceu em São Paulo e aos 7 anos mudou-se para Itupeva, no interior do Estado, onde começou seus estudos em artes dramáticas. Mas foi no outro lado do Oceano Atlântico, na Irlanda, que conseguiu reconhecimento. Criador de uma companhia de teatro formada por atores irlandeses, ele ganhou, em fevereiro, um dos mais importantes prêmios teatrais do país com a peça "The Trojan Women" ("As Troianas"). O figurino da montagem foi todo concebido com materiais recicláveis.

"Tive de ir para fora para mostrar minha personalidade artística", diz ele, que tem 33 anos. Morando na Irlanda desde 2002, onde, além do teatro, participou de filmes e programas de TV, desde dezembro, ele tem voltado mais frequentemente ao Brasil para cuidar da montagem de sua produtora de TV e cinema, em Paraty (RJ).

A transformação de objetos descartados em vestimenta clássica foi resultado de um ano de pesquisa desenvolvida com o grupo "The Core Dublin", fundado por Rodrigues. "Os atores iam nas ruas procurar lixo e roupa velha para compor o figurino da peça", conta. Ainda que não seja propriamente figurinista, Rodrigues venceu outros dois concorrentes nesta categoria no "The Irish Times Irish Theatre Awards 2010", em 28 de fevereiro.

Esse viés de preocupação ambiental também faz parte do próximo projeto do ator e diretor. Disposto a manter a ponte aérea Dublin-São Paulo-Rio, Rodrigues conta que comprou - junto com um sócio irlandês - uma fazenda em Paraty para montar um estúdio de TV e Cinema ecológico. A mata nativa do lugar fará parte do cenário de "A Casa do Coração", um programa infantil que tem como proposta a educação ambiental dos telespectadores mirins, criado por ele, com colaboração da irlandesa Cleo Whittingham.

Ainda em fase de captação de recursos e montagem de cenários, a previsão é que a gravação dos episódios comece em 2011. Rodrigues pretende que o programa seja exibido tanto aqui quanto no exterior, e que parte do elenco seja formado por crianças e adolescentes em situação de risco que participam do projeto de formação artística da prefeitura de Itupeva, realizado pelo ator desde abril.

Expressão facial

Foi ainda criança que Rodrigues começou a tomar gosto pela arte de representar. Aos sete anos, sob influência da mãe, Terezinha Benetti, artista plástica e pedagoga, ele entrou para um grupo de teatro de Itupeva. "Eu era uma criança hiperativa", conta. Na adolescência continuou os estudos em Jundiaí, que também fica na região. Em 1997, aos 20 anos, veio para São Paulo para fazer o curso do ator Ewerton de Castro.

Nesse período começou a estudar a anatomia do rosto e a desenvolver técnicas de expressão facial. As anotações que fazia acabaram virando livro, publicado com o apoio do Rotary Internacional. "A Expressão Facial do Ator" foi o trampolim para que Rodrigues começasse sua carreira no exterior. Após a ajuda do Rotary, que divulgou a publicação em outros países, ele foi convidado para ir à Irlanda para expor a técnica, em 2000.

A partir dessa primeira experiência, voltou ao país em 2002, para batalhar pela carreira. Foram dois anos antes de firmar como ator e diretor, tempo em que, justamente, as performances de rua usando as técnicas de expressão facial serviram de meio de sobrevivência. Mais informações sobre o trabalho de Rodrigues estão no site www.rodrigorodrigues.tk.

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