"Boardwalk Empire" tenta retomar prestígio da HBO

Série criada por produtor de Sopranos e dirigida por Scorsese busca apagar vexame pós-recusa de "Mad Men"

Pedro Beck, especial para o iG Cultura |

Divulgação
Steve Buscemi em cena de "Boardwalk Empire"
Antes de se tornar a série mais aclamada pela crítica e vitoriosa em premiações recentes, "Mad Men" recebeu negativa da HBO quando seu criador Mattew Weiner ofereceu o piloto para a emissora, que por sua vez alegou não acreditar no sucesso do show.

Dois cenários paralelos sucederam esta recusa: o sucesso de "Mad Men" em todos os âmbitos, e a chuva de críticas da mídia especializada não só ao ato falho da emissora, mas a falta de qualidade no conteúdo recente exibido. Diversas séries estrearam prometendo ser a nova "Sopranos", mas nenhuma alcançou o sucesso de crítica, ou audiência esperada. Aos poucos, a tagline "It's not TV, it's HBO" se tornou uma piada na imprensa e um tiro no próprio pé para a HBO.

Com "Boardwalk Empire", o canal a cabo busca resgatar este prestígio perdido nos últimos anos. Criada por Terence Winter, produtor executivo de "Sopranos", e dirigida por Martin Scorsese - que também acumula o cargo de produtor executivo -, a série de época resgata a era da Proibição nos EUA, nos anos 1920, quando se tornou proibido vender álcool no país.

No centro disso, em Atlantic City, está o viúvo Enoch "Nucky" Thompson, interpretado por Steve Buscemi, sem exageros, um dos melhores atores vivos, que aqui, entrega um personagem de caráter duvidoso e personalidade ambígua: um dos responsáveis pela proibição do álcool em Atlantic City, Thompson é quem oferece à burguesia, uma festa com todo o álcool que seus convidados consigam beber.

O capricho da emissora em reviver os anos 1920 é tão notório que o telespectador, por algumas vezes, se perde no meio dos diálogos ao deslumbrar a riqueza não só dos cenários e locações, mas dos detalhes e caprichos da produção em ambientar o drama de época - deixando o telespectador boquiaberto com alguns costumes e "way of life" da época.

Quanto ao centro das ações, o ponto de partida da produção é o dia que antecede a proibição do álcool. Logo após o ato, como conta a história, muitos gângsteres e políticos se interessam no assunto, alguns para o bem, outros para o mal. Thompson é corrupto e um dos principais responsáveis pelo tráfico de bebidas. Consequentemente, o assunto logo chega aos federais, que tentam persuadir o braço direito de Thompson a trabalhar para o governo e contra Nucky.

O piloto também mistura muito bem personagens fictícios - como Thompson -, com gângsteres reais que fizeram nome na época, casos de Arnold Rothstein (Michael Stuhlbarg) e Charles "Lucky" Luciano (Vincent Piazza), além de uma rápida aparição de um certo gângster que cruza com Jimmy Darmody, personagen de Michael Pitt, e, ao se apresentar, diz se chamar Al Capone.

Em um gesto clássico para mostrar que acredita na série, a HBO prematuramente já renovou "Boardwalk" para uma segunda temporada. O drama, exibido aos domingos, teve a premiere mais assistida dos últimos seis anos da casa.

Os fantasmas de "Mad Men" e "Sopranos" ainda puxam o pé da emissora, mas a julgar pelo ponto de partida de "Boardwalk Empire", a premissa, o elenco, e até o dia e horário em que é exibida - o mesmo de "Sopranos" -, a série parece finalmente colocar o cabo de volta ao mapa das séries de conteúdo relevante. A série estreia no Brasil no dia 17 de outubro, na HBO. A conferir.

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