Bienal do Mercosul quer se estender 'no espaço e no tempo'

Curadores pretendem levar obras de arte para outros lugares; mostra começa em setembro em Porto Alegre

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Divulgação
José Roca, curador da Bienal do Mercosul
Com o tema "Ensaios de Geopoética", a 8ª Bienal do Mercosul pretende "se estender no espaço e no tempo", conforme seus organizadores manifestaram em coletiva de imprensa nesta terça, em Porto Alegre. A proposta é levar para outros espaços as obras de artes, que discutirão temas como territorialidade, nação e identidade, e fazer com a que a Bienal já comece nesta semana, a partir da abertura de um centro artístico no centro da cidade.

A oitava edição da Bienal do Mercosul acontece de 10 de setembro a 15 de novembro, tendo como artista homenageado o chileno Eugenio Dittborn. Uma coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (24 de maio) em Porto Alegre apresentou o projeto da mostra.

Segundo o colombiano José Roca, curador-geral desta edição, a Bienal do Mercosul tentou fugir do modelo tradicional das exposições artísticas e não ficará restrita aos tradicionais espaços do Museu de Artes do Rio Grande do Sul (Margs), dos armazéns do Cais do Porto e do Santander Cultural.

"O modelo que se repete na maioria das bienais é o de uma curadoria que escolhe o tema, visita países, escolhe artistas e reúne as obras em um mesmo espaço por um determinado período de tempo. É possível fazer de uma Bienal mais do que um projeto meramente expositivo", destaca.

Discutindo temas como territorialidade, nação, identidades culturais, relações entre países e culturas que extrapolam fronteiras políticas, a Bienal do Mercosul terá incursões também pelo interior do Rio Grande do Sul. Entre os 106 artistas convidados, vindos de 32 países, alguns deles exibirão seus trabalhos em cidades do interior, que já estão sendo visitadas para a coleta de informações que servirão de base para a criação de obras específicas sobre cada região.

"Se o território é o tema, nada melhor do que percorrê-lo, de forma a quebrar a ideia de que uma Bienal ocorre apenas em um espaço. A Bienal do Mercosul se estende no espaço e no tempo", explica José Roca.

Para se estender também no tempo, a Bienal do Mercosul abriu nesta terça a Casa M, um espaço cultural aberto em um velho casarão da rua Fernando Machado, no centro de Porto Alegre. Contando como biblioteca, ateliê e espaço para palestras e oficinas, a casa já conta como uma programação que busca reunir a comunidade artística local. "A Casa M é um espaço de convívio, encontro e diálogo também entre distintas liguagens artísticas", diz a curadora assistente Fernanda Albuquerque, responsável pela casa.

A mostra foi divida em sete grandes ações, como Continentes, Cadernos de Viagem e a exposição Além Fronteiras. Em Porto Alegre, dentro da ação Cidade Não Vista, os artistas preparam intervenções que chamem atenção para aspectos da cidade pouco percebidos pela população, como detalhes da arquiteturas de prédios históricos.

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