Bélgica encaminha-se para eleições antecipadas em junho

Bruxelas, 27 jun (EFE).- A Bélgica parece encaminhar-se irremediavelmente em direção à realização de eleições antecipadas no início de junho, um ano antes do previsto, após a oficialização ontem da queda do segundo Governo de coalizão presidido pelo democrata-cristão flamengo Yves Leterme.

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Bruxelas, 27 jun (EFE).- A Bélgica parece encaminhar-se irremediavelmente em direção à realização de eleições antecipadas no início de junho, um ano antes do previsto, após a oficialização ontem da queda do segundo Governo de coalizão presidido pelo democrata-cristão flamengo Yves Leterme. A direção do partido de Leterme, o CD&V, primeira força política em Flandres e na Bélgica, optou hoje pela antecipação eleitoral, após uma reunião extraordinária cujo resultado vai ser comunicado nas próximas horas aos parlamentares democrata-cristãos na Câmara e no Senado, segundo informou a agência belga. O rei aceitou ontem a renúncia do Governo Leterme, após ter tentado o retorno dos liberais flamengos (Open VLD) à mesa de negociação sobre a disputa do distrito eleitoral de Bruxelas-Halle-Vilvoorde (BHV). O Open VLD desencadeou na quinta-feira passada uma crise ao sair, de surpresa, das negociações, argumentando que os partidos francófonos tentavam atrasar novamente a cisão de BHV. Flamengos e francófonos se enfrentam pelo regime linguístico que deve existir nas povoações da periferia de Bruxelas, que pertencem territorialmente a Flandres, onde a única língua oficial é o holandês, mas nas quais vive uma minoria francófona de mais de 100 mil pessoas. Até agora, os francófonos de Halle e Vilvoorde puderam, como os que vivem em Bruxelas (bilíngüe), votar por listas francófonas e relacionar-se com a Justiça em francês. Todos os partidos flamengos pedem o fim desta exceção e querem uma decisão do tribunal constitucional reconhecendo o caráter anômalo do distrito eleitoral de BHV. Os cinco partidos da atual coalizão haviam demonstrado disposição em negociar uma solução definitiva sobre a base de uma proposta elaborada pelo mediador real, o ex-primeiro-ministro flamengo Jean-Luc Dehaene, quando ocorreu a saída repentina do Open VLD. A perspectiva de eleições antecipadas não agrada aos francófonos, que temem uma radicalização do eleitorado em Flandres e maiores dificuldades para resolver a disputa que ameaça seriamente a unidade do país. Constitucionalistas e observadores se mostram divididos sobre a legalidade das eleições que serão realizadas sem ter resolvido a disputa em torno deste distrito eleitoral. O risco de um bloqueio total e de uma "crise de regime" é grande, segundo advertiu ontem a vice-primeira-ministra socialista, Laurette Onkelinx. Os partidos flamengos ameaçam forçar na próxima quinta-feira na Câmara uma votação sobre a proposta de lei de cisão de BHV, que enfrentaria a maioria flamenga contra a minoria francófona, algo inusitado na história recente da Bélgica. A reunião de 1º de julho, data na qual Bélgica receberá da Espanha a Presidência rotativa da União Europeia, obriga ao país tentar uma solução para a situação política interna antes disso, por isso que existe a possibilidade de eleições antecipadas. Os principais jornais traziam hoje que a queda do Governo se deve à "irresponsabilidade" de todos. Os editoriais de ambas as comunidades (flamengos ao norte; francófonos ao sul) pela primeira vez estavam de acordo não só em que a responsabilidade pela nova crise é comum, mas também em que parece não existir uma saída para o episódio. O jornal francófono "Le Soir" divide a culpa entre os liberais flamengos do Open VLD, "por seu cálculo político que precipitou uma agenda infernal e mortal", e os francófonos, que "deixaram o problema sem apontar uma solução". A publicação considera a situação de "caótica" e aponta que escolher entre um acordo a qualquer preço ou realizar eleições que poderiam ser denunciadas como inconstitucionais é "como escolher entra a peste e a cólera". "Tragédia" e "cenário desolador", traz hoje "La Derniere Heure", outro jornal local. A autocrítica e o pessimismo também são visíveis na imprensa flamenga. "Todos os partidos do Governo têm sua parte de responsabilidade nas fracassadas negociações sobre BHV", aponta o jornal "Het Nieuwsblad". Outro dos grandes jornais flamengos, "De Standaard", aponta que "Bélgica está a ponto de ultrapassar os limites do absurdo". EFE jms-lmi/dm
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