Bastidores da peça "Um violinista no telhado"

Considerado um clássico dos palcos da Broadway, musical ganha megaprodução no Rio

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Cabides pelas escadas. Um assistente caçando atores para pôr os microfones. Fila para colocar as perucas. Gente se aquecendo, se alongando, se maquiando ou simplesmente fazendo um pequeno lanche. Os bastidores do musical “Um violinista no telhado” estão num frenesi só. Daqui a duas horas deverão estar todos a postos para mais um espetáculo. A peça, que se tornou um clássico desde do primeiro momento que foi montada na Broadway, na década de sessenta, ganha versão brasileira pelas mãos da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho.

Leia também: Entrevista exclusiva com José Mayer

Em cartaz no Oi Casa Grande, na zona sul do Rio, o fio condutor é o rústico leiteiro Tevye, interpretado por José Mayer . Pai de cinco filhas, ele vive em um vilarejo judaico encravado na Rússia czarista. Sempre em conflito para sobreviver e honrar as tradições religiosas, ele enfrenta problemas quando as filhas se rebelam contra os casamentos arranjados.

George Magaraia
José Mayer ensaia uma das coreografias com outros atores

São 17 músicos regidos pelo maestro Marcelo Castro, 160 figurinos, nove cenários distintos, três andares para acolher os 43 atores, sendo três crianças que se revezam no papel de violinista tocando no telhado cenográfico. No total, a produção conta com cerca de cem pessoas, só para auxiliar na coxia. É ali que a temperatura esquenta ainda mais, a somar com os quentes figurinos feitos com lã e muito pano.

A reportagem do iG teve acesso aos bastidores dessa megaprodução, repleta de efeitos especiais e envolventes números musicais.

George Magaraia
Detalhe da porta de um dos camarins
Canjica ou chá de maçã

Conforme os atores vão chegando, já se encaminham para seus respectivos camarins. Só José Mayer, o protagonista, tem um espaço reservado. São três andares para todo o elenco. No primeiro, além do camarim de Mayer, fica o das cinco atrizes que fazem suas filhas, sua mulher (Soraya Ravenle) e a divertida casamenteira (Ada Chaseliov). No andar acima estão os músicos, os mais idosos e os pretendentes das filhas. No último piso, os atores que fazem papel de soldados russos e demais bailarinos.

“A quinta-feira, para quem faz teatro, é como a segunda. É quando a gente volta ao trabalho após um rápido descanso, então é sempre este nervosismo, esta agitação toda que você vê por aqui”, explica Ada Chaseliov, enquanto mostra os três vestidos que troca ao longo dos 130 minutos de peça.

Mayer chega a ensaiar com os demais atores que repassam um dos números musicais no palco. Circula pelos corredores e se tranca no camarim. Uma assistente interrompe sua concentração. “A gente tem canjica, você quer um pouquinho?”, pergunta ela. “Canjica doce ou salgada?”, quer saber. “Ih, não sei. Vou ver e já te digo”. Ele logo se esquiva. “Não, não, obrigado. Vou ficar no meu chazinho”, diz ele, bebendo chá de maçã com mel.

George Magaraia
Atores fazem aquecimento das cordas vocais antes da apresentação

Aquecimento de voz

Tem gente com perna para o alto, se alongando na porta. As meninas se ajudam nas maquiagens. Cabideiros ficam posicionados nos corredores, porque em alguns momentos não há tempo para se trocar no camarim. O descompasso das vozes é sinal de que todos estão em aquecimento. A primeira sirene alerta que faltam quinze minutos para o começo.

Uma curiosidade. Dos 43 atores, apenas dez são de fato judeus. Alguns instantes mais, quando a terceira sirene tocar, o público terá certeza de que está diante de uma autêntica vila judaica. A ansiedade que antecede a apresentação é quebrada por uma rápida oração, na qual todos se reúnem no fosso, bem abaixo do palco. Aos berros, repetem: “Segura minha mão na sua/ para que juntos possamos fazer/ aquilo que eu não quero, não posso e não vou fazer sozinho. Merda!”.

A esta hora, as cortinas já estão se abrindo. É chegada a hora do pequeno violinista subir no telhado.

Confira fotos exclusivas dos bastidores da peça

Serviço:
Temporada até 18 de setembro
Teatro Oi Casa Grande - Av. Afrânio de Mello Franco, 290 – Leblon. RJ
Tel: (21) 2511- 0800
Quintas e sextas, às 21h. Sábados, às 17h30 e 21h30. Domingos, às 19h
Preços: de R$ 40 a R$ 150

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