Atualmente, expomos 5% da coleção; com nova sede, serão 20%

"Não teremos mais que optar entre acervo e mostras temporárias", afirma diretor Tadeu Chiarelli; leia entrevista ao iG

Augusto Gomes, iG São Paulo |

AE
Tadeu Chiarelli, diretor do MAC
Atualmente, as duas sedes do Museu de Arte Contemporânea (MAC) expõem aproximadamente 5% do acervo da instituição. Com a nova sede, a previsão é que esse número suba para 20%, a média normal dos grandes museus do mundo. Essa é a previsão do diretor do MAC, Tadeu Chiarelli.

Em entrevista ao iG , ele ainda falou sobre seus planos para a nova sede, o que acontecerá com as antigas e garantiu: cobrar ingresso não está em seus planos. Leia abaixo:

iG: A nova sede do MAC será inaugurada neste sábado?
Tadeu Chiarelli:
Neste sábado acontece a assinatura da permissão de uso do prédio. Esse complexo então passará a ser responsabilidade da Universidade de São Paulo. Até outubro, vamos implantar as outras dez exposições que queremos mostrar aqui no prédio e no anexo. Originalmente, tínhamos o edifício do Oscar Niemeyer e um anexo também projetado por ele, que era a antiga garagem. Quando foi pensando em reformar o edifício e adaptá-lo para o MAC, foram construídos mais dois anexos, um para a casa de máquinas e outro para a parte administrativa, restauro e conservação.

iG: O que vai acontecer com as outras duas sedes?
Tadeu Chiarelli:
Até o final deste ano ou começo do ano que vem, esperamos transferir as propriedades que temos no terceiro andar do prédio da Bienal para o prédio da Cidade Universitária e para cá. Quando desocuparmos aquele espaço, ele será devolvido para a Prefeitura de São Paulo. Já o prédio da Cidade Universitária passará por uma reforma depois que estivermos instalados aqui. Lá estarão concentrados arquivo, biblioteca, salas de aula, para as atividades acadêmicas. No Ibirapuera, vamos concentrar acervo, exposições, debates e cursos voltados para a população mais ampla.

Augusto Gomes
Nova sede do MAC
iG: O que vai mudar para o MAC com essa nova sede?
Tadeu Chiarelli:
O prédio do campus é um belo edifício de exposições. O problema é que ele é muito menor do que a nova sede. Qual é o drama? Muitas vezes tínhamos que retirar obras da coleção para mostrar obras de exposições temporárias. Na nova sede não será preciso fazer isso. Vai dar para mostrar uma belíssima exposição do acervo, com uma interpretação bacana da arte brasileira e internacional, e ao mesmo tempo produzir e promover mostras temporárias. Não teremos que optar entre uma ou outra. Isso para o público é muito legal.

iG: Quanto do acervo será possível expor?
Tadeu Chiarelli:
Acredito que em torno de 20%, pelo menos para a inauguração. Para depois, a programação vai ditar. Nesse momento, talvez apenas uns 5% do acervo estejam expostos. Em torno de 20% é uma média normal. A não ser que o museu tenha uma coleção muito pequena, ele nunca mostra tudo o que tem.

iG: Por que a reforma levou tanto tempo?
Tadeu Chiarelli:
O processo todo durou quase seis anos. A obra chegou a parar por seis meses porque descobriram que o prédio tinha cupins. Esse não é um edifício construído para ser um museu. E a gente sabe que construir é muito mais tranquilo que reformar. Eu não acho que cinco anos tenha sido uma exorbitância de tempo.

iG: Quanto a reforma custou?
Tadeu Chiarelli:
Segundo o governo do Estado, foram R$ 76 milhões. Até este sábado, o prédio é da Secretaria de Cultura. A responsabilidade da USP começa a partir da assinatura da permissão de uso. Hoje o MAC gasta em torno de R$ 2 milhões por ano, mas não faço ideia de quanto o novo prédio vai custar.

iG: Não há nenhuma estimativa do custo para manter?
Tadeu Chiarelli:
Não. Hoje, por exemplo, nós temos cinco curadores e mais um corpo de educadores com oito pessoas. É um contingente muito restrito. No campus e na Bienal, dava para segurar. Na nova sede, se a gente quiser manter a mesma qualidade, cinco curadores não dão conta. A reitoria está consciente disso. Por isso estamos pedindo, nesse primeiro momento, mais cinco curadores. No caso dos educadores, estamos estudando se é preciso duplicar ou aumentar em 50%.

iG: Vocês pretendem cobrar ingressos como fonte de recursos?
Tadeu Chiarelli:
O MAC tem entrada livre e a ideia é que se mantenha essa tradição. Desde que o museu foi fundado, há quase 50 anos, ele não cobra ingresso.

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