Ativista anti-governo chinês volta ao Twitter falando sobre comida

Artista plástico Ai Weiwei, famoso por suas críticas a Pequim, havia passado oitenta dias detido

BBC Brasil |

AFP
Ai Weiwei
O artista plástico e militante político chinês Ai Weiwei voltou a usar o Twitter após um silêncio de mais de quatro meses. Ai tornou-se um dos ativistas mais famosos do mundo ao usar sua conta de Twitter para atacar o regime chinês. Ele foi preso em abril e passou 80 dias detido.

Em junho, ele foi solto sob fiança, mas com a condição de não se manifestar publicamente. No final de semana, Ai Weiwei reativou sua conta no Twitter, mas evitou fazer comentários sobre política.

"Almoço 10 bolinhos, peso corporal recupera 3kg", escreveu Ai Weiwei no domingo, em um dos seus primeiros tweets em quatro meses. Ele teceu comentários sobre seu almoço e publicou algumas fotos - entre elas uma imagem de dois pés sobre uma balança, que acusa o peso de 97 quilos.

No dia 25 de julho, Ai Weiwei criou uma conta na nova rede social Google+ e publicou uma mensagem: "Eu estou aqui, saudações". O artista publicou uma foto sua com a legenda "Eis uma prova da vida" e várias imagens suas em Nova York nos anos 80 e 90.

O governo chinês afirma que o artista foi preso em abril por fraude fiscal, mas familiares e amigos de Ai Weiwei dizem que ele é vítima de perseguição política no país.

Ele ficou alguns dias em um local secreto, sem acesso a um advogado ou contato com a família. O artista está entre vários dissidentes que foram presos neste ano em uma ação do governo chinês contra críticos do Partido Comunista.

Ai Weiwei ficou famoso por desenhar o Estádio Ninho de Pássaro, usado nas Olimpíadas de Pequim de 2008. Após os Jogos Olímpicos, no entanto, ele passou a fazer fortes críticas às autoridades.

Durante o período em que ficou preso, diversas exposições na Europa comemoraram a obra do artista. Ele aceitou um convite para se tornar professor visitante da Universidade de Artes de Berlim, mas não há sinais de que ele poderá deixar a China para assumir o cargo.

    Leia tudo sobre: Ai Weiwei

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG