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Tiago Abravanel fala ao iG sobre o grande acontecimento dos palcos em 2011: a peça sobre a vida de Tim Maia. Quase não há mais ingresso

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Tim Maia chegou pontualmente. Ou melhor, Tiago Abravanel, o ator que vive o Tim em “Vale Tudo – O Musical”. O elenco se reuniu no teatro três horas antes de mais uma apresentação, conforme acertado com o iG . Com exclusividade para esta reportagem, a equipe gravou com quatro câmeras um clipe da música que dá nome ao espetáculo, considerado o melhor da temporada teatral de 2011. Baseado no livro homônimo de Nelson Motta, o musical consegue arrebatar o público já na primeira cena. A canção “Vale Tudo” , que abre a peça, representa os momentos finais da vida de Tim, fazendo link com o início de sua trajetória, ainda pelas ruas da Tijuca, bairro da zona norte do Rio.

O que o público acompanha a seguir é uma sucessão de hits e passagens marcantes da vida do cantor. A peça é vibrante, elétrica, pulsa forte em suas 2h40 de duração. “A grande responsável por este sucesso todo é a saudade que as pessoas têm do Tim”, diz Tiago. Sobre a música-tema da peça, ele fala que a liberdade é inerente à vida do artista. “Se pudesse defini-lo, diria que, além de artista, foi um ser humano sem limites. Era tudo ao extremo”, define.

A fila que se forma com horas de antecedência na porta do teatro Oi Casa Grande, no Leblon, é de gente que, na esperança de desistências, espera comprar ingressos restantes. Não custa lembrar: não há mais ingressos à venda até o fim desta temporada. Haverá apresentações extras no teatro João Caetano, do dia 6 de janeiro até 26 de fevereiro. Mas também já foram vendidos quase todos os 18.288 ingressos para as 16 apresentações do primeiro mês do ano. Em março é a vez de São Paulo receber Tim e sua trupe. A julgar pela empolgação também do elenco nos bastidores (veja abaixo galeria de fotos) e os aplausos que se sucedem a cada número musical, o sucesso se repetirá.

A seguir, um bate-papo com Tiago Abravanel , 24 anos, que diz não se contaminar com as peripécias do personagem que alavancou sua carreira.

Fabrizia Granatieri
Tiago e elenco em cena: musical com ingressos esgotados até janeiro

iG: O sucesso do musical se deve, em parte, ao saudosismo em relação ao Tim?
TIAGO ABRAVANEL:
Se o espetáculo está fazendo tanto sucesso, a grande responsável é essa saudade que as pessoas têm do Tim. A peça vem para matar a saudade até mesmo de quem não o conheceu, dos que têm a referência musical mas não sabem de quem se trata. Eu mesmo sou de uma geração que não conviveu com Tim Maia. Quando ele morreu, tinha 10 anos.

iG: O que representa para o espetáculo a música “Vale Tudo”, que o iG filmou com exclusividade?
TIAGO ABRAVANEL:
É o resumo do que ele realmente é. Principalmente no sentido da teatralidade. A gente teve ótimas direção e condução desse texto, onde era tudo uma grande brincadeira para se contar a história, mas sempre de maneira descontraída, como era o Tim. Vale tudo neste sentido, até mesmo um branquelo paulista fazendo um negão tijucano.

iG: É também a música que representa muito da vida do Tim, não?
TIAGO ABRAVANEL:
Claro. Se eu pudesse defini-lo, diria que, além de um artista, foi, acima de tudo, um ser humano sem limites. Não só na arte, mas na música, nas relações humanas, na vida pessoal. Se ele pudesse cheirar uma carreira de cocaína, cheirava 15. Se era para beber duas ampolas de uísque, ele bebia dez. Era tudo ao extremo.

iG: Acredita que se perdeu essa liberdade que ele propunha tão bem?
TIAGO ABRAVANEL:
Não sei se a sociedade encaretou... Mas acho que existem pudores que o Tim não tinha. Tem muitos artistas com essa função de fazer críticas e acreditar na música como um transformador social. Acho que ainda tem muito no mundo. A Lady Gaga é um exemplo disso. Ela não está nem aí, faz a música dela. Quem gosta, gosta. Quem não gosta, foda-se. Tim, se estivesse vivo, seria nesse estilo, entende?

iG: “Vale Tudo” é um hino à liberdade, inclusive, sexual?
TIAGO ABRAVANEL:
Eu acho. Acho que sim. Da liberdade de expressão, acima de tudo. A gente vive numa sociedade onde o ser humano está muito mais aberto a enxergar novos horizontes e entender novas posições sociais. Quer dizer, novas não. É hipócrita pensar que o homossexualismo é algo novo. Sempre esteve aí, desde os primórdios, dos homens das cavernas.

Fabrizia Granatieri
Tiago Abravanel: emoção do início ao fim

iG: Na sua vida, você leva esta música a sério? Vale tudo para o Tiago?
TIAGO ABRAVANEL:
Eu me coloco limites, porque a liberdade, apesar de ser importante, precisa de um limite. Existe o respeito. Tenho pudor nesse sentido de enfrentar o que realmente acredito, mas respeitando o que tem a minha volta. Então, para mim, vale quase tudo ( risos ).

Confira também: Outras canções de Tim Maia

iG: Sobre o envolvimento do Tim com as drogas... Como você encara o assunto?
TIAGO ABRAVANEL:
É muito delicado esse assunto. Não sei se o Brasil está preparado, no sentido de comportamento, de evolução mental e de educação para a legalização. Não uso drogas. Sou um ex-fumante. Inclusive parei de fumar há um mês e meio.

iG: Parou de fumar por causa do espetáculo?
TIAGO ABRAVANEL:
Parei quando vi que aquela porcaria não fazia bem para minha vida. E de repente mudei uma chavinha e vi que não precisava mais, que não sentia falta. Não tomei remédios. Para dizer que não troquei o cigarro por nada, troquei por uma garrafa de água.

Fabrizia Granatieri
Tiago antes de entrar em cena
iG: Mas já experimentou algum tipo de droga?
TIAGO ABRAVANEL:
Já experimentei maconha. Mas não é a minha, não foi agradável. Fiquei muito lesadão, não é legal. Acho que a droga mais pesada que usei foi a maconha.

iG: Ronaldo postou no twitter há uma semana uma foto com bigode , e foi comparado ao Tim. Quem é mais parecido ao cantor: você ou Ronaldo?
TIAGO ABRAVANEL:
Não vi a foto ( risos ). Graças a Deus tive um trabalho artístico onde as pessoas falam que sou igual ao Tim. Mas acho que não. A caracterização, bigode, corte de cabelo, maquiagem, tipo físico é que fazem isso.

iG: O seu avô, Silvio Santos, já veio te ver?
TIAGO ABRAVANEL:
Não veio. Espero que ele veja em São Paulo.

iG: Ao ver a peça, Carmelo Maia, filho de Tim, pediu para que uma cena fosse retirada. Como foi a negociação para mudar o texto?
TIAGO ABRAVANEL:
Na verdade foi um detalhe muito simples, nada demais. A gente mudou na hora. Nada que a gente fale: ‘Meu Deus do céu, como faremos?’. Foi uma mudança sutil e que a gente entendeu, não tem problemas.

iG: Ele pediu que tirassem a cena que mostrava a relação de Tim com Adriana Silva, uma fã que virou sua secretária e, segundo o livro e o musical, amante.
TIAGO ABRAVANEL:
Bem, foi mais ou menos isso. Não tenho autorização a falar mais, para não gerar nenhuma polêmica maior. Mas foi um detalhe sutil, nada que a peça saísse perdendo.

SERVIÇO :
"Tim Maia - Vale Tudo, o Musical"
De 6 de janeiro a 26 de fevereiro de 2012 (de quinta a domingo)
* Só há ingresso para fevereiro
Teatro João Caetano - Praça Tiradentes, s/n, Centro
Telefone: (21) 2332-9166 / 2332-9257
De 5ª a sábado, às 20h; domingo, às 19h
A partir de R$ 50,00

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