Artista plástico chinês Ai Weiwei terá mostra em Taiwan

Mostra tem o título de "Ausente", uma referência à proibição do artista de deixar a China

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Ai Weiwei
Um museu em Taiwan vai abrigar a partir do sábado a primeira exposição importante do trabalho do artista dissidente Ai Weiwei na comunidade chinesa fora da China continental, em uma iniciativa que pode desagradar a Pequim.

Famoso por seu trabalho no estádio olímpico "Ninho do Pássaro" em Pequim, Ai, cuja detenção por 81 dias este ano provocou indignação internacional, permanece sob vigilância na China. Depois de ser detido e mantido em dois locais secretos, ele foi libertado no final de junho .

Com o apropriado título de "Absent" (Ausente), já que a China proibiu Ai de viajar, a exposição ficará três meses no Museu de Belas-Artes de Taipé. São 21 trabalhos expostos, incluindo uma foto do braço de uma pessoa fazendo um gesto obsceno em direção à praça Tiananmen, em Pequim.

"Acho que o título 'Ausente' é uma reflexão interessante sobre esta mostra, sobre Taiwan, sobre a situação pessoal de Ai, sua arte e sua contribuição para as artes", disse Chang Fang-wei, diretor interino do departamento de exposições do museu.

China e Taiwan são governadas separadamente desde que as forças nacionalistas derrotadas fugiram para a ilha no final de uma guerra civil contra os comunistas, em 1949. A China nunca renunciou à possibilidade de uso da força para reintegrar Taiwan.

Mas, embora a liberalização política na China tenha sido pouca nas últimas décadas, Taiwan tornou-se democrática e se orgulha disso, rejeitando muitas das limitações que os chineses continentais veem como parte da vida, como a censura onipresente.

O artista disse à Reuters que está feliz por ter a oportunidade de expor em Taiwan, mesmo que não possa estar presente. "Fui informado que não serei autorizado a ir. Mas meus familiares irão", disse Ai, sem dar maiores detalhes.

Sua detenção suscitou protestos de muitos governos ocidentais diante da repressão crescente movida pela China contra a dissidência, algo que se intensificou em fevereiro, quando dezenas de dissidentes e ativistas pró-direitos humanos foram detidos.

Ai Weiwei é o mais conhecido internacionalmente dos que foram detidos, e sua família disse repetidas vezes que ele foi alvo das autoridades em função das críticas que faz à censura e aos controles do Partido Comunista.

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