Artista norte-americana transforma pessoas em "quadros vivos"

Alexa Meade usa corpos e roupas como tela e cria "interpretação própria da realidade"

iG São Paulo com AFP |

A artista plástica norte-americana Alexa Meade, 24 anos, não escolhe pessoas como modelo: ela pinta no próprio corpo de modelos, na pele e roupas, fazendo com que eles pareçam recém-saídos de um quadro, e logo os fotografa, seja num cenário natural ou num fundo também criado. O resultado é que os voluntários parecem, na verdade, "quadros vivos".

Entre os trabalhos da artista, expostos na Galeria Contemporânea Irvine de Washington, há um homem sob um guarda-sol, na praia, parcialmente oculto pela sombra. A sombra é real ou criada pelo pincel da artista? Essa ambiguidade entre o verdadeiro e o falso é a essência de seu trabalho, que mistura pintura, fotografia e performance.

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Artista usou corpo da modelo e parede para sugerir diferentes dimensões

Meade tem dezenas de criações como essas, nas quais usou amigos ou pessoas curiosas. "Minha paixão é a arte", disse numa entrevista.

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A jovem usa para o trabalho, no qual pode ficar de 10 a 30 horas pintando na pele e na roupa das pessoas, um preparo acrílico não tóxico e outros ingredientes. "Não é só a pintura, preciso ter em mãos entre 11 e 13 ingredientes diferentes", disse.

A mistura não pode secar tão rápido quanto numa tela comum, mas é mais flexível e não cria rachaduras. "Mesmo quando o produto final é uma fotografia, o processo envolve o compartamento do modelo e a aplicação da pintura e todos os outros componentes", disse. "Estou criando minha própria interpretação da realidade diretamente sobre a realidade."

Às vezes, durante o processo, o modelo precisa dirigir-se a algum lugar. Em alguns casos, até pega o metrô, provocando olhares de espanto. "As pessoas não entendem e muitas desviam o olhar", comentou a artista.

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Modelo pintado como um quadro é flagrado dentro de metrô em Washington
Nascida em Washington, Meade nunca fez nenhum curso de pintura. Estudou ciências políticas em Nova York e até trabalhou para Barack Obama durante a campanha eleitoral de 2008, sem jamais parar de pintar. "Percebi que mesmo que a política seja o máximo, a pintura era a minha paixão e não gostaria de fazer outra coisa", afirmou.

Martin Irvine, o dono da galeria, acha que Meade conseguiu algo original. "É muito difícil, no mundo da arte, desenvolver um conceito novo. Ela encontrou uma maneira de trabalhar em três dimensões", concluiu.

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