"Síndrome de Guernica", de Fernando Sánchez Castillo, dá um novo rumo à embarcação que pertenceu ao General Franco

Síndrome de Guernica, do artista espanhol Fernando Sánchez Castillo
EFE
Síndrome de Guernica, do artista espanhol Fernando Sánchez Castillo
Usado como uma embarcação de lazer pelo ditador espanhol Francisco Franco e abandonado em uma região de Burgos, no centro da Espanha, o iate Azor volta a ganhar destaque ao ser transformado em obra de arte.

Intitulada "Síndrome de Guernica", a obra é assinada por Fernando Sánchez Castillo - um dos artistas espanhóis com maior projeção internacional - e será exposta no Matadero Madri até o próximo dia 18 de março.

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Com 47 metros de comprimento e 10 metros de largura, a embarcação foi o iate de passeio de Franco e sua família e, principalmente, cenário de feitos históricos, como as "conversas do Azor" entre Don Juan de Borbón, pai do rei espanhol, e o General.

Já na fase democrática, o socialista Felipe González utilizou o iate em suas polêmicas férias quando era presidente. Mas, em 1990, o Estado resolveu leiloar a embarcação especificando que seu destino seria o desmantelamento. No entanto, seu comprador quis transformá-lo, sem sucesso, em um local de lazer.

Desde então, o Azor descansou nos arredores de Cogollos (Burgos), sendo convertido em uma atração turística para os nostálgicos e os demais visitantes.

No final de 2011, o artista Fernando Sánchez Castillo comprou o tal iate para transformá-lo em uma obra artística com forma de prisma. "O prisma é uma forma geométrica caracterizada por sua personalidade construtiva e sua ausência de referências sentimentais e emocionais", afirma no catálogo da exposição Manuela Villa, coordenadora de conteúdos do Matadero Madri.

Transformando o iate em ferro-velho e cubos de material prensado, Castillo deu outro rumo à história de uma embarcação destinada a ficar próximo ao poder.

O artista espanhol, que desenvolveu boa parte de sua carreira na Holanda, aborda habitualmente em seu trabalho os símbolos estabelecidos com um ponto de ironia, os quais questionam a relação entre arte, poder e história.

Seu trabalho se aproxima da historiografia, do jornalismo e das ambíguas relações entre o poder e sua propaganda. Sánchez Castillo já participou de exposições coletivas em alguns dos museus e galerias mais importantes do mundo, como a Tate Modern (de Londres), o Moma (de Nova York) e a Bienal de Veneza.

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