Artista cobre paredes do Guggenheim com cem mil notas de US$ 1

Alemão Hans-Peter Feldmann usou dinheiro ganho em prêmio para questionar o valor das obras de arte

AFP |

Divulgação
Notas dão sensação de cortina verde e branca
Cem mil notas de um dólar são usadas para adornar as paredes do Museu Guggenheim de Nova York em uma impactante instalação do artista alemão Hans-Peter Feldmann, que decidiu usar desta forma o dinheiro obtido em um prêmio de arte contemporânea.

A instalação, apresentada até o fim de novembro, exibe notas de um dólar em 9 paredes com um total de 45 metros de comprimento por 5 de altura. As notas, que já estiveram em circulação, estão penduradas verticalmente em fileiras perfeitas, dando uma curiosa impressão de cortinas verdes e brancas.

O autor, o artista alemão Hans-Peter Feldmann (Dusseldorf, 1941), venceu a edição 2010 do Prêmio Hugo Boss, em reconhecimento a uma trajetória significativa na arte contemporânea, que lhe valeu US$ 100 mil dólares em dinheiro e a possibilidade de expor no Guggenheim.

A ideia de Feldmann foi utilizar o dinheiro de forma explícita na exposição, seguindo "a obsessão de toda a vida do artista de colecionar material familiar, agrupando-o de uma forma simples que mostra um jogo de similaridade e diferença", segundo a curadora assistente do Guggenheim, Katherine Brinson.

"As notas são, como as obras de arte, objetos que não têm valor inerente além do acertado pela sociedade que investe neles, e ao usá-las como seu meio, Feldmann desperta perguntas sobre noções do valor na arte", acrescentou.

O artista "também tem um histórico de resistir a estruturas comerciais do mundo da arte, exibindo sua arte sem assinatura, em edições não limitadas e retirando-se durante quase uma década nos anos 80", continuou Brinson.

Feldmann obteve o Prêmio Hugo Boss 2010 por ser considerado "uma influência chave para gerações de jovens artistas" a partir de um trabalho que mostra "uma vitalidade e uma entusiasmada originalidade que o coloca entre (os autores de) as obras mais irresistíveis produzidas hoje em dia", informou o júri.

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