"Arte não é só para milionário", diz organizadora da feira PARTE

Evento que acontece neste final de semana em São Paulo apresenta obras que custam até R$ 15 mil

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Começa nesta sexta-feira (18), em São Paulo, a primeira edição da feira de arte contemporânea PARTE . O intuito de suas organizadoras, a artista plástica Lina Wurzmann e a advogada Tamara Brandt Perlman, é mostrar que o consumo de obras de arte não se reduz a uma elite econômica. Por isso, as peças expostas na feira custam até R$ 15 mil.

A exposição, que acontece até domingo (20), reúne obras do acervo de 22 galerias. O evento também promove bate-papos com artistas, galeristas, curadores e colecionadores, além de oficinas de criação para crianças.

Em entrevista ao iG , Tamara Perlman falou sobre sua relação com o universo da arte e como a feira pretende quebrar o muro que existe entre o grande público e o consumo de obras.

iG: Como surgiu a PARTE?
Tamara Perlman:
Existe um mercado que não está bem atendido. Gente que vive o mundo da arte, mas não consome arte. Do outro lado, há artistas com obras bacanas, mas sem espaço pra expor. A PARTE nasceu dessa mistura. Da minha visão de gente querendo comprar arte, conviver com arte, e a necessidade dos artistas.

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iG: Você tem obras de arte em sua casa?
Tamara Perlman:
Tenho muitas gravuras, algumas pinturas, esculturas que ganhei. Eu sou bem o perfil do meu público, tenho medo, dúvidas, pesquiso. Aí dois meses depois penso de novo. A Lina é mais desenvolta. Ela coleciona obras de arte desde sempre.

iG: O valor máximo cobrado por uma obra na PARTE será R$ 15 mil. Qual é o valor médio?
Tamara Perlman:
Cerca de 50% das obras vão custar até R$ 3 mil.

iG: Como se chega nesse preço?
Tamara Perlman:
As galerias determinam o valor dos trabalhos. A gente não se meteu nisso. O papel da PARTE é deixar a informação sobre cada peça disponível. Essa questão do preço é quase um tabu. Existe quem acredita que divulgá-lo diminui a obra. Eu discordo. Preço é uma informação necessária, assim como a trajetória do artista, onde ele já expôs, se ganhou prêmios.

iG: Todas as obras terão essas informações na PARTE?
Tamara Perlman:
Sim, as obras vão estar etiquetadas. Isso facilita muito, porque geralmente a pessoa vai na galeria de arte contemporânea e encontra uma exposição conceitual, que é linda, mas não cabe na sua sala. Aí ela precisa pedir pra ver o acervo, e nem todo mundo sabe disso. Depois ela pergunta o valor e descobre que é R$ 60 mil. Aí não pergunta mais. Tem gente que acha que não pode consumir arte, mas pode. Não é só para milionário.

iG: No caso específico da fotografia, como o consumidor sabe que está comprando um original?
Tamara Perlman:
É difícil. A questão toda é de autenticidade. Você tem de comprar de uma galeria séria e de um fotógrafo sério. Isso vale pra qualquer obra, não apenas fotos. Você tem de receber da galeria um certificado de autenticidade. Nele deve constar quem é o fotógrafo, qual material foi usado, o tipo de papel, durabilidade e qual é a edição da fotografia. É importante saber se ela é única ou se é de uma série de cinco, por exemplo.

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iG: Qual o suporte que os artistas novos estão usando mais?
Tamara Perlman:
Hoje em dia existe de tudo. Na PARTE tem mais fotografia, mas também teremos pinturas e muitos objetos, que não são necessariamente esculturas, mas algo entre uma escultura e alguma coisa. Vídeo é algo pouco recebido. É difícil alguém comprar um vídeo. Só vi na casa de alguém uma vez. Instalação também é difícil, a não ser que tenha tamanho reduzido.

PARTE
De hoje (dia 18) a domingo (dia 20)
Rua Lisboa, 904, Pinheiros, São Paulo
Dias 18/11 e 19/11, das 12h às 22h; 20/11, das 12h às 18h
Ingresso: R$ 15 (gratuito para crianças de até 10 anos)

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