Obras dialogam com tecnologia; exposição traz até pista de dança que interage com visitante

Não foi de propósito, mas o júri do edital Rumos Arte Cibernética, do Itaú Cultural, selecionou na última edição do programa, de 2009, apenas criações de artistas jovens. "Existe uma demanda muito grande nesse segmento", diz Marcos Cuzziol, gerente do Itaulab, núcleo de arte cibernética da instituição.

As obras escolhidas no edital foram produzidas pelo Itaú – sendo três prêmios para trabalhos de até R$ 50 mil e cinco de até R$ 25 mil – e agora são apresentadas para o público em mostra que ocupa todo o prédio do instituto, na Avenida Paulista. Além das oito criações inéditas, duas, do edital de 2006, também foram incorporadas à exposição.

Divulgação
"Idance", obra de Leandro Trindade
É a interatividade que permeia a mostra deste Rumos, com obras que misturam tecnologia e poética. "Cibernética trata de interação entre agentes, que podem ser máquinas, softwares, sistemas ou pessoas", explica Cuzziol, exemplificando ainda que até uma peça de teatro pode ser considerada "cibernética".

Por três andares do Itaú Cultural, as dez instalações, todas de brasileiros, são diversificadas, mas, curiosamente, algumas características destacam-se na exposição, como a recorrência do som em muitos trabalhos; criações com robótica, o que Cuzziol acha interessante em se tratando do Brasil; e "uma tendência de trabalhar entre o real e o virtual". Um seminário ocorre paralelamente à exposição.

A complexidade cibernética, muitas vezes, é algo mais dos bastidores do processo de criação de obras que se utilizam da tecnologia. Quando o visitante da exposição chega a uma instalação como "Idance", do curitibano Leandro Trindade, basta a ele, literalmente, apenas se movimentar – ou dançar, se quiser. É uma obra que Cuzziol acredita ter, até mesmo, um potencial "mercadológico" – um software cria imagens e sons ao reagir com as pessoas, "diferente do trabalho de DJ".

O movimento também é o gatilho da obra "12i - A Roda da Vida", do paulistano Marcio Ambrosio. Em uma homenagem ao zootrópio, máquina circular criada no século 19 na qual desenhos giram ganhando vida, o trabalho contemporâneo de Ambrosio pede que o espectador crie animações com 12 imagens.

Mas a interatividade pode ser suave também ou apenas contemplada. É o caso dos trabalhos "Reações Visuais", do mineiro Leandro Araujo – o ruído captado da esquina da Paulista com a Rua Leôncio de Carvalho faz reconstituir em imagem uma paisagem da mata atlântica.

Serviço – Rumos Arte Cibernética
Itaú Cultural, São Paulo (Avenida Paulista, 149)
De 30 de junho a 4 de setembro de 2011
Terças a sextas, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca
Informações: (11) 2168-1776

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