Após 43 anos, obras de Tarsila do Amaral chegam ao Rio de Janeiro

"Tarsila do Amaral - Percurso Afetivo" terá 47 telas da artista; "Antropofagia", de 1929, é o detaque da exposição

iG com AE |

Divulgação
Pintura de Tarsila do Amaral
A pintora modernista Tarsila do Amaral volta a ter uma exposição no Rio de Janeiro neste ano. "Tarsila do Amaral - Percurso Afetivo" será aberta ao público hoje (14/02) pelo Centro Cultural Banco do Brasil, 43 anos após a última mostra da artista.

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São ao todo 47 telas das mais representativas de sua trajetória, sendo a estrela "Antropofagia", de 1929, um dos gatilhos do Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade, então seu namorado.

Nada de "Abaporu", que o Brasil perdeu para a Argentina nos anos 90 e que em 2011 já havia sido trazido do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires para uma exposição em Brasília, a pedido da presidente Dilma Rousseff. Três anos antes, o quadro viajara para uma mostra da Pinacoteca do Estado.

"É difícil conseguir as grandes obras para fazer uma exposição sobre Tarsila. As pessoas vão ao Malba para ver o "Abaporu", eles não podem ceder toda hora", sua sobrinha-neta, homônima, justifica. "Esta é uma boa oportunidade para as pessoas verem quadros como "Urutu" e "Antropofagia", que mistura elementos do "Abaporu" e de "A Negra" (outra estrela fora da mostra, por estar em exposição no MAC USP)."

O curador, Antonio Carlos Abdalla, lembra que o fato de sua obra como pintora não ser tão extensa - cerca de 300 telas - é outro entrave. "Ela talvez seja das artistas brasileiras de maior requisição no Brasil e internacionalmente", diz. "De certa forma, foi bom que o "Abaporu" não tenha vindo, porque a gente corria o risco de fazer uma exposição dele, e não da Tarsila."

Há 12 anos cuidando do legado da tia-avó, Tarsilinha tentou montar uma exposição como esta, que tem 85 obras, cedidas por museus e colecionadores particulares, entre pinturas, desenhos, objetos e gravuras, dois anos atrás. Mas a falta de patrocínio frustrou sua iniciativa: os custos envolvem seguros caríssimos (que podem chegar a 10% do orçamento) e envio de equipe especializada para manusear as obras.

Assim, Tarsilinha participa desta mostra como curadora. Foi ela quem cedeu a Abdalla o álbum de viagens da tia-avó que norteou seu trabalho na montagem da exposição.

Entre 13 de janeiro e 18 de fevereiro de 1926, Tarsila e Oswald, um pouco antes de oficializarem o casamento (já viviam juntos desde 24), fizeram uma viagem que incluiu Europa e além (Turquia, Síria, Egito, Chipre, etc).

Apaixonada, ela colecionou souvenirs como cartões de visita, contas de restaurantes e de hotéis e os colou com fotos suas e de Oswald. Era um caderno sem pauta como outro qualquer, mas que se tornou uma relíquia de família. Tarsilinha pretende lançá-lo em fac-símile, numa edição caprichada - mas novamente vai precisar de patrocínio.

Os sentimentos derramados em suas páginas e também a falta dos outros quadros levaram Abdalla a dispor as obras seguindo um critério menos acadêmico do que de costume. Em vez de separá-las nas diferentes fases de sua carreira - "pau-brasil", "antropofágica", "social" - escolheu dispô-las em temas.

Tarsila do Amaral - Percurso Afetivo - CCBB (Rua Primeiro de Março, 66, Rio). Tel. (21) 3808-2020.
9h/21h (fecha 2ª). Grátis. Até 29/4.

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