Antigo rei da noite carioca reinaugura tradicional casa de shows

Chico Recarey volta à cena com novo Scala, mas sem o glamour do antigo imóvel retomado pelo governo do Estado

Carmen Moreira e Mariana Wachelke, iG Rio de Janeiro |

Na noite de quinta-feira (14), o empresário Chico Recarey reinaugurou o Scala, no Centro do Rio de Janeiro. Depois de 26 anos de altos e baixos no antigo endereço do Leblon, bairro nobre da cidade, o local onde funcionava a casa de espetáculos foi fechado devido à derrota judicial que propiciou a retomada do imóvel pelo governo do Estado. O novo endereço nem de longe lembra o luxo dos velhos tempos de zona sul. Espremido entre uma lanchonete e um restaurante a quilo, o letreiro listrado azul com o nome Scala em amarelo e vermelho indicava timidamente a volta do tradicional destino da noite carioca. Além disso, como se pode notar pelas fotos da galeria abaixo, a reabertura foi precipitada. As instalações ainda estão bastante precárias e, a decoração, inacabada.

O produtor Bruno Malta justifica afirmando que a festa foi antecipada em uma semana para conciliar o evento com a agenda da dupla Yolanda Be Cool, formada por Sylvester Martinez e Johnson Peterson, conhecidos pelo hit “We No Speak Americano”. “Queríamos uma grande atração e o duo representa a música mais tocada no mundo nas últimas semanas”, disse. E aproveitou para adiantar que as festas tradicionais do Scala como Favela Chique e Ausländer Fashion Party vão voltar à programação.

Recomeço

Com três mil metros quadrados, apenas a metade do original, o Scala quer voltar a ter relevância no cenário cultural da cidade, abrigando shows, peças teatrais e festas. Até o retorno dos tradicionais bailes de carnaval está programado. “Acreditamos no Centro. É uma área que está se valorizando na cidade, principalmente depois da reforma do Theatro Municipal”, explicou Francisco Recarey Jr, o Chiquinho, filho do empresário que também administra a rede Pizzaria Guanabara e a casa de shows Asa Branca.

De frente para a lateral do prédio histórico do Municipal, o empreendimento ocupou o lugar de um antigo bingo, que funcionou durante dez anos na Rua Treze de Maio. “O imóvel é nosso há 25 anos, e há dois estava fechado, esperando por uma oportunidade”, completou Chiquinho, que trabalha com o pai desde os 16 anos de idade.

Divulgação
A fachada do antigo Scala que funcionou por 26 anos no Leblon

Espanhol, Francisco Recarey Vilar, hoje com 67 anos, chegou ao Brasil ainda adolescente. Sem muita instrução, conseguiu um emprego de garçom. Juntou dinheiro e comprou um bar poucos anos depois. Foi o primeiro de dezenas de imóveis comerciais que conquistou no Rio. Na década de 80, chegou ao auge e passou a ser conhecido como “rei da noite” – só dividia os holofotes e as colunas sociais com o rival e também empresário do ramo Ricardo Amaral.

No final dos anos 90, no entanto, seu império começou a desmoronar. Devendo uma quantia milionária em aluguéis, grande parte de seus bens foram a leilão. Foi acusado e multado algumas vezes por crimes de sonegação fiscal, furto de energia elétrica, além de ter seu nome envolvido com a máfia dos caça-níqueis, no Rio. Agora, com o novo Scala, Recarey quer movimentar a noite do Centro e, quem sabe, recuperar pelo menos parte do reino que um dia já foi todo seu.

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