Ana Lúcia Torre vive "supermãe" em comédia em São Paulo

Atriz protagoniza "Como Se Tornar uma Supermãe em 10 Lições" e garante: mães neuróticas existem aos montes por aí

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Lá se vão décadas de carreira e vários papéis memoráveis, mas Ana Lúcia Torre foi explodir em 2011, aos 66 anos, como a Tia Neném da novela "Insensato Coração", na Rede Globo. O grande sucesso do personagem cômico surpreendeu a atriz, cuja trajetória está intimamente ligada aos palcos. E é para o teatro que ela volta a partir desta sexta-feira (13), em São Paulo, com a estreia da peça "Como Se Tornar uma Supermãe em 10 Lições" – novamente, uma comédia.

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Danton Mello e Ana Lúcia Torre em "Como Se Tornar Uma Supermãe em 10 Lições"
O texto é baseado no best-seller "Manual da Mãe Judia", do norte-americano Dan Greenburg, que lembrava as agruras impostas pela superproteção e marcação cerrada de sua mãe. O livro inspirou montagens no mundo inteiro, mas a versão francesa, a primeira e mais bem-sucedida, é usada até hoje nas adaptações, inclusive essa no Brasil (houve uma anterior, levada a cabo por Wolf Maya).

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A peça é a terceira colaboração do diretor Alexandre Reinecke com Ana Lúcia, com quem trabalhou antes em "Arsênico e Alfazema" e, mais recententemente, no drama "Seria Cômico Se Não Fosse Sério". Apesar do bom humor do material de "Supermãe", a atriz garante que as situações exageradas da mãe judia e o filho, interpretado por Danton Mello, não escorregam para a caricatura.

"Nem pensar", diz Ana Lúcia ao iG . "Até podem achar que seja um exagero, mas é muito real. Outro dia várias pessoas vieram falar comigo, lembrando das avós, mães, e que a personagem não faz nem metade do que elas faziam. Uma delas disse: 'Tenho três filhos e sou exatamente assim, talvez pior'. Uma ré confessa."

Se a comédia parece ser o território natural da atriz, ela explica que não é sem muito esforço. "Adoro fazer comédia, embora ache muito mais difícil do que fazer chorar. É necessário precisão absoluta e timing. Quanto mais a sério você encara um personagem de comédia, mais engraçado ele fica. E quanto mais caricatura, menos engraçado. A verdade do personagem faz com as pessoas se identifiquem. Elas até podem rir, mas não vão se identificar com a caricatura. E quando se identificam, aí é uma delícia, porque a risada é genuína."

A atriz nega que tenha se espelhado em sua própria vida para compor a matrona. "Tenho um filho, único como eu. Tive a sorte de ser educada para o mundo, e não apenas para meus pais. Procurei ter esse mesmo cuidado." Mesmo assim, o rapaz – o músico Pedro Lobo, de 25 anos – se encarregou de compor a trilha sonora do espetáculo. Ela nega, no entanto, que tenha sido para mantê-lo por mais tempo a seu lado.

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Ana Lúcia Torre: "Quanto mais a sério você encara um personagem cômico, mais engraçado ele fica"
A fama tardia e a abundância de propostas não alteraram a rotina de Ana Lúcia. Aliás, quanto mais o tempo passa, ela afirma, melhor. "É muito gostoso [o assédio], mas tenho a cabeça no lugar. Quanto mais 'entas' acumulo, melhor vou ficando como pessoa. Foi assim já no primeiro 'enta' [quarenta]. A vida vai te dando mais compreensão, paciência. Fiz uma conta no ano passado, eram 66 anos e 66 trabalhos. Mas agora o trabalho já passou a idade", ri.

No horizonte da atriz, estão um novo trabalho no cinema (após o elogiado "Reflexões de um Liquidificador" ) e sua estreia na direção de um espetáculo. O primeiro é um longa-metragem do diretor global Luiz Henrique Rios, a partir de um dos contos de "Sagarana", de Guimarães Rosa, com um elenco estrelado (Caio Blat, Maria Flor, Vera Holtz, Alexandre Borges, Lima Duarte, Milton Gonçalves e Guilherme Weber).

O segundo partiu do convite de três atrizes cariocas, que vão levar aos palcos um texto inspirado nos poemas da norte-americana Sylvia Plath. "Para mim foi uma surpresa, não sei se eu me atraveria a fazer isso [dirigir] sem o convite delas, talvez nunca teria me entusiasmado", confessa. O espetáculo, porém, ainda está no estágio inicial de pesquisa. "Nao estou ainda nem pensando."

"Como Se Tornar Uma Supermãe em 10 Lições" inicia temporada no Teatro Gazeta sem data certa de despedida. "A gente cruza os dedinhos para não saber quando vai acabar", revela a atriz, ciente de que a resposta depende da recepção do público. Por enquanto, a julgar pelos ensaios abertos do último final de semana e da exibição para convidados, o calendário vai ser comprido. "Foi um escândalo."

"Como Se Tornar uma Supermãe em 10 Lições"
Teatro Gazeta (avenida Paulista, 900)
Sextas, às 22h30; sábados, às 22h; Domingos, às 20h
Ingressos: R$ 50 (sexta e domingo) e R$ 60 (sábado)
Vendas: (11) 4003-1527 ou pela internet
Informações: (11) 3253-4102

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