Ai Weiwei lança primeiro ataque contra Pequim após libertação

Artista escreveu artigo na revista Newsweek acusando regime chinês de negar direitos básicos aos cidadãos

EFE |

AFP
Ai Weiwei um dia após sua libertação
O artista e dissidente chinês Ai Weiwei usou um artigo jornalístico para lançar seu primeiro ataque contra o Governo chinês desde sua libertação, em 22 de junho , após 81 dias de detenção. Weiwei havia concordado com as autoridades em ficar em silêncio em troca de sua liberdade.

"Não sei se as autoridades vão fazer alguma coisa contra mim", afirmou Weiwei à Agência Efe por telefone. "Eu não diria que (o artigo) não é uma crítica, mas se trata mais da minha opinião sobre a cidade. Continuo sofrendo restrições, como publicar no Twitter ou dar entrevistas à imprensa".

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Em seu artigo, publicado em uma coluna da revista Newsweek, Weiwei acusa o regime chinês de negar aos cidadãos seus direitos básicos. "Há escolas de emigrantes que fecham. Há hospitais nos quais suturam os pacientes, e quando descobrem que estes não têm dinheiro, tiram os pontos. É uma cidade de violência", escreveu o artista, de 54 anos, ao se referir a Pequim.

Weiwei foi libertado em junho, mas pesam sobre ele acusações de evasão de impostos. Tanto o artista como sua família negam, considerando-as uma desculpa para silenciar suas opiniões. Segundo seus familiares, o criador do Ninho do Pássaro, uma das principais construções das Olimpíadas de Pequim 2008, obteve sua liberdade em troca de manter silêncio na internet e de não conceder entrevistas para falar sobre sua prisão.

A família explicou à Efe em junho que Ai sofreu torturas psicológicas durante os três meses que esteve preso. Segundo eles, dois guardas o olhavam fixamente durante 24 horas por dia, inclusive durante o banho. Weiwei esteve recluso em um pequeno espaço no qual só havia uma cama.

"O pior de Pequim é que nunca se pode confiar em seu sistema judiciário. Sem confiança, não se pode identificar nada: é como uma tempestade de areia. Tudo muda constantemente segundo a vontade de outro, de quem está no poder", continuou o artista em sua coluna.

Filho do venerado poeta revolucionário Ai Qing, o artista manifestou em seu artigo que não se sente identificado com Pequim. "Não se consegue respostas das autoridades. Minha esposa escreveu pedidos e telefonou à delegacia todos dias apenas para saber onde estava seu marido. Não há documentos, não há informação", acrescentou.

Weiwei ressaltou que em Pequim você se encontra totalmente isolado porque a memória da cidade foi totalmente apagada. "Você não sabe quanto tempo vai estar aqui, mas sabe com certeza que podem fazer algo contra sua pessoa". O artista, feroz crítico do regime comunista, concluiu seu texto traçando um paralelo entre Pequim e "O Castelo", de Franz Kafka, ao alegar que "Pequim é um pesadelo. Um constante pesadelo".

Com o artigo, Weiwei volta a desafiar o pacto de silêncio que mantém com o regime. No último dia 9 de agosto, ele denunciou em seu Twitter as prisões e maus tratos que sofreram outros dissidentes. Sua detenção foi a de maior repercussão entre as centenas que o regime comunista chinês realiza desde fevereiro, em uma campanha de ameaças, assédio, prisões e torturas contra intelectuais, advogados e artistas para evitar em seu território algo parecido com a "Primavera Árabe".

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