"A Tempestade" estreia hoje nos palcos de São Paulo

Com direção de Marcelo Lazzaratto e tradução de Barbara Heliodora, texto de Shakespeare chega ao teatro Raul Cortez

AE |

Divulgação
Cartaz do espetáculo "A Tempestade"
Com a "Tragédia de Romeu e Julieta", inspirada no clássico de William Shakespeare (1564-1616), o diretor Marcelo Lazzaratto conquistou o prêmio Femsa de melhor produção em 2010. Neste ano, o espetáculo "Do Jeito que Você Gosta", do escritor britânico, rendeu a ele uma indicação ao prêmio Shell. Agora, a parceria com o trabalho de Shakespeare faz Lazzaratto levar ao palco "A Tempestade", apontada como a última peça escrita pelo dramaturgo. Com tradução de Barbara Heliodora, crítica teatral e especialista na obra do autor britânico, a montagem estreia hoje no Teatro Raul Cortez.

Se em "Do Jeito que Você Gosta" a filha de um duque é expulsa e tem de fugir para a floresta, em "A Tempestade" o duque de Milão e sua filha vão parar numa ilha depois dele ser traído por seu irmão e perder o título. "Todos os homens são sujeitos à traição. Shakespeare nos ensina a não esconder isso, mas a aprender a lidar com elas", destaca o diretor.

No palco, a trama começa com uma forte tempestade atingindo um navio, que traz a bordo a nobreza italiana, incluindo os responsáveis pela queda do duque. Aqui, vale ressaltar a inteligência do cenário de André Cortez, que conta com uma estrutura metálica com portas e diferentes níveis, que faz as vezes de navio, casa, cela. Além disso, abriga o vaivém dos 17 atores e o trio que toca ao vivo a trilha sonora do espetáculo, composta por André Abujamra.

Com a tormenta, a embarcação vai parar na ilha onde o ex-duque Próspero (o veterano Carlos Palma) e sua filha Miranda (a estreante no teatro Thayla Ayala, que fez a Amanda de "Ti-ti-ti", na Globo) vivem há 12 anos. Os náufragos são então separados em três núcleos e a vingança de Próspero - uma espécie de mago, responsável pela força da chuva -, começa a se desenrolar. Para isso, ele tem dois servos, o malvado Calibã (Francisco Brêtas), que tenta se livrar do mestre, e o iluminado Ariel (Paulo Goulart Filho), que será libertado depois da desforra ser concluída.

Enquanto Próspero segue com seu plano, sua filha cai de amores por Ferdinando (Sérgio Abreu), filho do Rei de Nápoles, que acredita ser o único sobrevivente do naufrágio. Para ficar perto de sua amada, o jovem aceita virar escravo de Próspero, figura onipresente em todo o espetáculo.

Com mais de duas horas de duração, o espetáculo não se torna cansativo graças ao número de personagens, que rumam para um final em que tudo se encaixa. Outro destaque é a valorização do lado místico do texto, o que ganha força com a presença de outras entidades, além de Calibã e Ariel. Ao final, a peça mostra um voto de confiança na humanidade. Ainda que Shakespeare, apontado como alter ego de Próspero, faça isso com alguma amargura.

A Tempestade - Teatro Raul Cortez (Rua Dr. Plínio Barreto, 285). Tel. (011) 3254-1631. Estreia: Hoje, às 21h30. Quintas e sextas, às 21h30. Sábados, às 21h. Domingos, às 20h. R$ 40. Até 26/6. 526 lugares. 130 minutos. 12 anos.

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