A Gaiola das Loucas comemora 100 apresentações

Versão brasileira da famosa peça de teatro é mais rica que a norte-americana

Denis Victorazo, especial para o iG Cultura |

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Diogo Vilela e Miguel Falabella fazem os papéis principais da versão brasileira de A Gaiola das Loucas
O musical A Gaiola das Loucas estreou em março passado no Rio de Janeiro, com Diogo Vilela e Miguel Falabella nos papéis principais, e fez festa para comemorar 100 apresentações na quinta-feira (22). Ainda neste ano, o espetáculo deve iniciar temporada em São Paulo.

A peça é uma adaptação do texto La Cage aux Folles , escrito por Jean Poiret em 1973, que virou filme de sucesso em 1978, com Ugo Tognazzi, e teve continuação, com o mesmo ator e menos sucesso, La Cage aux Folles II e III lançados na década de 80. Mike Nichols também refilmou, em 1996, uma versão contemporânea, com Robin Williams.

Na produção carioca, Diogo Vilela interpreta Albin, que no cabaret se transforma em Zazá, diva temperamental e sensível. Seu parceiro, Georges, mestre de cerimônias do cabaret, é interpretado por Miguel Falabella. A dupla forma um casal estabelecido no showbusiness, que vive junto há muitos anos e criou com igual envolvimento e dedicação o filho que Georges teve, fruto de uma noite de bebedeira, em que ele foi "conferir aquilo de que todos falavam".

O mote da história é a volta deste filho, Jean Michel, para anunciar que está prestes a se casar com Anne Dindon – e também a deixa para uma das frases mais famosas da peça, quando Zazá exclama: "Nosso filho vai se casar com uma mulher! Onde foi que nós erramos?"

Diferenças que se encontram em cena

Vilela e Falabella mostram mais uma vez seu talento e sua cumplicidade em cena. Não há como não se divertir com dois atores tão diferentes e, no caso, tão adequados em seus papéis: o primeiro é ator de composição, que se transforma num personagem diferente a cada trabalho. O segundo é ator de personalidade, que empresta sua persona aos trabalhos que faz.

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Douglas Hodge e Kelsey Grammer em divulgação da versão norte-americana do espetáculo
Além do casal principal, é impagável a participação de Jorge Maya como Jacó, a camareira “aparecida” que quer de qualquer maneira entrar para o mundo do espetáculo. No papel do filho que chega para anunciar seu casamento está Davi Guilherme, excelente cantor, mas que parece jovem demais, e leve demais, para o papel.

Aqui e lá

É interessante comparar a versão nacional com a montagem que está em cartaz neste momento na Broadway, arrebanhando os principais prêmios de teatro musical de Nova York, a capital mundial do gênero. La Cage aux Folles , ou simplesmente La Cage , como é chamado, também acaba de completar 100 apresentações no Longacre Theatre, e foi aclamado melhor "musical revival" de 2010.

Douglas Hodge, no papel de Zazá, é talvez o ator mais premiado do ano. Ele merece. Faz Zazá com humor, calor e cheia de vontades, que nos fazem acreditar na sua face diva temperamental assim como na de mãe adotiva – e cuidadosa – de Jean Michel. No papel de Georges está Kelsey Grammer, ícone da televisão, que viveu por mais de vinte anos o mesmo papel, o Dr. Frasier Crane, que apareceu primeiro na série Cheers , estrelada por Ted Danson, e depois ganhou seu próprio seriado, Frasier .

O fato mais impressionante na comparação das duas produções é que a brasileira é provavelmente mais cara que a da Broadway. Temos mais cenários, mais figurinos, iluminação mais rica, e maior número de bailarinos, as sensacionais loucas da Gaiola.

Claro que o enorme teatro OI CASA GRANDE não se parece em nada com um pequeno cabaret, e aí está uma das dificuldades a serem superadas. Miguel Falabella, porém, pode conseguir esse feito – se se aproximar mais do público e usar ainda mais o seu carisma.

O espetáculo deveria ser mais conversado, mais íntimo do público que está lá disposto a acreditar que aquilo é um pequeno cabaret, e que, como diz a música original do espetáculo, "o melhor momento é agora" (na versão em português, "a vida é uma só"). E eles nem precisariam cantar tão bem. Aliás, encurtar um ou dois números musicais também não seria uma má idéia.

A Gaiola das Loucas
Diogo Vilella, Miguel Falabella, Carla Martelli, Davi Guilherme, Gustavo Klein, Jorge Maya, Mauricio Moço, Mirna Rubin, Sylvia Massari, bailarinos e orquestra.
Músicas e Letras: Jerry Herman
Texto: Harvey Fierstein
Baseado na peça La Cage Aux Folles, de Jean Poiret
Direção musical: Carlos Bauzys
Versão brasileira e Direção: Miguel Falabella
Produção Geral: Sandro Chaim

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