Musical "Cazuza, Pro Dia Nascer Feliz" é homenagem que há muito o cantor merecia

Por Ana Ribeiro | - Atualizada às

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Suas músicas animaram as pistas, embalaram romances, ganharam contornos políticos, foram hino de uma geração sem ideais e, ainda, questionaram Deus e a morte; espetáculo canta vida louca e breve do poeta em duas horas e meia de diversão

O musical "Cazuza, Pro Dia Nascer Feliz", em cartaz até 26 de outubro em São Paulo, tem um trunfo sólido e incontestável: o protagonista, Emilio Dantas. Quando Cazuza morreu, em 1990, sua mãe teve de suportar a maior dor da maternidade. Até descobrir, como diz Lucinha Araújo na voz da atriz que faz seu papel no espetáculo (Susana Ribeiro), que Cazuza era como o sol, que nascia e morria a cada dia, e iria brilhar para sempre.

Em cena como Cazuza, Emilio Dantas é como o sol, ao redor do qual todos os outros astros se movimentam. Ele não poderia ser ator mais charmoso e cativante - sexy no limite da indecência -, e não poderia ter voz mais idêntica à do cantor. Só vê-lo no palco cantando muitas das melhores músicas de Cazuza, acompanhado de uma banda, já valeria a experiência de ir ao teatro. É a melhor alternativa a rever Cazuza no palco.

Emilio Dantas é praticamente uma reencarnação de Cazuza no musical "Cazuza, pro dia nascer feliz". Foto: Divulgação/Leo AversaBarão Vermelho: Thiago Machado (Frejat), Cazuza (Emilio Dantas), Maurício Barros (Oscar Fabião), Guto (Diego Montez), Dé (Marcelo Ferrari). Foto: Divulgação/Leo AversaCazuza em crise em cena do musical "Cazuza, pro dia nascer feliz". Foto: Divulgação/Leo AversaO pai de Cazuza, João (Marcelo Varzea) e a turma do cantor no musical "Cazuza, pro dia nascer feliz". Foto: Divulgação/Leo AversaEmilio Dantas e sua interpretação perfeita de Cazuza no palco. Foto: Divulgação/Leo Aversa

LINHA DO TEMPO: A VIDA LOUCA E BREVE DO POETA

Claro que o musical é bem mais do que isso. Lucinha Araújo é o fio condutor do espetáculo, narrando e vivenciando a música, a rebeldia, os amigos, os namorados, as namoradas, o talento, a doença e a morte de Cazuza. Além de contar um capítulo recente da história do Brasil, e mostrar um momento em que a aids era incombatível - mesmo, como no caso, com a possibilidade de apelar para os melhores tratamentos e hospitais do mundo -, o musical mostra como a doença combaliu uma família pequena, composta apenas de Lucinha, o filho único Cazuza e o pai, João Araújo, mas muito amorosa.

ZECA CAMARGO LEMBRA REVELAÇÃO DE QUE CAZUZA ESTAVA COM AIDS

Cazuza era talentoso, arrogante, mimado, agitado, poeta, promíscuo, difícil, genial - e tudo isso está no palco. O início meio por acaso da carreira de cantor, a gravação meio por acaso do primeiro disco - seu pai era executivo da indústria fonográfica e tinha receio de que assinar um contrato com a banda do filho, Barão Vermelho, soasse como nepotismo -, a interferência (musical e amorosa) de Ney Matogrosso (na peça interpretado por Fabiano Medeiros), a anuência de Caetano Veloso (Dezo Mota), que na contramão de alguns jornalistas da época citou Cazuza como o "grande poeta de sua geração", o estímulo do produtor Ezequiel Neves (atuação impagável de André Dias).

Divulgação/Leo Aversa
Frejat (Thiago Machado) e Cazuza (Emilio Dantas) em cena do musical "Cazuza, pro dia nascer feliz"

Vale ver o espetáculo para conhecer melhor a vida e a obra de Cazuza, para fazer uma investigação mental de quantas músicas do repertório dele te remetem a alguma história da sua própria vida, para ver como uma mãe transformou a dor em ação (Lucinha Araújo fundou a Sociedade Viva Cazuza!, que assiste crianças contaminadas pelo vírus HIV), ou para simplesmente ter duas horas e meia de diversão garantida.

O fim do espetáculo é uma comunhão entre palco e plateia quando o público, incentivado pelo elenco e acompanhado pela banda, lembra no tranco da letra de "Brasil" (Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim) e se pega cantando e batendo palmas.

Estava mais do que na hora de Cazuza receber uma homenagem dessa.

Cazuza, Pro Dia Nascer Feliz
Teatro Procópio Ferreira (r. Augusta, 2.823, Cerqueira César, São Paulo)
Quinta e sexta, às 21h; sábado, às 17h30 e às 21h30; domingo, às 18h (até 26 de outubro)
De R$ 50 a R$ 180
Mais informações: http://www.teatroprocopioferreira.com.br/

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