Pioneiro da arte cinética no Brasil, Abraham Palatnik ganha retrospectiva em SP

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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"A história da arte mundial o considera um pioneiro da pintura e da escultura em movimento", diz ao iG o curador da exposição

Pioneiro da arte cinética no Brasil, Abraham Palatnik, 86 anos, é tema de exposição que começa nesta quarta-feira (2) no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo. Em cartaz até 15 de agosto, a mostra exibe 90 obras do artista, realizadas durante mais de seis décadas.

A exposição reúne pinturas, desenhos, esculturas, móveis, objetos e estudos de Palatnik, conhecido por obras que combinam luz e movimento, e muitas vezes utilizam instalações elétricas. Trata-se de uma versão ampliada da mostra que já passou por Brasília e Curitiba e tem curadoria de Felipe Scovino e Pieter Tjabbes.

'Objeto Cinético', de Abraham Palatnik. Foto: Romulo Fialdini'Estudo para Cinecromáticos', de Abraham Palatnik. Foto: Vicente de Mello'W-432', de Abraham Palatnik. Foto: Vicente de Mello'W-282', de Abraham Palatnik. Foto: Vicente de Mello'T21', de Abraham Palatnik. Foto: Vicente de Mello'Convergência V-31', de Abraham Palatnik. Foto: Vicente de Mello

Segundo Scovino, a mostra de São Paulo terá 11 obras a mais, inclusive seis trabalhos de Emydio de Barros e Raphael Domingues, internos do Hospital Psiquiátrico Dom Pedro 2º, em Engenho de Dentro (RJ), uma forte influência na carreira de Palatinik.

Na década de 1940 o artista visitou o hospital, então coordenado pela Dra. Nise da Silveira, onde pacientes com esquizofrenia eram estimulados a pintar e desenhar.

Vicente de Mello
'Autoretrato', de Abraham Palatnik

"Quando Palatinik entrou em contato com este grupo, viu que eles produziam tão bem ou melhor do que ele, mesmo sem saber o que era arte, museu, galeria", diz Scovino, em entrevista ao iG.

"Ele ficou fascinado e desistiu de pintar. Três ou quarto anos depois, voltou com as esculturas. A experiência no hospital foi uma situação-chave em seu trabalho."

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Para o curador, a importância de Palatnik é tão grande que não incluí-lo em qualquer exposição sobre arte cinética seria "um erro histórico". "A história da arte mundial o considera um pioneiro da pintura e da escultura em movimento."

Scovino considera "Aparelho Cinecromático" a obra imperdível da exposição. Trata-se de uma caixa com lâmpadas acionadas por motores, colocada diante de uma tela em uma sala escura. Quando o motor é acionado, faz com que as lâmpadas acendam e apaguem, criando imagens de luzes e cores em movimento. A obra recebeu menção honrosa na Bienal de São Paulo de 1951. "Era uma obra muito moderna para a época, um escândalo", diz o curador.

Diálogos com Palatnik

Enquanto a mostra principal, intitulada "A Reinvenção da Pintura", acontece na Grande Sala do MAM, na Sala Paulo Figueiredo outra exposição apresenta obras do acervo do museu relacionadas ao trabalho do artista brasileiro.

Com curadoria de Scovino, "Diálogos com Palatnik" reúne 39 obras de 26 artistas que têm relação com a arte cinética ou ampliam a ideia de pintura, indo além do tradicional óleo ou tinta acrílica sobre tela.

"Abraham Palatnik - A Reinvenção da Pintura"
Data: 2 de julho a 15 de agosto
Horário: Terça a domingo, das 10h às 17h30
Local: Grande sala do Museu de Arte Moderna de São Paulo (Parque do Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3)
Entrada: R$ 6 (gratuita aos domingos)
Informações: (11) 5085-1300 e no site do MAM

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