Musical emociona e provoca mergulho nostálgico na obra de Cássia Eller

Por Nina Ramos , iG Rio de Janeiro |

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Atriz Tacy de Campos impressiona pela semelhança com a cantora, que morreu em 2001; Nando Reis e outros famosos foram à estreia da peça, em cartaz até 20 de julho

Depois de duas intensas e ininterruptas horas de um mergulho para lá de nostálgico, a percussionista Lan Lan confessou para um amigo na noite de segunda-feira (2): “Sentiu que parecia um show? A gente não queria fazer com intervalo para ter essa pegada mesmo. E tem outra coisa: eu odeeeio musical (risos)”.

De fato, ela fez bem seu trabalho em “Cássia Eller - O Musical”. Responsável pela direção de todo e qualquer som e letra tocado no palco, Lan Lan idealizou com sua equipe o espetáculo que é um presente para os que conheceram e para os que não conheceram Cássia ao vivo. É um showzaço, que termina com a morte “sem explicação” (como diz “Segundo Sol”) de sua musa inspiradora.

Imagem do espetáculo 'Cássia Eller - O Musical'. Foto: DivulgaçãoImagem do espetáculo 'Cássia Eller - O Musical'. Foto: DivulgaçãoImagem do espetáculo 'Cássia Eller - O Musical'. Foto: DivulgaçãoImagem do espetáculo 'Cássia Eller - O Musical'. Foto: DivulgaçãoImagem do espetáculo 'Cássia Eller - O Musical'. Foto: DivulgaçãoImagem do espetáculo 'Cássia Eller - O Musical'. Foto: Divulgação

No papel principal, uma jovem de Curitiba que “saiu da mesma tribo de Cássia”, segundo Lan Lan. Tacy de Campos parte com dois pés na frente pela semelhança física com a cantora. A parada fica séria mesmo quando ela abre a boca e canta os primeiros versos de “Lanterna dos Afogados”, canção número um. É quase impossível não sentir um arrepio com o timbre de voz da jovem, assustadoramente parecido com o de Cássia. Segundos depois, ela tira a camisa, fica com os seios à mostra e pronta para começar seu show.

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A timidez de Cássia, que morreu em 2001, era sabida. O que Lan Lan, o diretor João Fonseca, Patrícia Andrade, que montou o texto da peça, e toda trupe não poderia esperar é que Tacy fosse tão Cássia também fora do texto. Ao final da peça, no coquetel montado no saguão do CCBB, no Rio, a estrela da noite não conseguiu dar uma palavra sequer com os jornalistas. Está feliz? “Sim”. Qual música mais curte? “Não sei, são tantas”. Mas só diga uma. “Não me lembro agora”. Assim que pôde, Tacy se livrou das fotos, pegou um copinho de plástico com cerveja e foi matar o tempo do lado de fora do prédio. Crua, à la Cássia.

“Eu conheci a Cássia mais velha. Mas com a Tacy, parece que estou conhecendo uma nova Cássia, de 24 anos. Nós fomos muito criteriosos na escolha, foram mais de três mil candidatos, até que nossa produtora de elenco, Cibele Santa Cruz, encontrou um vídeo da Tacy e a convenceu de participar do teste. Foi imediato. Todos se emocionaram muito quando ela começou a cantar”, relembrou Lan Lan.

Divulgação
Emanuelle Araújo, Nando Reis, Marcelo Saback e Paula Bulamarqui assistem 'Cássia Eller - O Musical'

Não pergunte como a jovem - que tem uma banda em Curitiba, mas nunca tinha atacado de atriz - conseguiu vencer a timidez e se jogar no palco. Em cena, ela mostra os relacionamentos de Cássia a partir dos 18 anos (quando revela sua homossexualidade), a intimidade, o senso de humor, o vício nas drogas e a paixão pela música. Por falar nisso, na plateia da pré-estreia VIP do musical estava Nando Reis. E é com ele um dos momentos mais lindos da montagem.

Nando foi um parceiro-amante de Cássia. A amizade rendeu frutos incríveis, como “All Star”, “Relicário”, “Luz nos Olhos” etc. Tacy, em cena com Emerson Espíndola, fez Nando chorar.

“Foi maravilhoso, impressionante como até o timbre de voz da fala é igual ao da Cássia. Deu uma saudade doída”, disse. “Claro que é uma obra de ficção, mas ali mostra a minha pequena participação na história dela. É estranho (se ver interpretado no palco). São sentimentos ambivalentes, para ser sincero”, falou ao iG. “Na verdade, eu preferia não estar aqui. Eu preferia que a Cássia estivesse aqui”, completou Nando.

Duas grandes ausências foram sentidas e questionadas: Maria Eugênia, companheira de Cássia, e Francisco, o Chicão, seu filho. Os dois, avessos à imprensa, trataram de conferir o espetáculo na última quarta-feira. Eugênia, além disso, tinha visto dois ensaios anteriormente. Está explicado.

Vale grudar o olho na banda disposta no palco e nos outros nomes do afinado elenco: Thainá Gallo, Mario Hermeto, Eline Porto, Jana Figarella e Evelyn Castro.

Cássia Eller - O Musical
Data: até 20 de julho, de quarta a domingo
Horário: 19h
Local: Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro (rua Primeiro de Março, 66)
Entrada: R$ 10 e R$ 5 (meia)
Informações: (21) 3808-2020 ou site oficial

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