Conheça os japoneses de 'alma negra', denominados 'B-stylers'

Por BBC (Brasil) |

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Eles são jovens, escurecem a pele, usam lentes, ouvem hip-hop e usam gírias americanas

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Em sua carreira como fotógrafa, a holandesa Desiré Van Den Berg desenvolveu um especial interesse na cena noturna e expressões culturais fora do comum. Por isso, quando encontrou um vídeo no YouTube sobre japoneses que fazem o possível para se parecer e agir como negros americanos, ela se automaticamente se interessou pelo assunto.

A jovem Hina foi a porta de entrada da fotógrafa Desiré Van Den Berg para a cultura B-Style. Foi estranho quando conheci os 'b-stylers' porque alguns deles não parecem ser japoneses, mas também não diriam que eles parecem ser negros. É um meio termo", diz ela. Foto: Desiré Van Den BergHina trabalha em uma loja dedicada a este estilo, a Baby Shoop, que tem como slogan a frase "negro para a vida toda" - daí veio o nome da série de fotografias feitas pela holandesa. Foto: Desiré Van Den BergAlém das roupas que usa, Hina usa lentes para que seus olhos pareçam maiores e, assim como outros "b-stylers", gosta de exibir uma pele mais escura, graças a sessões de bronzeamento artificial e maquiagem. . Foto: Desiré Van Den BergMesmo assim, diz Van Den Berg, Hina ainda se comporta como uma jovem japonesa típica. "Apesar de parecer durona, ela é muito amigável, doce, humilde e gentil. Ela agia como qualquer menina japonesa: era muito educada e me pedia desculpas o tempo todo", afirma. Foto: Desiré Van Den BergMuitas pessoas tendem a considerar racista este estilo, segundo Van Den Berg. "Concordo que se vestir como um negro não é necessariamente a mesma coisa que ser negro. Mas os 'b-stylers' vêem a beleza da raça negra e a admiram tanto que criaram toda uma cultura em torno dela.". Foto: Desiré Van Den BergApesar de buscarem um estilo bem distante do estereótipo japonês, os "b-stylers" não rejeitam a cultura do Japão, segundo Van Den Berg. "Eles comem comida japonesa, falam japonês e vivem no Japão", ela diz. "Mas eles não gostam de algumas coisas típicas da cultura japonesa, como anime, porque são inocentes e pop demais.". Foto: Desiré Van Den BergVan Den Berg diz que o fato do Japão estar cheio de subculturas, como o B-Style, e não ser comum uma pessoa encarar outra no meio da rua, as pessoas têm mais liberdade para se comportarem como querem. Foto: Desiré Van Den BergOs "b-stylers" organizam seus próprios eventos, onde jovens dançam break, ouvem hip-hip e R&B enquanto artistas locais destes gêneros se apresentam no palco. "Estes eventos atraem principalmente japoneses. Foi muito interessante ver eles reunidos em um lugar só", afirma Van Den Berg. Foto: Desiré Van Den BergOs "b-stylers" pareciam genuinamente surpresos de encontrar alguém que veio de tão longe só para conhecê-los, como Van Den Berg. "Eles reagiam com curiosidade quando eu pedia para entrevistá-los e fotografá-los.". Foto: Desiré Van Den BergSegundo Van Den Berg, a cultura B-Style já foi maior. Hoje, eles são poucos e é preciso procurar por eles. "Hoje só existem alguns 'b-stylers' em cada cidade. Com certeza, não é algo comum. E talvez tenha ficado algo pequeno demais para sequer chamarmos de subcultura", diz a fotógrafa. Foto: Desiré Van Den Berg

"Já estive na Ásia muitas vezes e passei um ano morando e viajando por lá e sei que o desejo de ter uma pele escura vai contra o ideal de beleza asiático. Então, sabia que os jovens daquele vídeo estavam fazendo algo bem exótico para os padrões japoneses", diz Van Den Berg à BBC Brasil.

"Pesquisei na internet e tentei achar fotos sobre eles, mas não encontrei. Então, pensei que este poderia ser um dos projetos mais importantes da minha carreira se tivesse a chance de ir ao Japão."

A oportunidade veio em dezembro passado, quando a fotógrafa viajou à Tóquio e conheceu Hina, uma jovem japonesa adepta deste estilo. Ela foi então apresentada a este submundo da cultura japonesa, o B-Style.

Van Den Berg conta que estes jovens vão além das roupas que eles escolhem vestir. Os "b-stylers" gostam de ter uma pele mais escura, graças a sessões de bronzeamento artificial ou maquiagem, frequentam cabelereiros administrados pela comunidade africana, usam lentes para fazer seus olhos parecem maiores, ouvem hip-hop e frequentam clubes e shows deste gênero musical, falam gírias americanas.

"É uma comunidade muito pequena. Você não os vê facilmente na rua. É preciso procurar por eles", diz.

Foi justamente o que Van Den Berg fez – e você pode conferir o resultado desse esforço na galeria acima.

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