Mostra no Centro Cultural Banco do Brasil e fica em cartaz até 7 de julho; leia entrevista com o curador

Começa neste sábado (3) a exposição "Um Trágico nos Trópicos", que marca o começo das homenagens do centenário do artista brasileiro Iberê Camargo. A mostra fica em cartaz até o dia 7 de julho no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo e tem parceria com a Fundação Iberê Camargo. Ao todo, mais de 145 obras serão expostas.

"A ênfase (da exposição) está na fase madura do artista, mostrando-a como coroamento de sua trajetória, em que a recuperação da figura foi menos um retorno a algo que havia sido abandonado e mais uma explicitação da corporeidade – do homem e da pintura – e sua inscrição como visualidade encarnada", afirma o curador da exposição, Luiz Camillo Osório, em entrevista ao iG .

Para ele, o legado que Iberê deixou é o de que "arte é, acima de tudo, uma entrega verdadeira à necessidade de expressão".

'A Idiota', de Iberê Camargo
Iberê Camargo
'A Idiota', de Iberê Camargo

A exposição vai ocupar todos as salas do Centro Cultural, e terá um formato de retrospectiva, com os momentos mais importantes da trajetória do artista. Segundo Osório, "da pequena paisagem dos anos 1940 às enormes telas da última fase, a pintura vai se exasperando, o gesto com pincel e espátula vai ficando mais encrespado e mais introspectivo."

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Iberê Camargo nasceu em Restinga Seca, cidade do interior do Rio Grande do Sul, em novembro de 1914. O interesse pela arte começou aos 4 anos, e suas primeiras obras retratam muito de sua infância.

'Ascensão', de Iberê Camargo
Iberê Camargo
'Ascensão', de Iberê Camargo

Em 1928 o artista ingressou na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria (RS). Em 1942 se mudou para o Rio de Janeiro para aumentar as possibilidades de ser um pintor, e começou a ter aulas com Alberto Veiga Guinard. Em 1943 fundou o Grupo Guinard, junto com outros artistas.

Em 1947, após apresentar a obra “Lapa” no Salão de Arte Moderna, recebeu o prêmio “Viagem à Europa”, e lá tornou-se aluno de mestres como Giorgio de Chirico, Carlos Alberto Petrucci, Antônio Achille, Leone Augusto Rosa e André Lhote. Em 1950 retorna ao Brasil, e em 1961 recebe o Prêmio de Melhor Pintor Nacional na Bienal de São Paulo.

Iberê firmou sua carreira e teve seus trabalhos expostos nas Bienais de Veneza, Tóquio, e Madri, além de exposições na França, Inglaterra, Estados Unidos e Escócia. "A questão do corpo e da carne (seja a da pintura e das tintas, seja a do homem e sua existência) marca a obra do artista desde seu início nos anos 1940 e a percorre até o final, nos anos 1990. Esta preocupação faz ressaltar a própria urgência da vida e sua inevitável finitude, com uma pincelada nervosa e precisa”, diz Osório.

Iberê morreu em 1994, em Porto Alegre, deixando um acervo de mais de cinco mil obras – entre pinturas, gravuras, desenhos, guaches e documentos pessoais, que em grande parte integram o acervo da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre.

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