Netflix, Amazon e Sky investem em séries na briga por mercado de streaming

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Empresas apostam no formato de seriados longos com tramas complexas para atrair público

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Um novo empreendimento surge da obscuridade para se tornar um artigo presente em lares mundo afora, distribuindo um produto altamente viciante - as séries transmitidas na internet pelo sistema de streaming. A Netflix domina esse mercado ainda incipiente, mas já começa a ganhar concorrência de peso da Amazon, da Sky e da Microsoft.

Nesta segunda-feira (21), a Netflix vai anunciar os resultados financeiros da empresa em 2014. Já se esperam cifras positivas e um crescimento no número de assinantes - as últimas informações eram de uma clientela de 44 milhões de pessoas.

Boa parte desse sucesso se deve à série "House of Cards", estrelada por Kevin Spacey, que retrata o cotidiano inescrupuloso dos corredores da política em Washington, a capital americana.

Claire Underwood (Robyn Wright) e Frank Underwood (Kevin Spacey) na segunda temporada de 'House of Cards'. Foto: DivulgaçãoFrank Underwood (Kevin spacey). Foto: DivulgaçãoZoe Barnes (interpretada por Kate Mara) e Frank Underwood (Kevin Spacey). Foto: DivulgaçãoFrank Underwood (Kevin Spacey) e Claire Underwood (Robin Wright). Foto: DivulgaçãoZoe Barnes (Kate Mara) na segunda temporada de 'House of Cards'. Foto: DivulgaçãoFrank Underwood (Kevin Spacey) e Remy Danton (Mahershala Ali). Foto: DivulgaçãoCatherine Durant (interpretada por Jayne Atkinson), Raymond Tusk (Gerald McRaney) e Frank Underwood (Kevin Spacey). Foto: DivulgaçãoO prresidente Garrett Walke (interpretado por Michael Gill). Foto: DivulgaçãoDoug Stamper (interpretado por Michael Kelly)na segunda temporada de 'House of Cards'. Foto: Divulgação

A nova aposta da Netflix é a série "Narco", que vai contar a vida do traficante colombiano Pablo Escolar e será protagonizada por Wagner Moura e dirigida por José Padilha.

A questão é se a empresa norte-americana seguirá acumulando poder e fama ou se esse sucesso vai terminar de forma abrupta, como a vida do narcotraficante que inspira sua nova aposta na dramaturgia.

Isso porque quando "Narco" estiver disponível no ano que vem, a Netflix não estará mais sozinha (ou quase sozinha, como hoje). O mercado de séries exclusivas para streaming deverá estar bem mais aquecido, com crescente concorrência.

Nos próximos meses, a Microsoft deve lançar duas novas série de ficção científica, "Halo" e "Humans", em seu serviço Xbox Live. A Sony está produzindo o drama sobrenatural "Powers", uma série sobre detetives que investigam pessoas com habilidades sobrenaturais.

E a Amazon, com seu programa Instant Video, investiu em séries diversas, entre elas "The After", um drama pós-apocalíptico realizado pelo criador de "Arquivo X", Chris Carter.

Na Grã-Bretanha, a rede de TV paga Sky está oferecendo as séries "Game of Thrones", "24", "Mad Men" e outros seriados americanos de sucesso por uma fração do do que custa tê-los por meio do serviço de assinaturas da Sky.

Tramas complexas

Não é coincidência que muitos desses programas possuem tramas complexas que se estendem ao longo de várias temporadas em vez de formatos mais cursos preferidos por muitas emissoras de TV.

"O que nossos usuários mais amam assistir, e nós nos concentramos nisso em nossas próprias séries, são histórias altamente serializadas", afirma Joris Evers, porta-voz da Netflix para a Europa. "Gostamos do tipo de série que possui um prazo de tempo mais longo, com múltiplos episódios e múltiplas temporadas. Você segue uma trama em vez de um episódio, como nas séries policiais, onde alguém é morto nos primeiros 10 minutos e dentro de uma hora você descobre quem cometeu o crime e se ele ou ela serão ou não punidos."

No passado, apostar em séries mais longas era uma estratégia de risco para as TVs, porque a audiência desses programas costumava cair à medida que eles prosseguiam, afetando as quantias que poderiam ser cobradas por anúncios.

Com frequência, programas de grandes orçamentos eram cancelados antes que suas tramas tivessem uma resolução. Séries como "Firefly", "Terminator: The Sarah Connor Chronicles", "Flash Forward" e "Defying Gravity" são apenas alguns exemplos.

Nova dinâmica do mercado

A dinâmica do mercado mudou, também no caso das TVs pagas. Cada vez se tornam mais comuns os pacotes que podem ser cancelados a qualquer momento, sem que o cliente tenha de optar por uma assinatura anual. Séries mais longas e que podem "viciar" o espectador ganham mais sentido nessa nova realidade.

"Estes programas prendem você por um longo período de tempo. E em um mundo ideal eles estimulam pessoas a não cancelar a assinatura ao final do mês, mas a continuar assistindo e assinando", afirma Ian Maude, da empresa de consultoria de mídia Enders Analysis.

Por meio da análise de algoritmos, os diferentes serviços de streaming esperam conseguir passar à frente de emissoras de TV, oferecendo aos espectadores séries que em tese também seriam do seu agrado.

"O crucial é 'fragmentar' a audiência, de modo que se você estiver assistindo 'Game of Thrones', você pode perceber que 'Banshee' ou 'The Walking Dead', que são relevantes para o mesmo tipo de audiência, também estão disponíveis", afirma Gideon Katz, diretor da Now TV, da Sky.

E quanto mais você assiste, melhores se tornam as sugestões do software. ''No Netflix nós sabemos o que uma pessoa está assistindo neste momento, o que assistiram antes e o que assistirão em seguida, o quanto de um programa elas assistiram, com que frequência elas asistem um episódio seguido de outro ou se elas abandonam o episódio depois de cinco minutos", comenta Joris Evers, o representante do Netflix na Europa.

"Nós temos uma equipe de planejamento e análise que trabalha muito no sentido de decifrar os números de modo a prever a audiência de um título em especial e, baseando nisso, estabelecer o quanto deveríamos estar pagando por ele", acrescenta.

Ainda que em tese esses algoritmos forneçam aos serviços de streaming uma vantagem sobre a TV tradicional, algumas séries, como 'Bad Samaritans', da Netflix, e 'Betas', da Amazon, atraíram uma audiência menor.

O motivo, segundo especialistas da inúdistra, é que a análise de dados por si só não é capaz de criar um sucesso de público. "É uma mistura entre ser criativo, bom em relacionamentos e conhecer indústria. Isso é algo que pode faltar a muitos destes novatos no mercado e que eles talvez precisem adquirir, ao atrair o tipo de executivos que possuem essa experiência", comenta Sef Tuma, da divisão de serviços digitais da consultoria Accenture.

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